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Especialmente no Dia do Descanso

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O Dia do Senhor

Todos vocês conhecem a expressão tirada do Dia do Senhor 38 do Catecismo de Heidelberg, em resposta à pergunta “O que Deus requer no quarto mandamento?”: “Primeiro… que, especialmente no dia de descanso, eu devo reunir-me fielmente com o povo de Deus para conhecer a Palavra de Deus, para participar dos sacramentos, para invocar publicamente ao Senhor Deus, e para praticar a caridade cristã para com os necessitados.

Há quatro elementos mencionados nesta resposta sobre o culto público. Eu sou da opinião de que há uma ordem especial: Palavra – sacramentos – oração – ofertas. Eu acho errado organizar esses elementos de maneira aleatória, como se a ordem fosse arbitrária. Mas vamos deixar esse assunto de lado por enquanto e vamos prestar atenção à expressão “eu devo me reunir fielmente com o povo de Deus”. Isso significa que eu tenho que frequentar a igreja de Deus, em primeiro lugar, no domingo. Especialmente o dia de descanso é o dia do culto público. Mas, aparentemente, há mais cultos do que somente naquele dia.

A questão agora é: há outros dias de adoração? Se sim, quantos? É desejável observar alguns desses dias? E sobre os festivais cristãos? É notável que cerca de 30% dos “Hinos e Paráfrases” do Livro de Louvor estão relacionados com as festas cristãs. Isso é o bastante! Mas também é notável que o Artigo 52 da Ordem da Igreja diga: “O conselho deve reunir a congregação para adoração duas vezes no Dia do Senhor. O conselho deve assegurar que, como regra, uma vez a cada domingo a doutrina da Palavra de Deus é resumida na proclamação do Catecismo de Heidelberg“.

Outros dias?

Há, portanto, uma obrigação para o culto público no domingo, mesmo duas vezes. Mas, e os outros dias de culto público? No Artigo 53 da Ordem da Igreja, lemos sobre “Dias de Comemoração”, e ali diz: “A cada ano as Igrejas comemorarão, no modo decidido pelo conselho, o nascimento, a morte, a ressurreição e a ascensão do Senhor. Jesus Cristo, bem como o Seu derramamento do Espírito Santo.” Mas nós não lemos lá que esses fatos da salvação devem ser celebrados em dias especiais além do Dia do Senhor. Não, deve haver uma comemoração desses fatos, mas “da maneira decidida pelo conselho“. Nós vemos o mesmo no Artigo 54 sobre “Dias de Oração”: “Em tempo de guerra, calamidades gerais e outras grandes aflições cuja presença é sentida em todas as igrejas, um dia de oração pode ser proclamado pelas igrejas designadas para aquele propósito pelo sínodo geral.” (É de interesse saber que a Igreja de BurlingtonWest é uma dessas igrejas, designada para esse fim, a outra é a Igreja de Providence de Edmonton). Novamente, não se pode ler neste artigo que um dia especial deve ser escolhido para este propósito, além do Dia do Senhor.

No artigo 65, lemos que os funerais não são eclesiásticos, mas sim de família, e devem ser conduzidos de acordo a mesma. Isso significa, sem um culto público especial em um dia de trabalho. E os casamentos? De acordo com o Artigo 63, pode haver uma escolha: “A solenidade de um casamento pode ocorrer em uma cerimônia privada ou em um culto público.” A conclusão é que nem a Confissão (por exemplo, o Catecismo de Heidelberg) nem a Ordem da Igreja, apontam para cultos em dias de trabalho, mas que, pelo contrário, ambos enfatizam a celebração do Dia do Senhor como o dia de descanso, o dia do culto público.

Escrituras sobre festivais (o que a Bíblia diz sobre festivais?)

Mas posso imaginar que alguém diga: pode ser verdade que a confissão e a Ordem da Igreja não apontam para muitos cultos em dias de trabalho, mas, em última análise, são baseadas nas Escrituras. Então, a questão realmente é: o que as Escrituras dizem sobre isso?

A Bíblia não nos diz muito sobre dias especiais e cultos especiais. Na Antiga Dispensação, havia nos dias e horários especiais , mas isso não é categórico para os nossos dias, pois, confessamos no artigo 25 da Confissão Belga que Cristo é o cumprimento da lei: “Todas as sombras foram cumpridas, de modo que o uso delas deve ser abolido entre os cristãos“.

