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O desafio da liderança espiritual

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Quem é suficiente para a tarefa de líder espiritual? O homem que lidera o rebanho de Cristo precisa de pelo menos duas qualidades raras: um coração compassivo e também nervos de aço. Ninguém está bem equipado para guiar os santos de Deus na terra, a menos que ele tenha dois lados aparentemente contraditórios em seu caráter. Ele precisa ser pleno ao amar todos aqueles que são o povo de Cristo, e imutável em sua adesão aos princípios da Palavra de Deus.

Já foi dito de Moisés, um dos líderes escolhidos por Deus, que sua vida anterior foi vivida aprendendo duas lições opostas. Ele passou seus primeiros quarenta anos aprendendo toda a sabedoria do Egito; e seus segundos quarenta anos na solidão de um deserto. O primeiro período da vida foi gasto aprendendo a ser algo; e o segundo período da vida foi gasto aprendendo a ser nada. Quando ele aprendeu as duas lições, estava pronto para levar o povo de Deus à Terra Prometida.

Que tenha compaixão

Um líder do povo de Cristo deve ter um coração compassivo. Ele deve amar e alimentar aqueles que amam a Jesus. Ao mesmo tempo, ele deve resistir firmemente a todas as tentativas de colocar em risco as almas do povo de Deus. O verdadeiro líder tem a sabedoria de saber quando o amor por suas almas exige que ele sorria e quando exige que ele seja duro. A boa liderança não sorri para cristãos professos quando estes querem seguir caminhos não aprovados por Deus. O falso pastor é aquele que relaxa sua voz quando parte de seu rebanho se apressa a seguir caminhos proibidos e tolos.

Líderes fracos cedem aos pedidos bajuladores de suas congregações. Líderes sábios percebem que há momentos em que devem dizer “não”. Arão, por exemplo, era um homem bom, mas um líder fraco. Ele não teve coragem de dizer “não” a um bezerro de ouro quando as pessoas lhe pediram para torná-lo um novo deus.

Uma boa liderança exige sabedoria para saber o que é importante e o que é insignificante. Os fariseus eram firmes em criticar a oposição a qualquer mudança em suas tradições. Mas suas tradições eram feitas pelo homem e não dadas por Deus. Eles estavam mais preocupados com a hortelã, o anis e outras ervas do que com os assuntos maiores exigidos por Deus, como justiça, misericórdia e fé (Mt 23.23). Eles transformaram marolinhas em tsunâmis, e tsunâmis em marolinhas. Esta é sempre uma marca de má liderança.

Piedade

A boa liderança começa quando as pessoas aprendem a liderar a si mesmas. O bom líder ordena primeiro sua própria vida nos caminhos de Deus e piedade. O segredo de um homem piedoso é que ele passa um tempo com Deus em secreto. O líder fraco é responsável por coisas menores. O bom líder está antes de tudo preocupado em conhecer, entender e fazer a vontade de Deus, em vez de se conformar às opiniões do povo. Como Moisés, o bom líder passa um tempo no topo da montanha, mantendo comunhão com Deus.

O primeiro dever do líder espiritual é ver se aqueles que o seguem são adequadamente ensinados na Palavra de Deus. A teologia é a rainha das ciências e a essência de todo conhecimento verdadeiro. Portanto, a maior preocupação do homem espiritual é garantir que seu rebanho esteja bem fundamentado na Verdade. Coisas difíceis devem ser explicadas em linguagem simples. As verdades profundas devem ser esclarecidas o máximo que pudermos. Nosso povo é santificado pela Verdade (Jo 17.17). Portanto, devemos procurar abrir a verdade da maneira mais clara possível.

Que suporte sozinho

Bons líderes são homens solitários nesta vida. Eles devem aprender a andar com Deus e a não serem populares entre todos. Essa é uma disciplina dolorosa, na qual não se pode confiar. Alguns líderes na igreja terão um círculo de admiradores que os apoiarão ao longo do caminho. O conforto é que eles podem desfrutar do sorriso ou de seu círculo interno. Mas há um preço a pagar. Eles sabem que deverão manter o sorriso no rosto de seus seguidores, mesmo que isso vai ser feito à custa da verdade e da justiça. O sábio líder cristão deve ter amigos e conselheiros, mas nunca devem ter favoritos. Um favorito é aquele que é mais respeitado do que o resto, porque recebe um status mais alto na congregação. Mas não somos daqueles que estão atrás da “honra das pessoas” (Tg 2.1).

