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Não me diga mentiras

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Cretenses são sempre mentirosos.” Assim falou o filósofo antigo Epimênides, um nativo da ilha de Creta. Parece que os cretenses eram mentirosos infames. A palavra “cretense” entrou na língua inglesa como sinônimo de mentiroso. O Dicionário Oxford fornece as seguintes definições. Cretecismo: Comportamento cretense, ou seja, mentir. Cretize: Jogar o cretense, isto é, mentir; superar mentindo.

Os antigos cretenses podem ter sido mentirosos, mas também os canadenses modernos. Se os canadenses nunca mentissem, os tribunais estariam vazios. Em vez disso, os tribunais estão sobrecarregados com casos para tratar. O fato de as pessoas mentirem, fugir da verdade, colorir os fatos e se recusarem a admitir o que fizeram, mantém os juízes e os advogados muito ocupados.

O pai da mentira

O diabo é a fonte de todas as mentiras. Em João 8:44 o Senhor Jesus disse: … “porque nele (O diabo) não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”. O diabo é o pai da mentira. Ele falou a primeira mentira. A primeira mentira já proferida está registrada em Gênesis 3:4, onde o diabo disse a Eva: “Você não morrerá”.

O que o ato de mentir faz? Mentir quebra relacionamentos. Deus nos criou com a capacidade de falar e escrever. Por meio da fala e escrita, nos comunicamos. Quando as pessoas começam a mentir, a comunicação é interrompida e as relações são destruídas. Se um marido mente para sua esposa, o casamento se choca contra as rochas. Se um homem de negócios não é sincero com seu parceiro, ele não estará no mercado por muito tempo. Todos nós conhecemos pessoas que têm reputação de mentir. Nós duvidamos de sua palavra. Achamos que ele está faltando com a verdade. Achamos esse comportamento desprezível.

Assim fizeram os apóstolos. Paulo categorizou mentirosos e perjuradores no mesmo pacote que os assassinos, fornicadores e sodomitas (1 Tm 1:10). João fez uma estreita associação entre os mentirosos e o Anticristo (1 Jo 2:22). Claro! Toda mentira é anti-cristo. João viu em sua visão que assassinos, fornicadores, feiticeiros, idólatras e todos os mentirosos acabarão no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda morte (Ap 21:8).

O juramento

Para neutralizar a mentira, Deus deu o juramento. Ele permitiu que os homens jurassem pelo seu nome. Ele deu o Seu Nome para que as pessoas pudessem ligar o que dizem a Ele, e assim garantir-se a verdade. Em Deuteronômio 6:13, Deus disse: “O SENHOR, teu Deus, temerás, a ele servirás, e, pelo seu nome, jurarás.”. Israel não devia jurar pelos nomes de outros deuses, os quais eram meros ídolos. Se tivessem que sublinhar e garantir a verdade de suas palavras, só poderiam fazê-lo jurando pelo nome do único Deus verdadeiro que é o único que conhece os corações. Porque o SENHOR conhece o coração, ele pode dar testemunho da verdade e pune aqueles que juram falsamente.

Deus foi muito bom com o homem ao colocar o Seu Nome à disposição do mesmo. Com base no testemunho de Deus, podemos construir e reconstruir relacionamentos. Nosso falar uns com os outros é colocado no firme alicerce do Nome de Deus. Um juramento feito no Nome de Deus é um poderoso golpe contra o pai da mentira.

Nós podemos ser gratos por termos o juramento, e ainda assim a necessidade do juramento é motivo de tristeza. A única razão pela qual Deus fez o juramento é porque homens e mulheres são, por natureza, mentirosos – filhos do pai da mentira. Se nunca mentíssemos, não haveria razão para o juramento. No entanto, no mundo, a necessidade do juramento permanece. Testemunhas têm que ser submetidas a juramento. Porque a mentira está firme e forte, os tribunais da terra precisam insistir que as testemunhas irão “… falar a verdade, toda a verdade, e nada mais que a verdade, de forma que Deus os ajude”. Porque as palavras do homem são mais leves do que o respirar, precisamos “jurar” diante de homens e mulheres que ocupam cargos políticos ou magisteriais na terra. Eles precisam jurar diante de Deus que serão fiéis aos deveres de seus ofícios.

No mundo, precisamos assumir que as pessoas mentirão. “O mundo” produziu um tempo atrás o filme “True Lies”. No mundo, a antítese entre a verdade e a mentira se foi. A mentira prevalece. Precisamos supor que homens e mulheres falam de acordo com a natureza que herdaram de seu pai, o diabo. Como confessamos no artigo 36 da nossa Confissão, acreditamos que Deus ordenou oficiais civis por causa da depravação da humanidade e para reprimir o pecado. Além da espada, Deus deu o juramento como uma ferramenta para refrear os efeitos do mal do homem.

Na Igreja

Nós sabemos pela Palavra de Deus e pela nossa própria experiência que a mentira reina no mundo. Mas não deve, não pode, reinar na igreja. Nós não somos mais filhos do pai da mentira. Somos filhos de Deus Pai através de Cristo, que é a verdade. Somos recriados à imagem de Cristo, não somos? Somos profetas pela unção do Espírito Santo. Profetas de Deus falam a verdade. Na igreja, não precisamos mais de juramentos. Em nossas famílias cristãs, o juramento é desnecessário. Quando nos comunicamos uns com os outros, não precisamos invocar o Nome de Deus de vez em quando para garantir a veracidade de nossas palavras. Nosso sim é sempre sim; Nosso não é sempre não. Sabemos que falamos na presença de Deus o tempo todo. Cada palavra que falamos tem o caráter de um juramento. Nós sempre falamos e agimos como pessoas que foram “juradas” e “colocadas sob juramento”.

Quando você foi batizado, seus pais fizeram promessas. Eles não foram colocados sob juramento. Quando você faz uma profissão de fé pública, você será solicitado a fazer uma promessa. Você dirá: “Eu prometo”. Ninguém vai pedir para você jurar no Nome de Deus. Na igreja, pela graça de Deus e pelo poder do Espírito Santo, a vitória sobre a mentira começou. Sabemos que toda palavra que falamos é falada Coram Deo, na presença de Deus.

Que falemos uns aos outros conscientes da presença de Deus. Ele nos ouve enquanto falamos. Ele lê nossos corações como livros abertos. Não conte mentiras. Uma pessoa que sempre fala a verdade nunca precisa lembrar o que ele disse. É o mentiroso habitual que deve sempre lembrar o que ele disse aos outros. Mais cedo ou mais tarde, ele se coloca num canto, cercado por suas mentiras. Ele será descoberto – se não hoje, então no dia do julgamento.

Que falemos a verdade em amor. Que falemos como aqueles que foram salvos do pai da mentira por Aquele que é a verdade. Que falemos e nos comuniquemos como aqueles que falam na própria presença de Deus.


Tradução: Marcel Tavares.

Revisão: Thaís Vieira.

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