No Novo Testamento, na Dispensação do Espírito Santo, lemos sobre a Páscoa (At 12.4) não no contexto da celebração daquele dia como um dia especial para a igreja cristã, mas apenas como uma referência ao tempo mencionado (“tencionando apresentá-lo ao povo depois da Páscoa”).

Também lemos sobre o dia de Pentecostes (At 20.16; I Co 16. 8), “Porque Paulo já havia determinado não aportar em Éfeso, não querendo demorar-se na Ásia, porquanto se apressava com o intuito de passar o dia de Pentecostes em Jerusalém, caso lhe fosse possível.” “Concordo com Calvino em seu comentário sobre este texto: “Não há dúvida de que Paulo tinha fortes e importantes razões para apressar sua chegada em Jerusalém, não porque a santidade do dia significasse tanto para ele, mas porque os estrangeiros tinham o hábito de ir à Jerusalém, vindo de todas as direções, para as festas. de se reunir para Jerusalém de todas as direções para os dias de festa.” Por isso, dizia respeito as festas judaicas!

E, como para o segundo texto: “Ficarei, porém, em Éfeso até ao Pentecostes; porque uma porta grande e oportuna para o trabalho se me abriu; e há muitos adversários.” – é notável que Paulo só menciona Pentecostes em conexão com um plano, mas ele escreve no mesmo capítulo sobre o primeiro dia da semana como um dia especial relativo ao culto. Ele aponta para um dos elementos do culto público, a saber, a coleção (vs. 2): “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte…

De fato, o primeiro dia da semana foi um dia especial. Nós lemos no último livro da Bíblia que este dia até recebeu um nome especial. João escreve (Ap 1.10): “Achei-me em Espírito, no dia do Senhor“. O Dia do Senhor significa sem dúvida o primeiro dia da semana, o dia da ressurreição do Senhor Jesus Cristo. E quanto aos outros dias especiais?

Nós lemos no Novo Testamento uma censura de Paulo aos Gálatas (410): “Guardais dias, e meses, e tempos, e anos.” Paulo lista ali aqueles que estão envolvidos em viver pela Lei Mosaica: dias (sábados , dias de jejum, dias de festa, luas novas), meses (particularmente observado durante o exílio babilônico – Is 66.23), épocas ou estações (Páscoa, Pentecostes, Festa dos Tabernáculos, dias de dedicação) e, finalmente, anos (o ano sabático a cada sete anos e o ano do Jubileu). Calvino pergunta em seu comentário sobre este texto: “Que tipo de observância Paulo reprovou?” E ele responde: “Era o que ligaria a consciência pela religião, como algo que era necessário para a adoração a Deus, e que, como ele diz em Romanos 14.5: “Um faz diferença entre dia e dia”, assim também devemos entender a admoestação de Paulo aos Colossenses: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo.” Estes festivais estavam prescritos para o Antigo Testamento, mas agora, no Novo Testamento, depois da vinda de Cristo em carne, não somos obrigados a observá-los.

Cito Calvino novamente: “Aqueles que fazem uma distinção de dias, separados, por assim dizer, um do outro. Tal partição era adequada para os judeus, para que eles pudessem celebrar religiosamente os dias marcados, separando-os dos outros. Entre os cristãos tal divisão cessou, mas alguém dirá: “Ainda guardamos alguma observância de dias.” “Eu respondo”, diz Calvino, “que de maneira alguma observamos dias, como se houvesse alguma santidade em dias santos, ou como se não fosse lícito trabalhar neles, mas isso é feito para o governo e a ordem, não para os dias.” Calvino respeitava as decisões do governo e eu voltarei a esse ponto. É compreensível, portanto, que a igreja primitiva celebrasse apenas uma festa cristã, a saber, o Dia do Senhor.

Abolição de festivais

No início da igreja cristã não havia cultos públicos especiais além daqueles feitos no Dia do Senhor, que na maioria das vezes eram realizados de manhã e à noite. Havia uma celebração pela Ceia do Senhor, e apenas isto.