A justiça de Deus estabeleceu um padrão para todos nós. Todos nós somos tratados com igual justiça. Ser um líder do povo de Deus exige que um homem esteja pronto para sofrer pela justiça. Uma das diferenças entre profetas e falsos profetas é que o primeiro grupo está preparado para sofrer pela verdade, mas o segundo não. “O mercenário (ou falso profeta) foge porque é mercenário” (Jo 10.13). Mas a verdade é que vale a pena sofrer pela verdade de Deus. A verdade é mais preciosa do que a vida. Foi pela verdade que os profetas e apóstolos sofreram. Foi pela verdade que João Batista foi decapitado. Foi pela verdade que Cristo, nosso Senhor, morreu na cruz.

Que seja de coração inteiro

Um verdadeiro líder espiritual se dedica inteiramente ao seu trabalho como servo de Deus. O líder fraco trabalha apenas até onde for conveniente. Todo homem deve ter um tempo ou descanso. Mas há uma diferença aqui também. O líder fraco descansa para desfrutar de seus próprios prazeres. O verdadeiro líder continua sendo apenas mais eficiente em seu trabalho. Ele descansa, para que ele possa renovar suas forças e subir mais alto nas asas de uma águia (Is 40.31).

Uma das fraquezas mais graves de um líder ruim é que ele exige que seus seguidores o louvem. Essa foi a fraqueza do rei Saul. Ele amou tanto o louvor do homem acima do louvor a Deus que estava pronto para matar o jovem Davi, que havia se destacado na liderança. Era importante para o pobre Saul ser algo no IBOPE das pessoas. Teria sido muito melhor se ele tivesse prestado atenção na sua reputação para com Deus. Mas ele era espiritualmente cego e não se importava com o pecado que havia cometera, desde que pudesse manter a coroa de honra em sua própria cabeça. Mas os líderes que olham para sua própria honra estão numa ladeira escorregadia. Como Saul, eles correm o risco de perder definitivamente qualquer louvor de Deus. Foi a patética confissão do rei Saul, no final, que ele “esteve procedido como louco e errado excessivamente” (1 Sm. 26.21).

A marca de um líder é que ele deve liderar. A medida de um líder é calculada na extensão em que leva seus liderados na direção certa. Se todos os que afirmam pregar o evangelho liderassem suas congregações da maneira correta, a Escócia seria um lugar diferente. A tarefa do líder espiritual é mostrar sua miséria antes que ela mostre conforto. Pregar é apenas uma verdadeira pregação quando começa contando que as pessoas estão arruinadas, perdidas e desamparadas. Nenhum pregador tem liberdade para dar segurança ou conforto àqueles que não creem em Cristo. É traição à Palavra de Cristo dar esperança do céu a quem não se arrependeu e veio até Jesus de coração partido. Dizer isso não é algo popular; mas nosso dever como líderes espirituais não é cortejar popularidade.

Que fale a verdade

Nenhuma bênção maior poderia chegar à nossa nação do que uma nova geração de líderes espirituais que deveria ser levantada por Deus. Eles não precisam ser necessariamente especialistas acadêmicos. Nem todos os apóstolos vêm desta categoria de acadêmicos. Eles precisaram ter a coragem de falar a verdade para aquela geração. Por “verdade”, nos referimos às doutrinas que fluem da Bíblia e que são a substância de nossas Confissões e Catecismos de Westminster.

Levar homens e mulheres às formas bíblicas, pensar e se comportar, é o que é supremamente necessário em toda a vida da igreja hoje. Deus deve ser reconhecido como o Altíssimo, Santo e que odeia todo pecado. Cristo deve ser apresentado como Deus, na mesma natureza do homem, o Salvador de todos os que creem nele. Ele é o juiz final de toda a humanidade. O Espírito Santo deve ser reconhecido como o Autor do novo nascimento e, portanto, a única fonte de fé salvadora. A vida deve ser vista como uma resposta obediente ao amor de Deus, mantendo cuidadosamente Seus mandamentos. A morte deve ser apresentada como a porta de entrada para o céu para todos os crentes, e a porta do castigo eterno para os incrédulos.

Nossa geração precisa de líderes, mas não precisa de novidades. As velhas verdades de Deus serão capazes de trazer vida nova à nossa nação. O desafio é: a nova geração de jovens será uma geração de líderes fortes ou líderes fracos? O destino das nações está nas mãos de Deus. Mas os homens que veem corretamente seu dever estudam para se mostrarem aprovados como líderes que amam o evangelho apaixonadamente, e se esforçam para trazer nossa nação de volta a Deus.


Artigo publicado originalmente na christianstudylibrary.org.

Tradução: Marcel Tavares.

Revisão: Ester Santos.

O website revistadiakonia.org é uma iniciativa do Instituto João Calvino.

Licença Creative Commons: Atribuição-SemDerivações-SemDerivados (CC BY-NC-ND). Você pode baixar e compartilhar este artigo desde que atribua o crédito à Revista Diakonia e ao seu autor, mas não pode alterar de nenhuma forma o conteúdo nem utilizá-lo para fins comerciais.

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