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O Papel do Marido no Casamento

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Bem, poderíamos dar início com uma definição de trabalho: um marido é a pessoa que deve ser homem para uma mulher em particular.  Por incontáveis ​​anos na sociedade ocidental, ou você era menino ou era homem; você mudava de fase aproximadamente quando sua voz se tornava grave e você começava a se barbear.  Como homem, era esperado que você assumisse responsabilidades de um homem, concluindo plenamente suas obrigações. Isso incluía arranjar um emprego, casar com uma garota, amá-la e zelar por ela, e tomar a responsabilidade final dos filhos que terá com ela.

Desde a 2ª Guerra Mundial, uma terceira categoria foi inserida entre a infância e a idade adulta, ou seja, os adolescentes.  A sociedade é bastante clara quando a adolescência começa (quando a voz fica grave), mas não fica claro quando a adolescência termina.  É quando alguém pode votar? Quando se casa? Quando alguém se torna pai? Quando alguém compra uma casa? O resultado é que existem em nossa sociedade inúmeros jovens de 20 e poucos anos, e até jovens de 30 e poucos anos que, embora talvez casados ​​e pais, ainda agem como adolescentes.  Há mesmo aqueles que experimentam uma crise de meia-idade, porque eles não conseguem superar a perda da adolescência.

Os cristãos de hoje são invariavelmente afetados por essa tendência em nossa sociedade.  Casar com a garota do seu coração não significa que ela realmente tenha assumido a responsabilidade que pertence ao casamento.  Um homem casado ainda pode no fundo ser um adolescente – ou mesmo um menino. Ao abordar o tema de como ser um marido, faço-o deliberadamente do ponto de vista da masculinidade;  o marido precisa ser um homem para sua mulher (e, claro, para os seus filhos).

Masculinidade

O Senhor Deus criou o homem com responsabilidades específicas;  Adão não foi criado para ficar ocioso ou se divertir. Tenha em mente  o seguinte:

Deus estabeleceu nomear o gênero humano depois do macho. Embora Deus tenha feito dois gêneros, ele chama a espécie de “homem”, não “mulher” ou uma opção neutra (Gn 1.26; 5.2).  Deus colocou o macho, nesse caso, como o formador de tendências da espécie. A fim de compreender que a espécie humana é a imagem de Deus. Imaginar o Criador (Deus acabara de fazer o mundo) envolvia no mínimo que o homem fosse criativo também, criando coisas como Deus a fim de parecer bom depois do mundo de Deus.  Ser um homem envolvido, aceitando a responsabilidade.

Em sintonia com essa identidade, Deus colocou o “homem” no jardim do Éden com a função de “cultivar e guardar” (Gn 2.15).  Deus mais tarde colocou uma mulher no jardim para trabalhar ao lado dele como uma “auxiliadora” para o homem (Gn 2.18). Ser um homem comprometido abrangendo a liderança.

Não é surpresa observar que passagens posteriores da Escritura chamam o homem de “cabeça” de sua esposa (veja 1 Co 11.3; Ef 5.23).  Sua masculinidade exige que ele aceite a responsabilidade pela mulher em particular que Deus lhe deu, para que ele a conduza, proteja e cuide dela, e ela, por sua vez, se sinta segura, amada e tranquila com ele, com espaço para florescer.

Inversão de papéis

A queda no pecado aconteceu como resultado de uma trágica inversão de papéis.  O homem e sua esposa estavam juntos no jardim quando a serpente conversou com a mulher sobre o fruto daquela única árvore.  A conversa terminou com Eva colhendo frutos daquela árvore e comendo-os, depois dando alguns “ao marido e ele comeu” (Gn 3.6).  Esse detalhe é altamente significativo. Adão estava em pé ao lado dela enquanto ela tomava e comia! Embora ele tivesse sido incumbido à liderar e assim proteger sua esposa do perigo, ele não conseguiu protegê-la da tentação da serpente, e falhou em instruí-la a não se meter com a serpente, e fracassou em proibi-la de alcançar o fruto.  Através da sua omissão, ele permitiu sua esposa tomar a iniciativa.