Tempos depois, os reformadores foram excluídos por desejarem abolir as muitas celebrações, ficando apenas com o Dia do Senhor. Em 1520, Lutero dizia que o Dia do Senhor fosse o único dia de festa. Quando Calvino chegou a Genebra, em 1536, também enfatizou desde o começo da Reforma que este Dia deveria ser o único dia de celebração. Farel e Vinet não estavam inclinados a reconhecer qualquer instituição humana, mas a respeitar apenas o Dia do Senhor.

Até mesmo a questão da celebração de festivais foi uma das razões para o banimento de Calvino e Farel. Após sua expulsão, o conselho de Genebra instituiu quatro dias festivos: o dia de Natal, o dia da circuncisão, o dia da Anunciação de Maria e o dia da Ascensão. Trabalhar nestes dias era proibido.

Quanto à Reforma na Holanda, o Sínodo de Dort de 1574 decidiu que era preciso estar satisfeito apenas com o Dia do Senhor. O Sínodo aprovou a pregação no Dia do Senhor antes do Natal, sobre o nascimento de Cristo, de dar atenção no sermão da Páscoa à ressurreição de Cristo e no Pentecostes ao derramamento do Espírito Santo. Mas esses dias não devem ser considerados dias festivos acima do Dia do Senhor.

Esta decisão do Sínodo não foi apreciada pelo governo civil, que queria manter alguns festivais, embora não era o mesmo em todas as províncias. Assim, o Sínodo de Dort, posterior ao de 1578, decidiu que a pregação deveria ocorrer nas festas que haviam sido mantidas pelo governo “para que as pessoas não devessem“. Isso incluía os dois dias de Natal, que haviam sido estabelecidos novamente (embora com relutância), nos dias da Páscoa e Pentecostes, em algumas regiões, Ano Novo e Dia da Ascensão, e às vezes alguns outros dias festivos, não mencionados. Mas é muito claro que houve muita resistência eclesiástica contra festivais cristãos especiais além do Dia do Senhor.

O mais antigo festival: a Páscoa

No início da igreja cristã, celebrava-se apenas o Dia do Senhor. O Dia do Senhor foi considerado como a comemoração semanal da ressurreição. Cristo ressuscitou dos mortos no primeiro dia da semana, então essa foi a festa que foi celebrada na reunião da congregação. Dados muito antigos estão disponíveis para confirmar isto. Embora o sábado judaico não tivesse sido abolido logo no início da nova dispensação de Pentecostes, foi gradualmente abolido e substituído pelo Dia do Senhor. Inácio escreve, por exemplo, no início do século II, que o sábado não deve ser mais observado pelos cristãos. Ele também usa, em Roma, o termo “Dia do Senhor” como dia de adoração pública. Mas além da celebração semanal da ressurreição de Cristo, houve o início da comemoração anual.

Há dados que remontam a meados do século II e que estão dentro de um século após a morte dos apóstolos. No tempo de Tertuliano, o antigo autor cristão do final do século II e início do século III, a celebração da Páscoa já se prolongava por mais de um dia. No termo “Pascha” ele resume um período de jejum e administração do batismo. Também um Sermão da Páscoa por Melito de Sardes, que era realizado no início da manhã, foi preservado. Ele viveu na última parte do século II. Aprendemos com isso que naquela época havia uma espécie de celebração “abrangente” da Páscoa. O sofrimento, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo não foram separados, mas considerados como um todo. Portanto, não houve uma “Sexta-feira santa” para comemorar a morte de Cristo e um dia de Páscoa separado para lembrar a ressurreição de Cristo, mas foi considerado em sua totalidade, a abrangente obra de salvação do Redentor, resumida em “Pascha”.

Levaria muito tempo para explicar como era possível que além do Dia do Senhor semanal também houvesse uma celebração anual da ressurreição de Cristo. Deve ser suficiente saber que isso estava relacionado com o ano do calendário judaico. A data da Páscoa era o dia 14 de Nisan para os judeus, mas o Concílio de Nicéia 325 deixou essa data em oposição aos judeus como uma data fixa para a celebração da Páscoa. Decidiu-se então celebrar a Páscoa dependendo de quando houvesse uma lua nova. Até agora, essa decisão ainda é executada, a saber, celebrar a Páscoa no primeiro Dia do Senhor após a primeira lua cheia da Primavera.

