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O que é um bom feriado?

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Quem não gosta de um feriado?  Os feriados são ótimos! Geralmente, quando você retorna, as pessoas perguntam: “Como foi o seu feriado?” A resposta dada, muitas vezes é determinada pelo clima que foi vivenciado durante o feriado.  Se foi ensolarado, foi um ótimo feriado, caso contrário o tempo chuvoso o tornou péssimo.

Mas o que de fato representa um bom feriado?  Em nossos dias, praticamente aceitamos os feriados como uma garantia. Temos todos eles ao longo do ano e, especialmente no verão, muitas são as pessoas que podem ter um período longo, de alívio de seu trabalho diário. Contudo, isso nem sempre foi dessa maneira. E, no entanto, os feriados não são novidades.  Nos tempos do Antigo Testamento, o povo de Deus, vivendo conforme a Lei Mosaica, desfrutou de muitos dias de folga. Talvez por um momento, seja bom refletir sobre isso.

O Senhor foi bondoso com os feriados

Foi Deus, e não um condutor de escravos. Ele veio para libertar seu povo do cativeiro! Fora do Egito, Ele os chamou, longe do trabalho árduo de fazer tijolos para um faraó despótico que nem sequer fornecia a palha.  A caminho do Sinai, Ele os lembrou da bênção do sábado, tornando impraticável a saída para obter maná naquele dia. Eles foram instruídos a colher o dobro no dia anterior e a descansar no sétimo dia (Êxodo 16.23-30).  E, no Sinai, o Senhor renovou o pacto com o Seu povo e, entre outras coisas, deu ao Seu povo feriados para celebrar!

É surpreendente o número de feriados que Israel tinha, quando paramos para refletir sobre isso. Além do dia semanal de descanso, havia um dia de descanso mensal chamado Lua Nova (Números 10:10; 2 Reis 4:23; Amós 8:5) e, como no sábado, a cada sete anos constituía um ano sabático quando a  terra e os vinhedos não deviam ser trabalhados por um ano inteiro (Êxodo 23:11; Levítico 25: 1-7). Além do mais, todo quinquagésimo ano, o ano do Jubileu, deveria ser celebrado, o qual, como o ano sabático, significava, entre outras coisas, que Israel foi libertado de trabalhar na terra (Levítico 25:8-22). Anualmente três festas de peregrinação tinham que ser observadas quando se aguardava que todos os homens subissem ao lugar que o Senhor escolheria para a Páscoa (que foi imediatamente seguida com os sete dias da Festa dos Pães Ázimos), a Festa do Pentecostes,  e a festa dos sete dias dos Tabernáculos (Deuteronômio 16). Também, houve o Dia Anual da Expiação (Levítico 16) e a Festa das Trombetas (Levítico 23: 23-25)

É importante que todas essas festas, assim como Deus as ordenou, envolvessem o descanso e uma ruptura da luta rotineira de trabalho em um mundo caído. Além disso, em todas essas festas Deus estava dizendo ou lembrando ao Seu povo de uma forma ou outra de sua salvação e redenção.  Por exemplo, a Páscoa falava de Deus livrando Seu povo da escravidão do Egito, mas também lembrava ao povo que o grande livramento do pecado viria através do sacrifício perfeito do Cordeiro de Deus. Essa salvação e redenção incluía, o descanso prometido para o Seu povo. Pois o descanso que foi prometido na terra de Canaã era apenas uma antecipação do descanso perfeito e glorioso que estava por vir (cf. Hebreus 3:7-4:11).

É, também portanto, considerável que o Senhor lembrasse dos desfavorecidos em Israel quando Ele legislou festas para o Seu povo. Eles também tiveram que compartilhar a alegria de seu Senhor e experimentar algo de um antegozo daquele belo descanso que estava à espera do povo de Deus. Em toda a luta da velha criação, seu povo poderia saber que as dívidas seriam anuladas a cada cinquenta anos e as famílias poderiam retornar à herança de seus pais (Levítico 25). E, se eles tivessem se tornado escravos devido às dívidas,  eles seriam libertos no sétimo ano (Êxodo 21:2) ou no Jubileu (Levítico 25). Os pobres poderiam celebrar e compartilhar a generosidade da bênção de Deus de comida e bebida durante as festas (por exemplo, Deuteronômio 16:11,14).

Alguém poderia resumir dizendo que Deus deu ao Seu povo muitos dias de descanso e celebração, nos quais Ele os lembrou da gravidade do seu pecado, mas também da redenção que pertencia a eles. O descanso que puderam desfrutar, indicava um futuro descanso.

