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Sinal de Esperança

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No sexto dia, Deus contemplou sua criação completa em seu vasto esplendor e viu que era “muito bom” (Gênesis 1.31). Mas Ele ainda não viu o “melhor.” Isso porque antes mesmo de Ele criar, Deus decretara que “o melhor de todos os mundos possíveis” não era estar no começo, mas sim no fim da história. Esse também foi o motivo pelo qual Ele fez Adão e Eva a Sua imagem – para dar a eles o privilégio e a responsabilidade, únicos entre Suas criaturas, de trabalhar para seu Criador-Senhor e assim levar a criação à sua consumação pretendida.

Nossos primeiros pais, no entanto, provaram ser servos infiéis e inúteis, e o resto é história – a triste e calamitosa história da pecaminosidade humana e a justa ira e maldição de Deus sobre esse pecado. “Mas onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Romanos 5.20). Em sua ira, Deus lembrou-se da misericórdia (Habacuque 3.2). Deus propôs, apesar do pecado, não abandonar a criação. Ele se propôs a salvar um povo para si mesmo. Ele enviou Seu próprio Filho unigênito para ser o novo “último Adão” (1 Coríntios 15.45-47). Por Sua vida, morte, ressurreição e ascensão, Ele não apenas cancelou a punicao que nós pecadores merecemos, mas também garantiu a realização dos propósitos originais de Deus para toda a criação. Como “o cabeça sobre todas as coisas” para a igreja (Efésios 1.22), Ele está atualmente trabalhando, pelo seu Espírito, para a plena realização desses propósitos em seu retorno. Então, ao examinar o novo céu e a nova terra em sua perfeição final e inabalável (Hebreus 12.2 6-28), Ele verá de fato o “muito melhor.”

O que, você pode estar se perguntando, tudo isso tem a ver com o sábado? “Muito, sob todos os aspectos” (para emprestar de Romanos 3.2). Certamente, no livro de Hebreus, por exemplo, Deus deixa claro que deseja que apreciemos o laço profundo entre o escopo abrangente da religião cristã que acabamos de esboçar e a manutenção semanal do Dia do Senhor. Na longa passagem de Hebreus 3.7-4.13, Ele pretende dar aos cristãos do Novo Testamento um senso de sua identidade básica: eles são estrangeiros; a igreja é um povo peregrino. Ele esclarece o ponto, ao comentar sobre o Salmo 95.7-11, comparando a igreja a Israel no deserto. Essa analogia tem dois lados. Por um lado, assim como Israel havia sido libertado da escravidão no Egito, os crentes já foram liberados da culpa e do poder do pecado. Mas, por outro lado, assim como Israel no Sinai ainda não havia entrado na terra de Canaã, ainda não alcançamos nossa salvação em sua plenitude final. Uma experiência de salvação não ameaçada, incontestada e não incerta ainda é futura para a igreja. Por isso há tantas exortações pronunciadas para perseverar, não apenas nesta passagem, mas em todo o livro de Hebreus.

Deus chama essa possessão futura de salvação “descanso” ou “Meu descanso,” extraída do Salmo 95 (veja Hebreus 3.11,18; 4.1,3,5,10,11). Além disso, Ele associa explicitamente o sábado a esse descanso. Isso acontece de duas maneiras: Primeiro, em Hebreus 4.4, Ele conecta esse descanso com Gênesis 2.2 (“Porque, em certo lugar, assim disse, no tocante ao sétimo dia: E descansou Deus, no sétimo dia, de todas as obras que fizera”). Este é o único lugar onde o Novo Testamento cita este versículo. Também é significativo que existam apenas dois lugares onde o Antigo Testamento cita este versículo, e ambos funcionam para apoiar o mandamento do sábado semanal (Êxodo 20.11; 31.17). Segundo, em Hebreus 4.9, Ele deliberadamente chama o descanso de “descanso do sábado” (ou “guarda do sábado”).