Jerusalém no século IV

Começando com o governo de Constantino, o Grande, mudanças importantes ocorreram na Igreja Cristã. A simplicidade foi então substituída pela abundância. A atitude antitética da igreja mudou para uma de acomodação. A doutrina da salvação adquiriu, das religiões de mistério pagãs, uma noção mística.

Centros eclesiásticos importantes surgiram e também em relação às questões litúrgicas, mudanças consideráveis ​​aconteceram. Após o Concílio de Nicéia 325, Constantino visitou Jerusalém e os edifícios da igreja que ele e sua mãe Helena haviam construído. Isso contribuiu grandemente para o desenvolvimento da liturgia da Igreja de Jerusalém no século IV. A peregrinação de Helena à cidade santa foi tomada como exemplo por muitos outros.

Havia, por exemplo, uma freira do Norte da Espanha, chamada Egeria, que visitou Jerusalém em 381-384 d. C. Ela escreveu uma diário de bordo sobre essa viagem e deu muitos detalhes sobre a liturgia de Jerusalém do bispo Cirilo. Repetidamente, ela escreve que nos cultos em Jerusalém, os hinos e antífonas eas leituras bíblicas eram “de acordo com o dia e o lugar“. Uma atenção especial é dada ao Domingo de Ramos, o domingo antes da Páscoa, quando o bispo entra em Jerusalém como Cristo o fez, cercado pelo povo, dizendo “Hosana!”. Uma ênfase também é dada aos muitos e muitos cultos na semana que antecede a Páscoa, a chamada “Grande Semana”, e na própria semana da Páscoa. O bispo novamente tomou o lugar de Cristo. Ele se apresentava como uma pessoa santa, que se fazia passar por Cristo. Todos as reuniões foram condicionadas por fatores topográficos. Os locais em que o bispo atuava foram cuidadosamente escolhidos, de acordo com as exigências da situação e do tempo. Uma dramática repetição foi encenada das coisas que aconteceram quando a salvação foi realizada pelo próprio Cristo.

Mas as reuniões frequentes eram muito cansativos, de modo que, ao final da semana, as pessoas que seguiam o bispo de um lugar sagrado para o outro e de uma reunião para a outra estavam extremamente cansadas. Egeria escreve sobre o início da manhã da Sexta-Feira Santa: “O bispo dirige-se ao povo, consolando-o, porque trabalharam a noite toda e devem trabalhar o dia inteiro, encorajando-os a não enfraquecer, mas a ter esperança em Deus, Quem, por este trabalho, conceder-lhes-ia uma recompensa ainda maior, para consolá-los como é capaz, dirige-se a eles: ‘Agora vá novamente, cada um de vocês para suas casas, sente-se lá por um tempo e estejam prontos para voltar aqui cerca de oito horas, de modo que a partir dessa hora até perto do meio-dia, você possa ser capaz de ver a madeira sagrada da cruz, que acreditamos ser rentável para a salvação de cada um de nós aqui, isto é, antes da cruz, para nos dedicarmos a leituras e orações até a noite.

Na verdade, houve todo um ciclo de Páscoa com muitos dias especiais e cultos especiais. A própria Roma adotou de Jerusalém a procissão do Domingo de Ramos e a adoração da cruz. Foi dito que Helena encontrou a madeira da cruz no bairro de Jerusalém, mais de quatro séculos após a morte de Cristo! Egeria também está convencida de que era a madeira da cruz de Cristo. Assim, na Sexta-Feira Santa, ela escreve: “a cadeira do bispo está montada no Gólgota, atrás da cruz, que agora está lá; o bispo está sentado na cadeira e diante dele é colocada uma mesa coberta com um pano de linho. Os diáconos permanecem em um círculo ao redor da mesa e o caixão de prata decorado com ouro é trazido, no qual está a madeira sagrada da cruz. Ela é aberta e retirada, e tanto a madeira da cruz como o título são colocados sobre a mesa. Enquanto está sobre a mesa, o bispo se senta e agarra as extremidades da lenha sagrada com as mãos, e os diáconos, que estão ao redor dele, vigiam. Eis por que eles o guardam. É costume que todas as pessoas daqui venham, uma a uma, os fiéis e os catecúmenos, curvando-se diante da mesa, beijando a cruz sagrada e seguindo em frente. Disseram-me que isso era porque alguém (não sei quem) mordeu e roubou parte da cruz sagrada. Agora é guardado pelos diáconos para que não se atreva a ser feito por alguém novamente. Então todo o povo passa de um em um, curvando-se, primeiro com as testas e depois com os olhos tocando a cruz e o título, e assim beijando a cruz pela qual passam, mas ninguém pode colocar a mão na cruz. Mas quando eles beijam a cruz, eles continuam…

