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João 21.25 — A Palavra da Glória

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Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem relatadas uma por uma, creio eu que nem no mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos.” ‭‭

O evangelho de acordo com João difere visivelmente dos outros três evangelhos, sendo uma abordagem mais teológica. Pode se dizer que o Evangelho de João é mais estruturado e nos mostra um propósito e composição bem definidos. O evangelho gira em torno de sete sinais que culminam na ressurreição de Cristo. Existe uma ordem e estrutura definidas para os vários relatos e discursos. Todos eles devem se consolidar em direção concêntrica para a revelação de Cristo em Sua glória, na manhã em que Ele ressurgiu.

Isso nos faz duvidar sobre o último verso deste livro. Depois de um começo majestoso e um apogeu tão triunfante, isso não parece ser um final patético? Ele emprega uma figura de linguagem conhecida como hipérbole, na qual as questões são exageradas para tornar um ponto mais eficaz. Na hipérbole, João usa uma palavra que se repete em outros lugares do evangelho, uma palavra que apenas aumenta o exagero. De fato, ele diz que o próprio cosmos não poderia conter todos os livros que seriam escritos, todos os atos de Jesus foram enumerados um a um. Esse termo cosmos inclui todo o universo conhecido, e é possível afirmar que isso é exagerado, considerando que Jesus viveu na Terra por um tempo relativamente curto e que Seu ministério público não durou mais de três anos.

No entanto, a escolha desta palavra é deliberada e, por trás dela, vemos uma verdade mais profunda refletida. Calvino assinala corretamente que o evangelista pretendia salientar que a majestade de Cristo engole não apenas nossos pensamentos, mas o céu e a própria terra. Essa majestade deu uma exibição milagrosa de seu próprio esplendor nas palavras do Senhor. E, o brilho desse resplendor ultrapassa o esplendor e a majestade da própria criação. A criação aponta para a redenção, e ainda é excedida em muito pela redenção.

 Este é o significado de João ao afirmar que o próprio mundo não poderia conter os livros, dando uma descrição exata de todas as palavras e obras do Senhor Jesus. A forma das palavras no original indica que todas essas obras ainda estavam frescas em sua memória. Ele era o discípulo a quem Jesus ama e viu todas essas obras de perto. Mas eles só podem ser verdadeiramente vistos na fé, João 20.30-31. A fé estampa todas essas obras como uma tapeçaria unida de redenção para a igreja; e esta é uma redenção tão grande e gloriosa que ultrapassa as paredes de todo o Universo!

Aqui João qualifica todas as palavras que o Espírito nos dá sobre Jesus. Já temos muitas palavras, mas poderia ter havido muito mais. No entanto, não precisamos procurar o Jesus histórico e descobrir todas as suas ações. Pois assim como está escrito, temos tudo o que necessitamos para nossa salvação. Pois todas as palavras não são nada, além de palavras da única Palavra – a Palavra que foi feita carne e habitou entre nós, cheia de graça e verdade, (Jo 1.18). Todas as palavras encontram majestade e glória na única Palavra, a Palavra que estava com Deus e era Deus.

João também deixa claro que a glória da Palavra no final de Sua obra é maior que a glória no começo.  Redenção é mais que criação! Como as temos, as contas da criação são tendenciosas, antecipando e avançando para o trabalho da redenção. Mas, à medida que o conselho de Deus é realizado, a disposição do Filho de se oferecer por nós se torna mais evidente, e Ele é mais intensamente exaltado do que nunca.

 Outro ponto se destaca nessa conclusão do evangelista: o fim de seu evangelho se encaixa perfeitamente no começo. De fato, com esse final, ele se torna um todo perfeito, no qual o final se liga perfeitamente ao começo. Para o começo do evangelho, introduz a Palavra. Contudo, o fim do evangelho demonstra que todas as suas palavras testemunham a maior glória da Palavra por quem todas as coisas foram feitas. Pois, superar a glória manifestada em Sua obra colaboradora na criação é a glória manifestada em Sua obra de redenção. Ele estava disposto a redimir o cosmos que foi feito através dele. Então a maior glória da Palavra é revelada!

Portanto, este livro pode terminar com a ressurreição de Cristo e o comissionamento dos apóstolos neste momento. A ressurreição já mostra glória suficiente para comprovar a vitória da Palavra, e Sua preeminência em e além de toda a criação.  Isso revela que a intrusão divina do Filho no mundo supera a glória do princípio. A ressurreição do Filho dentre os mortos manifesta uma glória maior que a majestade divina que brilha em toda a criação.

Lembramos que essas coisas só podem ser vistas na fé. O próprio João diz que o que foi escrito foi escrito apenas para o propósito de acreditarmos no Filho, e crermos que podemos ter vida em Seu nome. Aqueles que creem podem ter certeza da revelação de grande glória no último dia. No final, veremos a Palavra, cheia de graça e verdade, e também contemplaremos Sua glória, glória como do único Filho do Pai. Então também veremos a verdade do princípio: o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Pois, Deus é o Alfa e Ômega, o primeiro e o último, e todo o mundo verá a Sua glória.


Artigo publicado originalmente na christianstudylibrary.org.

Tradução: Alaíde Monteiro.

Revisão: Ester Santos.

O website revistadiakonia.org é uma iniciativa do Instituto João Calvino.

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