Quando Deus depois veio ao Jardim, “Ele chamou o homem” (não a mulher) para perguntar “onde estás” (Gn 3.9) – uma ação em sintonia com o papel de liderança que Deus designou a Adão.  Ele então culpou Adão por duas transgressões: a primeira foi “visto que atendeste a voz de tua mulher”, e a segunda foi “comeste da árvore” (Gn 3.17). O ponto é que Adão não conseguiu ser homem para sua esposa.  Esse fracasso ecoa nas páginas da Escritura quando a Bíblia chama a queda em pecado da transgressão de Adão (por exemplo, Os 6.7; Rm 5.12,14).

Esse fracasso do primeiro marido da história iria, disse Deus, ressoar através das futuras gerações.  Para Eva, Deus disse: “O teu desejo será para o teu marido, e ele te governará” (Gn 3.16b). A palavra “desejo” não é aqui uma referência ao apetite sexual, mas uma referência a querer continuar a inversão de papéis exibida na queda do pecado.  A resposta de Adão, diz nossa tradução, é que “ele deve governar sobre você”. Uma tradução melhor seria que Adão “deve governar sobre você”.¹ Ele deve ser um homem para ela, até mesmo ao ponto de protegê-la dela mesma.  Essa é a sua função como marido.

Marido

Outras páginas das Escrituras deixam claro que o marido é e continua sendo responsável por sua esposa.  Considere alguns exemplos:

No décimo mandamento, o Senhor diz ao seu povo que “não cobiçarás a casa do teu próximo” (Êx 20.17).  A implicação dessa afirmação é que Deus se dirigiu às multidões reunidas no Monte Sinai através dos homens.  Os homens ouviram a palavra de Deus com seus próprios ouvidos, e então foram responsáveis ​​por transmiti-la para a esposa (e filhos).  Do mesmo jeito, os homens de Israel deveriam aparecer três vezes por ano diante do Senhor Deus (Êx 23.17).

O livro de Números contém uma passagem detalhando o que deve acontecer quando um homem suspeita que sua esposa cometeu adultério.  Nessa passagem, o Senhor descreve explicitamente a mulher como estando “sob o domínio de teu marido” (Nm 5.19,20) .²

Quando uma esposa faz um voto e seu marido ouve e discorda de seu conteúdo, ele pode anular o voto (Nm 30.6-15).  Contudo, a esposa não pode anular o voto do marido.

Passagens como estas deixam claro que Deus considera o marido responsável por sua esposa.  Por esta razão, o marido deve conhecer o coração de sua esposa, entender seus fardos e conduzi-la no caminho de Deus em meio às suas preocupações.  Ele é, em outras palavras, deve ser um homem para ela.

Jesus Cristo

Nosso Senhor Jesus Cristo nos mostra como devemos ser. Tanto de homem era Ele que tomou sobre si mesmo os pecados de sua noiva.  Ele sabia bem da Palavra de Deus, que não havia outro modo de sua noiva ser resgatada do julgamento eterno do Deus Santo que seus pecados mereciam. Por amor a sua noiva Ele aceitou a responsabilidade por suas transgressões, e permitiu que o castigo dela viesse sobre si. A punição dirigiu Ele para a cruz do Calvário, onde Ele foi experimentado na mais dura medida, o santo julgamento do Altíssimo Deus.  No tormento da Sua angústia Ele clamou em sua dor, “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46)  – para que sua noiva nunca fosse abandonada pelo Deus contra quem ela havia pecado. Isso é ser um homem para uma mulher confiada a seus cuidados! Como um membro da igreja, a noiva do Senhor Jesus Cristo, eu sou extremamente grato por esta mais profunda manifestação de amor.

O que Jesus fez na cruz por sua noiva é o exemplo que todo marido cristão deve seguir.  “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (‭‭Ef‬ ‭5.25‬). A palavra crítica aqui é o comparativo de duas letras como.  Os maridos não devem fazer algo parecido com o que Cristo fez, como se um pouco menos estivesse bom; os maridos devem amar suas esposas como Cristo amou a igreja. Como ele “se entregou por ela”, assim também os maridos se negam a si mesmo por suas esposas.  O homem que segue a Cristo abandonará os hobbies, a bebida, a promoção, os passeios com os meninos e qualquer outra coisa que atrapalhe a felicidade de sua esposa (Veja Ef 5.26,27).

Expressamente

Talvez valha a pena colocar um pouco de cor no que é ser um homem para uma determinada mulher.