Todo o ciclo da Páscoa é marcado por um desenvolvimento de acordo com essa descrição de Egeria do modelo de Jerusalém.

Após o século 4º o calendário da igreja é gradualmente preenchido com festivais, dias festivos e dias santos. No século 8º, 106 datas são ocupadas no ano civil como dias especiais e festivais. No século 16, no final da Idade Média, apenas quatro datas ainda estão vagas.

Todo o ano cristão se torna uma pregação sacramental de serviços especiais com um significado sacrossanto.

Natal

Assim, há um incremento de Jerusalém para Roma, e há um crescimento de um dia, o Dia do Senhor, como um festival, para muitos dias, quase todos os dias do ano, com serviços especiais. Existem três ciclos principais: antes da Páscoa (o tempo de jejum), depois o tempo entre a Páscoa e o Pentecostes e, finalmente, o ciclo de Natal.

Quanto ao dia de Natal, é notável que a Igreja do Oriente tenha celebrado o nascimento de Cristo em 6 de janeiro, a chamada Epifania, enquanto a Igreja Ocidental desde 336 disse: “Não, deve ser 25 de dezembro“. Mas ambas as datas se originaram no paganismo. No Oriente, a Epifania, a aparição da divindade na terra, desempenhou um grande papel na religião. Era uma questão de mostrar o poder da divindade. A epifania se tornou mais e mais o dia do aparecimento de Cristo, uma combinação de Seu nascimento e Seu batismo.

No mundo ocidental, celebrou-se o 25 de dezembro como o dia do nascimento de Cristo. Mas este dia originou-se também no paganismo como um festival. Todos os tipos de cálculos foram feitos para “encontrar” essa data. O dia 25 de março foi o começo romano da primavera, também a data da criação do mundo. Então foi argumentado que essa deve ter sido a data da anunciação do anjo Gabriel para Maria. A conclusão seguinte foi que a ressurreição deveria ter ocorrido na mesma data, ou seja, 25 de março. Isso deve ter sido exatamente no 30º aniversário de Cristo, porque na verdade o novo começo, o início, foi a Sua concepção no dia da anunciação. A conclusão final foi que Maria estava grávida por nove meses, então ela deu à luz Jesus no dia 25 de dezembro… Mas esse cálculo é tão fantástico quanto incrível!

Como chegou a 25 de dezembro? A resposta não é difícil, se tivermos em mente que para o mundo de Roma no período do 3º e 4º século, o dia 25 de dezembro foi chamado “o dia do sol invencível”. Este serviço solar originou-se também no Oriente, mas foi estendido a todo o império romano. No fundo, também devemos ver a influência das religiões-místicas, com as quais os soldados romanos estavam envolvidos, por exemplo, na Pérsia. Uma espécie de religião do sol surgiu. O Sol, em seu calor ameno e grande poder escaldante, bem acima da terra, mas poderoso na terra, tornou-se um símbolo da divindade, que vê tudo, mas não é governado por nada. Este Sol é chamado o conquistador das trevas. A vitória do Sol foi especialmente comemorada no dia da mudança da temporada de inverno como o dia da virada. O Sol, que nas semanas anteriores sempre pareceu diminuir, voltou a glorificar seu poder.

Mas como é que no ano 336 em Roma a data surgiu como um festival cristão? Sobre esta questão um texto sírio tardio do século 13 lança alguma luz. Nós lemos nela: “A razão, porque os pais mudaram a festa de 6 de janeiro para o dia 25 de dezembro, foi isto: Os pagãos estavam acostumados a celebrar, em 25 de dezembro, a festa do aniversário do Sol e a acender lâmpadas naquele dia. Eles também permitem que os cristãos participem dessa festa de alegria e espetáculo. Porque os professores da igreja perceberam que os cristãos eram atraídos por ela, tomaram precauções e comemoraram naquele dia – 25 de dezembro – doravante a festa do verdadeiro nascimento, o nascimento de Jesus Cristo, mas em 6 de janeiro a festa da Sua aparição“.