A intenção deste comentário inspirado sobre o Antigo Testamento deve ser suficientemente clara. Deus quer que vejamos o descanso final – a ordem de consumação reservada para os filhos redimidos de Deus – como um grande e interminável descanso de sábado. Isso sugere que o dia de sábado é um sinal escatológico. Em outras palavras, nosso descanso sabático semanal é um ponteiro recorrente para essa consumação. A guarda semanal do sábado é um sinal que aponta para o fim da história e para o cumprimento final de todos os propósitos de Deus para Sua criação.

Ver o sábado nessa maneira tem implicações significativas não apenas para nossa atitude em relação ao Dia do Senhor, mas também para a maneira como vemos a nós mesmos e a todas as nossas atividades como servos de Deus. O sábado semanal não é apenas a provisão de Deus para que possamos ter tempo para adorá-lo (embora certamente seja isso). O descanso em si – cessando o máximo possível das atividades que são apropriadas nos outros seis dias da semana – tem um significado positivo. O Dia do Senhor tem a ver com adoração porque é antes de tudo sobre o evangelho. É um sinal, uma testemunha tanto para a igreja quanto para o mundo que assiste, que “não sois de vós mesmos” (1 Coríntios 6.19). Dependemos de Deus, não de nós mesmos, para nos sustentar. É um sinal de que não confiamos em nós mesmos e em nossos próprios esforços como filhos caídos de Adão. Confiamos na perfeita justiça de Cristo, o último Adão. Confiamos na fidelidade de Deus às promessas da aliança de fazer por nós o que somos incapazes de fazer por nós mesmos.

Nós obscurecemos o significado do Dia do Senhor se o separarmos dos outros seis dias da semana. O ciclo semanal – que estrutura a existência humana em praticamente todas as épocas e lugares – propicia uma espécie de “filosofia da história.” O padrão de seis dias de atividade interrompida por um dia de descanso é uma lembrança contínua de que os seres humanos não estão presos em um fluxo de dias sem sentido, um após o outro sem fim. A história tem um começo e um fim. Estamos caminhando para o julgamento final e a consumação de todas as coisas. Toda vez que nos lembramos do dia de sábado para santificá-lós, isso nos encoraja a “pensar grande.” Nos lembra do quadro verdadeiramente amplo do qual participamos como filhos redimidos de Deus. O sábado semanal é um sinal dado por Deus de que nossas vidas não são sem sentido e sem propósito. Toda vez que negligenciamos consagrar o Dia do Senhor a Deus, nós realmente roubamos a esperança de nós mesmos. Toda vez que deixamos de santificar o dia a Deus, na verdade obscurecemos nosso testemunho do mundo da esperança em Cristo. Todo dia de sábado é um lembrete gracioso de que nosso trabalho no Senhor não é vão (1 Coríntios 15.58).

O sábado é agora o dia do Senhor. O Dia do sábado passou do final para o começo da semana. Nosso grande privilégio sob a Nova Aliança é começar a cada semana com o sábado. Isso é um sinal – por causa da ressurreição de Jesus no primeiro dia da semana – não apenas que a nova criação está “preparada para revelar-se no último tempo” (1 Pedro 1.5), mas também que nosso Senhor Jesus Cristo na verdade já começou a nova criação. Porque ainda aguardamos a futura consumação, quando entrarmos no descanso de Deus em perfeição, continuaremos a ter um sábado semanal no Novo Testamento. Porque em Jesus Cristo já entramos no descanso de Deus em princípio, começamos a semana com o sábado. Nós já possuímos “o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança” (Efésios 1.13-14). O Dia do Senhor é um sinal semanal de que a salvação não é apenas uma esperança futura, mas uma possessão atual.

Em um mundo cada vez mais sem Deus e sem esperança, nossa guarda semanal do sábado é uma testemunha sem voz, mas poderosa – um sinal de esperança – a esperança, Deus nos assegura, que “não confunde-se” (Romanos 5.5).


Tradução: Jim Witteveen.

Revisão: Tainá Alves.

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