O marido cristão nunca machucará a sua esposa fisicamente.  Você pode imaginar Jesus machucando fisicamente a sua noiva?!  O marido, então, nunca irá agredir sua esposa. E, se alguma vez em um momento de raiva ferir sua esposa, o marido cristão vai se arrepender com confissão, reconhecer seu pecado para sua esposa, buscar seu perdão e, em seguida, reconhecer que ele é responsável pela desconfiança que agora ela sente em relação a ele.  É claro que não será suficiente entender a palavra “agredir” para se referir apenas às mãos. Pode-se também “ferir” com a língua, ou com um olhar que expressa: não se atreva a falar agora!

O marido cristão precisa descobrir como se unir sentimentalmente a esposa e depois manter contato com o coração e os pensamentos dela, todos os dias.  Permanecer em contato realmente exige considerável tempo e esforço, mas não menos porque o Senhor criou a mulher com a mudança das estações. Conhecê-la muito bem e determinar em que ponto ela está emocionalmente exige interesse  e afeto constante por ela, inclusive fazendo questão de aprender o que a “linguagem do amor” agora funciona melhor.

O marido cristão não exigirá ter sua esposa sexualmente.  O sexo simplesmente não é um direito, nem é uma necessidade tal que um homem deva insistir nisso.  As ações de Cristo Jesus, o Homem para os homens, não foram conduzidas antes, mas foram conduzidas pela doação.  Ao ser um homem para uma mulher em particular, o marido deve exercer autodisciplina e autonegação semelhantes, em relação à esposa.  Através de seu cuidado, ela deve florescer e não se sentir ameaçada ou usada.

Financeiro

O marido cristão também assumirá a responsabilidade pelas necessidades financeiras de sua esposa (e da família).  A palavra do apóstolo a Timóteo aplica-se também ao marido: “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente” (1 Tm 5.8).3 É importante notar como Deus falou com o primeiro marido.  No Jardim, ele foi encarregado de “cultivar e guardar” (Gn 2.15).  Após a queda, o Senhor colocou a mulher no lar (pois Deus falou de filhos e marido, Gn 3.16) e imaginou o homem como trabalhando no campo em um esforço para sustentar a família (Gn 3.17, 18).  Nas suas instruções a Israel no Monte Sinai, o Senhor disse ao seu povo: “A nenhuma viúva nem órfão afligireis” (Êx 22.22). A razão para o mandato era porque a viúva – que é uma mulher – não tinha mais um provedor e, portanto, era vulnerável.  A implicação: era dever do marido cuidar de sua esposa e família.

Jesus Cristo, aquele Marido perfeito, não pediu a sua noiva para arcar com parte de sua responsabilidade e assim levar parte da ira de Deus contra seus pecados.  Em seu cuidado por ela, Ele se esforçou para suprir todas as suas necessidades. Esse é o exemplo que o marido deve seguir. Está sob a dignidade que Deus incumbiu ao homem da casa que Ele espera, a fim de que a sua esposa assuma parte de sua responsabilidade em cuidar das necessidades da família.  Talvez ele tenha que trabalhar mais arduamente ou mais eficazmente, talvez ele tenha que baixar a qualidade de vida de sua família, talvez tenha que desistir de alguns hobbies. Entretanto, tomando as decisões difíceis e sacrificando a si mesmo pela família, é o que significa ser homem.³

Em suma

Estou muito ciente de que, o que eu disse aqui sobre o papel do marido no casamento, é muito diferente do que a sociedade nos encoraja a pensar.  Que o Senhor Deus nos dê a coragem, a fidelidade e a autonegação que precisamos para sermos para nossas esposas (e filhos) os homens que Deus quer que sejamos.  E Ele faz; o Homem para todos os homens, nos dando o Seu Espírito ricamente.

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Notas:
¹ Para a argumentação desta tradução preferida, veja meu livro A Vow to Love, p.  78,79.

² É assim que a ARA traduz corretamente a passagem.  A NVI interpreta essa frase como “Se nenhum outro homem se deitou com você”, contudo isso não transmite o que o hebraico realmente diz.

³ isso não significa que a esposa nunca deva trabalhar.  Pretendo dizer mais sobre isso quando falar sobre o Papel da Esposa no casamento no próximo Bit to Read.  Por enquanto, a ênfase está no papel do marido.


Tradução: Marcel Tavares.

Revisão: Thaís Vieira.

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