Aqui está dito claramente que a necessidade de competição com um festival pagão causou a celebração do nascimento de Cristo em 25 de dezembro. Mas a verdade é que ninguém sabe em que data Cristo nasceu, e o Espírito Santo, que escreveu as Escrituras, não considerou essa importância, que deve ser mencionada na Bíblia. Em todo caso, não poderia ter ocorrido em 25 de dezembro. Quando eu estava em Belém, há 12 anos, me disseram que naquela época do ano nunca acontecia que ovelhas estivessem no campo. Desde pelo menos o mês de dezembro até o final de fevereiro, as ovelhas eram sempre mantidas dentro dos estábulos.

Depois do ano 325, quando a liberdade foi dada à igreja, O Cristianismo tornou-se a principal religião. O mundo se uniu à igreja, mas então surgiu o grande perigo de que a igreja se tornasse mundana. Muitas pessoas levaram consigo seu padrão de vida pagão e todos os tipos de costumes sobreviveram sob o manto do cristianismo. Deste modo, todos os tipos de adoração de muitas divindades femininas eram delegadas a “Mãe Maria”.

Na mesma luz, devemos considerar a manutenção de 25 de dezembro como o aniversário de Cristo. Um estava acostumado a celebrar aquele dia como o festival do sol invencível. Os líderes cristãos agora mantiveram este dia como o aniversário do “Sol da justiça” e aplicaram isso a Cristo.

Então, no dia 25 de dezembro, o Natal se tornou um festival cristão. Podemos falar aqui de uma concessão ao paganismo, pelo menos de uma acomodação a dados pagãos. Temos que ter isso em mente quando as pessoas às vezes consideram o dia 25 de dezembro como “o dia dos dias” e o Natal como a festa mais sagrada!

Abolição?

Nós não defendemos a abolição de todas as festas cristãs. Não é possível voltar o relógio. Especialmente quando há um motivo social, no qual o elemento histórico também desempenha um papel. Mas nós imploramos por sobriedade. Não há razão para muitas celebrações além do Dia do Senhor. Há também a sobriedade correta na nova versão da Ordem da Igreja. Sejamos sóbrios em todos os tipos de culto durante a semana. Então nós temos que fazer o nosso trabalho diário. Talvez seja bom mencionar que as reuniões semanais, por exemplo, na congregação de refugiados de Londres, tinham o caráter de profecia. Era mais uma questão de ensinar e discutir uma passagem especial das Escrituras. Mas agora temos nossas sociedades cristãs para estudos bíblicos, e eu gosto de enfatizar a importância delas!

A conclusão, portanto, é vir e nos deixar adorar no Dia do Senhor, o real significado de festa cristã. Tenha em mente que há pessoas que negligenciam facilmente a adoração pública no domingo, mas que não querem perder um culto nas “festas cristãs”, e que preferem aumentar o número delas! Há uma celebração abundante desses dias especiais, com todos os tipos de conotações, em que a sobriedade é totalmente perdida. Há muita razão para considerar a Ceia do Senhor como uma celebração festiva, na qual toda a obra da salvação de Cristo é exaustivamente examinada: o propósito de Sua vinda ao mundo, Seu sofrimento e crucificação, Sua ressurreição e ascensão, Seu assento à destra do Pai, Seu retorno nas nuvens do céu. Não há uma ordem clara para celebrar todos os tipos de dias especiais: véspera de Ano Novo, manhã de Ano Novo, Sexta-Feira Santa, Dia da Ascensão, Páscoa, Pentecostes, Natal, mesmo no segundo dia, e assim por diante. Então, sejamos sensatos. Por outro lado, há uma ordem clara de uma celebração regular e alegre da Ceia do Senhor pelas palavras do próprio Cristo: “Fazei isso em memória de mim”. E faremos isso, até que Ele venha!


Tradução: Sidnei Lugão de Santana.

Revisão: Ester Santos.

Fonte: Revista Clarion Vol. 35.

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