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O privilégio da adoração

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Todo Dia do Senhor, milhões de cristãos desafiam suas autoridades civis e se reúnem para adorar em obediência ao rei dos reis. Por que é que aqueles em regimes comunistas e islâmicos repressivos arriscam tudo para se reunir para louvar a Deus e ouvir a sua Palavra?

Por que menos e menos pessoas vão à igreja no mundo ocidental livre e com sua rica herança cristã? Por que parece haver uma tendência nas igrejas reformadas ortodoxas, incluindo “nossas” igrejas, onde menos pessoas estão participando do segundo culto? O que está acontecendo?

Uma parte importante da resposta parece estar no fato de que pessoas em regimes anticristãos podem ter uma maior apreciação pelo maravilhoso privilégio que é o culto de adoração ao Senhor.

Adoração é encontrar-se com Deus

Adorar é vir diante de Deus com ações de graças e louvor.

Saiamos ao seu encontro, com ações de graças, vitoriemo-lo com salmos. Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do SENHOR, que nos criou. Ele é o nosso Deus, e nós, povo do seu pasto e ovelhas de sua mão. Hoje, se ouvirdes a sua voz” (Sl 95.2,6-7)

Se isso foi verdade na antiga dispensação, quanto mais hoje, quando Deus já veio ao seu povo em Espírito na obra de redenção em Cristo. Não é de se admirar que a Palavra de Deus nos ordena: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns” (Hb 10:25). Esta reunião comunitária é descrita em termos de adoração e entrada no Santo dos Santos pelo sangue de Jesus (v. 19). E a exortação é certa: “aproximemo-nos, com sincero coração,” (v. 22).

Não é por acaso que quando nos reunimos para o culto e expressamos nossa confiança e dependência em Deus, é o próprio Deus quem nos recebe em sua presença através da boca de seu servo, o ministro do evangelho. “Graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.” (1 Co 1:3). Nossa adoração termina com Deus nos mandando de volta para casa com aquela maravilhosa bênção de Números 6. “O SENHOR te abençoe e te guarde; o SENHOR faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o SENHOR sobre ti levante o rosto e te dê a paz. Assim, porão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei (Nm 6:27)! O segundo culto também termina de maneira maravilhosa: “Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo esteja com todos vós” (2 Cor 13:14). Todo o culto de adoração é conduzido na presença de Deus com o foco central na proclamação da sua Palavra. Tão óbvio deveria ser o fato de que Deus é o centro de tudo – e que ele está presente em nossa adoração – que para os ímpios a consequência gerada deve ser “tornam-se-lhe manifestos os segredos do coração, e, assim, prostrando-se com a face em terra, adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato, no meio de vós” (1 Co 14:25).

Por causa da presença de Deus, é necessário lembrar-se da preparação necessária para o encontro com o Deus que é santo. Esta preparação inclui preparar nossas mentes. Afinal, a santidade de Deus está em contraste com a nossa indignidade e pecado e, por isso, só podemos entrar na adoração com um coração contrito (cf. Sl 51:17; 6:1-5). Preparar-se para a igreja também inclui tomar decisões sobre o que vestir. Vestir-se adequadamente, tanto para aparecer diante de Deus, quanto para estar dentro da santa congregação, é também um ato de preparação. A nossa melhor vestimenta deve estar reservada para vestirmos no domingo! É bom lembrar que nada do que usamos deve diminuir o foco que nós ou outros membros devem ter no culto. E uma vez já dentro da igreja, é apropriado ficar em silêncio e reverenciar a Deus enquanto se espera o início do culto.

Que privilégio que pessoas pecaminosas possam aparecer diante de Deus na santa adoração! Que evidência de sua graça e misericórdia que o caminho é aberto para o Santo dos Santos pelo sangue de Jesus (Hb 10:19)!

Não é de admirar que milhões enfrentem perseguição e opressão buscando todas as oportunidades para reunir todos os dias do Senhor em segredo, confiando em Deus a quem eles adoram com alegria e gratidão.

