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Oração do Conselho antes e depois do culto público

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O costume de orar como um conselho antes e depois do culto público provavelmente surgiu no século 19 com os cessacionistas (Afscheiding). Mais de uma vez as autoridades governamentais poderiam interromper os serviços, prender os pregadores e outros considerados responsáveis. Eles imploraram ao Senhor para que pudessem encontrar-se em paz e não serem incomodados pelas autoridades governamentais. Depois do culto, eles se reuniam para uma oração de gratidão ao Senhor, pela bênção que lhes foi permitido reunir-se em paz. É provavel que a oração na sala do conselho antes e depois dos serviços de adoração surgiu e tornou-se um costume em nossas igrejas, assim como em outras igrejas reformadas.

Essência

A natureza dessa oração não é pessoal, mas tem uma característica oficial porque é feita ao Senhor por um dos oficiais a pedido do conselho. É o conselho que chama a congregação para ajuntar-se ao culto e arca com a responsabilidade de tudo o que acontece no culto de adoração. O conselho, juntamente com o ministro, tem a responsabilidade de pastorear acongregação à medida que ela é conduzida à palavra de Deus. Esse dever dos oficiais dá significado a oração na sala do conselho.

Conteúdo

O conteúdo desta oração tem dois aspectos importantes: Primeiro, deve haver uma petição para que o culto de adoração seja conduzido em ordem. Em segundo lugar, a pessoa que ora deve suplicar ao Senhor que fortaleça e capacite o ministro da Palavra (estudante de teologia ou ancião) para a tarefa na qual ele é chamado. Essa é uma tarefa distinta porque o ministro está consciente da necessidade do apoio em oração do conselho para realizar o seu chamado. O ministro trabalhou para preparar o sermão e todos os outros aspectos necessários do culto público. Ele pode ter dificuldades. É possível que sua própria vida espiritual não esteja florescendo. Podem haver outros fatores, como fadiga ou dificuldades na família. Podem ser pequenas dificuldades, contudo, podem ser grandes o suficiente, para que Satanás faça uso delas com o intuito de destruir o trabalho do ministro.

Quão edificante pode ser para o ministro (estudante de teologia ou ancião), quando o oficial do conselho recomenda-o ao Senhor e ora pela unção de eu Espírito. Pode ser uma breve oração, mas deve ser uma oração sincera. Tal oração encoraja, fortalece e estimula o ministro a fazer o trabalho que ele tem de fazer no culto público. Tal oração fortalece a comunhão mútua do conselho no apoio ao ministro e aumenta a consciência da responsabilidade comum, embora o ministro seja aquele que expõe e aplica a Palavra e conduz as orações congregacionais.

Oração Apropriada

Duas coisas não são apropriadas para a oração do conselho antes do culto:

Primeiro, o ancião não deve duplicar a oração de intercessão ao ministro no culto de adoração. Sem dúvida, pode acontecer que o conselho seja tão tocado por uma grave situação na congregação, comunidade ou no mundo que o oficial traz isso ao Senhor em sua oração. Isso não é errado e é apropriado. Isso simplesmente realça a situação em referência na qual a palavra de Deus será aberta no púlpito. Em geral, todavia, o oficial não precisa reafirmar o que o ministro fará em nome de toda a congregação ao invocar o nome do Senhor na assembléia solene.

Em segundo lugar, não é apropriado insinuar algo negativo sobre o ministro ou sua pregação. A oração nunca pode ser usada com essa finalidade. Se um oficial sente que deve criticar o ministro, ele deve seguir um caminho diferente. O oficial deve orar pelas bênçãos do Senhor no culto solene.

Ele pedirá a presença graciosa de Deus para fortalecer a fé e a conversão daqueles que se afastaram ou são indiferentes.

Às vezes, esse é um momento apropriado para os oficiais orarem por aqueles que também participam do culto, como o organista e o guardião, que raramente são lembrados nas orações congregacionais. O conselho não deve deixá-los fazer o seu trabalho sem trazer suas necessidades ao Senhor também. Afinal, o conselho também é responsável pelo seu trabalho.

A oração deve ser breve

A oração antes e depois do culto deve ser breve. Ouvi falar de orações que duraram dez minutos, enquanto a congregação esperava impacientemente. Isso é impróprio. É para ser uma oração breve, na qual o conselho ora pedindo força para o ministro da palavra, por um culto ordenado e tranquilo, pela presença do Senhor, para uma bênção na pregação da Palavra e na administração dos sacramentos, e para que o nome do Senhor seja glorificado no culto a ser celebrado.

Após o culto, geralmente, há uma breve oração de ação de graças. Deve haver ação de graças pelo privilégio do culto público, pela graciosa presença e comunhão do Deus triúno e pela exposição e aplicação da ua palavra. Juntamente com essa oração de ação de graças, pode muito bem haver uma petição ao Senhor para continuar abençoando Sua Palavra pregada à congregação que “testificou a todos o quanto os ímpios vão de mal a pior e somente àqueles que são justificados pelo sangue da Cruz podem ter paz eterna”.

Conversação

Qual o propósito de reunir-se , antes e depois do culto público, como um conselho? Uma razão pode ser, considerar quaisquer avisos que ainda precisam ser dados do púlpito antes do culto. Outro ponto, pode ser atualizar brevemente os outros sobre os irmãos e irmãs da congregação que estão enfermos, e outras necessidades especiais que os irmãos ou o ministro precisam saber.

Ademais, no contato com o ministro (estudante de teologia ou ancião que está prestes a liderar o culto ou ler um sermão), os irmãos do conselho devem reconhecer que estão prestes a entrar no “santuário” do Senhor para adorá-Lo. O ministro pode estar um pouco tenso e consciente do fato de que seu trabalho concerne a assuntos eternos. Se, o conselho perceber que ele parece estar sobrecarregado, é importante uma palavra encorajadora. Pode haver também circunstâncias ou alguma situação na congregação, que pode impossibilita-lo ou cansá-lo, e seria adequado indicar-lhe de alguma forma, que você compreende como ele se sente e que estará ao seu lado. Tente imaginar como você se sentiria, o que precisaria ou o que gostaria se estivesse no lugar dele.

As conversas no conselho devem ser de tal qualidade que levem à oração. Pode acontecer que exista um significativo contraste entre as conversas antes e depois das orações. Na verdade, as conversas devem ser pontos de partida para a oração. Deve-se ter em mente que os outros integrantes estão reunidos na sala do conselho.

Depois do culto de adoração

Isso é verdadeiro para o tempo após o culto também. Às vezes, pode-se dizer coisas relacionadas a visitas familiares. Quão encorajador é, para um pastor ouvir que o sermão tratou de assuntos discutidos em uma visita familiar. Pode também ser um comentário de natureza pessoal. Não é errado, por vezes, relatar ao conselho que alguém foi tocado em sua vida pessoal. O ministro também pode ocasionalmente dizer o que o tocou na palavra que acabou de ser proclamada.

Em resumo, devemos lembrar o que está prestes a acontecer ou o que acaba de suceder no culto de adoração. Permaneçam uns com os outros como irmãos e mostrem ao ministro que as preocupações dele são suas. Vamos sempre lembrar a importância do amor. Como Pedro escreveu: “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados” (1 Pedro 4.8).


Tradução: Morgana Mendonça.

Revisão: Thainá Alves.

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