Feriado são dias santos 

É evidente que as festas de Israel eram dias santos, dias dedicados ao Senhor e Seu serviço.  Historicamente, também é assim que temos o termo “feriados”. “Feriados” significam dias santos.  No cristianismo medieval, nenhuma distinção era possível, entre um dia de descanso do trabalho ou um dia de celebração para uma festa. Não queremos voltar aos “dias santos” daquela época em que um santo após outro recebeu um dia especial. No entanto, porque vivemos em uma sociedade secular, fazemos bem em honrar a origem do termo “feriado” no sentido de que significa literalmente um dia santo. Enquanto a sociedade como um todo não quer que Deus esteja no centro de sua vida, nós entretanto, O queremos? Então,  os nossos feriados, assim como o resto das nossas vidas, não devem ser santificadas a Deus, com todas as consequências que isso traz consigo? De fato, fazemos bem em relembrar algumas das riquezas do Antigo Testamento para este tema.

Qual é o sentido de um feriado?

Hoje as pessoas costumam viver para o fim de semana. Em nossa sociedade, neopagã, isso significa o sábado e o domingo (embora no calendário cristão o domingo seja o primeiro dia da semana e os cristãos não o incluam no “fim de semana”). Quando o clima mais quente chega, muitos vivem para um fim de semana prolongado, e começam a contar os dias até o próximo feriado.

Como cristãos, também podemos  aguardar um período de descanso de nosso trabalho diário, mas faremos isso de uma maneira diferente. O que representa um bom feriado? Apenas sendo física ou mentalmente renovada?  Esse é um elemento importante, mas é apenas o começo dos benefícios que podem ser recebidos! O Senhor nunca deu a seu povo feriados e festas apenas para alívio físico. Ele sempre incluiu um lembrete de uma esperança maior; ou seja, que Ele, como pacto, estava ocupado trabalhando a salvação para o Seu povo e esta salvação incluía a remoção da maldição do trabalho e da vida em geral, de modo que o descanso verdadeiro, o descanso completo viesse.  Também pode significar (onde isso é possível) ajudar pessoas com necessidades especiais, como foi feito em Israel nesse contexto. Pense nas bênçãos realizadas ao participar, por exemplo, de um acampamento para deficientes ou viajar para algum lugar para ajudar aqueles que são menos favorecidos.

Os feriados são, portanto, um excelente momento para ponderar e refletir sobre as grandes coisas que Deus está fazendo por Seu povo, levando aos seus familiares uma reflexão a respeito das grandes coisas de Deus. Os feriados devem ser um tempo não apenas de renovação física ou mental, mas também de renovação e rejuvenescimento espiritual. Portanto,  o domingo, o Dia do Senhor, é o feriado crucial que podemos desfrutar, é claro. Podemos começar cada semana com uma celebração sobre as grandes coisas que Deus fez em Jesus Cristo e na nova criação que Ele tem levantado. Jamais subestimemos a grande bênção do Dia do Senhor, o dia da ressurreição! Mas, quando o Senhor em Sua bondade também nos dá mais e mais dias de folga do nosso trabalho diário, não vamos abusar deste presente simplesmente colocando-nos no centro dela, mas tratá-los como dias santos que são feriados para serem usados ​​com o Senhor em mente, pois não é para Ele que vivemos? Vamos agradecer ao nosso Deus e dar-lhe a glória também da maneira em que estamos no feriado, usando as muitas oportunidades para perceber mais e mais a nossa riqueza no Deus da vida que está nos levando para o seu descanso eterno.

Você terá ou já teve bons feriados? Os melhores feriados que alguém pode ter, são aqueles em que você volta revigorado e fortalecido, não só fisicamente e mentalmente, mas também espiritualmente no Senhor, pronto para cumprir a missão em um mundo caído.  Para aqueles renovados espiritualmente teremos outro antegozo desse alegre descanso que está por vir, o descanso que ainda permanece para o povo de Deus (Hebreus 4:9), o descanso em um mundo perfeito onde não haverá mais luta contra o pecado ou o quebrantamento do pecado.  Um mundo caído, mas onde tudo será completo e belo diante da vista de Deus e de Seu povo.


Tradução: Alaíde Monteiro.

Revisão: Thaís Vieira.

O website revistadiakonia.org é uma iniciativa do Instituto João Calvino.

Licença Creative Commons: Atribuição-SemDerivações-SemDerivados (CC BY-NC-ND). Você pode baixar e compartilhar este artigo desde que atribua o crédito à Revista Diakonia e ao seu autor, mas não pode alterar de nenhuma forma o conteúdo nem utilizá-lo para fins comerciais.

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