Mas no Ocidente, a frequência ao culto diminui e, em nossos próprios círculos, ouvimos a pergunta mais frequentemente: “Temos que ir à igreja duas vezes ao domingo? Não há mandamento bíblico para isso por que devemos ir duas vezes?

O segundo culto

Afirmar que não há prescrição bíblica para um segundo culto é afirmar rápido demais. No tempo do Antigo Testamento, havia um padrão de adoração matutina e noturna. Isto é evidente a partir da necessidade de trazer ofertas a Deus, tanto no início e no final do dia (Nm 28: 1-10). O Salmo 92, “Um Cântico para o Sábado”, reflete esse padrão quando jubila: “Bom é render graças ao SENHOR e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo, anunciar de manhã a tua misericórdia e, durante as noites, a tua fidelidade” (vv. 1-2, minha ênfase). Não surpreendentemente, a igreja do Novo Testamento também adorou na noite do primeiro dia da semana (Atos 20: 7).

Todo o Dia do Senhor é para ser um dia santo de descanso e adoração. Ter dois cultos dominando o dia aprimora essa caracterização e ajuda a torná-lo uma realidade. Estes cultos, por assim dizer, dão o tom para a santidade do Dia. O dia do Senhor é o tempo sagrado em que temos o privilégio de nos concentrar no Senhor e em sua obra para nós em Jesus Cristo.

E que bênção é o Dia do Senhor! Nutre nossa fé e nos permite crescer como cristãos, para que possamos estar melhor equipados para resistir às tentações do mundo. Ao honrar o Dia do Senhor, fazemos uso dos meios da graça: a pregação do evangelho e o uso dos sacramentos. Precisamos desses meios para edificar nossa fé, para que possamos ser fiéis ao nosso Deus, pois como cristãos, vivemos em um ambiente muito hostil. Não é em vão que aqueles que foram colocados sobre nós nos chamam para o culto de domingo. Eles sabem o que é necessário para o bem-estar de nossas almas (cf. Hb 13:17).

Mas em última análise, responder a objeções e convencer alguém com base intelectual (que um segundo serviço está de acordo com as Escrituras), não é suficiente. Um cristão agradecido não gostaria de adorar em todas as oportunidades? O domingo não é o Dia do Senhor e não devemos aproveitar todas as oportunidades para estar na presença dele? Um adorador está satisfeito com apenas um culto, quando dois estão disponíveis. Isto não acaba por insultar o Senhor que nos amou de maneira insondável ​​e quer se encontrar conosco?

Certamente, negligenciar uma segunda oportunidade de adoração não é um sinal de progresso, mas sim de subestimar o privilégio e a importância da adoração comunitária. Isto é particularmente verdade quando se contrasta este ponto com a devoção de milhões de filhos de Deus que arriscam suas vidas, em partes do mundo onde os governos civis proíbem ou desencorajam o culto a Deus.

O verdadeiro problema

Por que temos que ir à igreja duas vezes” é a pergunta errada e mostra que o significado do culto de adoração não é compreendido. Ir à igreja é um privilégio da graça de Deus. Ele nos dirige para lá e nos dá sua bênção. Algum filho de Deus gostaria de perder essa oportunidade?

Em outros lugares, os cristãos se arriscam por este privilégio. Nós faríamos menos? Se você já provou algo da graça e misericórdia de Deus em sua vida, você realmente gostaria de deixar de estar em sua presença com sua congregação para agradecer, louvar e adorá-lo?

Além disso, se Cristo amou tanto a igreja que ele se entregou por ela (Ef 5:25), não iríamos querer passar tanto tempo quanto possível com sua noiva, a igreja, em adoração e assim mostrar nosso amor ao nosso Salvador?

O princípio de Isaías 58 ainda é válido. “Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então, te deleitarás no SENHOR. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do SENHOR o disse” (vv. 13-14). O Dia do Senhor usado corretamente nos dá uma prévia da alegria eterna de chegar na presença de Deus. Como o nosso Catecismo coloca, podemos “assim começar nesta vida o descanso eterno” (CH, P/R 103).


Tradução: Marcel Tavares.

Revisão: Thaís Vieira.

O website revistadiakonia.org é uma iniciativa do Instituto João Calvino.

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