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A importância do Evangelho

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Muitas pessoas têm uma opinião definida de que a Igreja é contra o corpo.  Até onde eles conhecem, a fé cristã é negativa acerca do mundo material em que vivemos.  Talvez você seja um daqueles cristãos que vê a vida na organização do planeta como algo a ser suportado, mas que não deve ser desfrutado.  Você imagina que os cristãos estão realmente ansiosos para libertar-se do corpo para ter uma vida completamente espiritual no céu. Imagens podem surgir em sua mente de espíritos desencarnados que voam entre as nuvens brancas, enquanto tocam harpas totalmente espirituais.  A impressão de que a Igreja é muito negativa em relação ao corpo pode ser parte da razão pela qual muitas pessoas não demonstram muito interesse pela Igreja. Afinal, este é um mundo material. Nós vivemos no organismo do planeta Terra. Por que se interessar por uma religião que não demonstra interesse nesses fatos?  Uma boa pergunta, certamente.

Bem, se você está convencido de que a fé cristã é contra o corpo ou, na melhor das hipóteses, não está interessada no corpo, você tem alguns fatos desafiadores para ponderar.  Afinal, a Bíblia começa com o relato da criação. Diz-se em Gênesis que Deus fez o universo e declarou tudo “muito bom”. Esse começo nos mostra que a Igreja não tem uma visão negativa do corpo em si.  Na verdade, o corpo é classificado pelo próprio Deus como sendo “muito bom”. Os cristãos não têm como alvo deixar o corpo para trás o mais rápido possível; pelo contrário, eles se esforçam para servir a Deus como criaturas corporais.

 Além disso, se você acha que a Igreja não está preocupada com a vida no corpo, você precisa interagir com o corpo inserido no coração da religião cristã!  Sim, o próprio alicerce da mensagem da Igreja, o corpo ressuscitado de Jesus Cristo! Nenhuma outra religião coloca o corpo no cerne de sua mensagem!

 Nesta época do ano, a Igreja cumpre a Páscoa.  Esta festa é uma comemoração e celebração da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.  Na Páscoa, relembramos que Jesus Cristo, que morreu na cruz, ressuscitou da sepultura no terceiro dia.  Ele foi vitorioso sobre o poder da morte.

 Então, o que temos no núcleo da fé cristã?  Nós temos um Salvador com um corpo ressurreto.  Nós temos um homem morto, mas vivo. No coração da religião cristã, temos um corpo material.  Era um corpo que podia ser visto e tocado. Era um corpo humano genuíno. A pessoa que ressuscitou dos mortos era a mesma pessoa que foi morta, com o mesmo corpo reconhecível, incluindo até mesmo as marcas de Seu sofrimento – perfurações em Suas mãos e pés, e a ferida em seu lado onde a lança do  soldado O tinha perfurado.

 Contudo, o corpo da ressurreição de Cristo não era exatamente igual ao corpo que havia morrido na cruz.  Sim, o corpo suscitado era o mesmo corpo anteriormente colocado em um túmulo. Houve uma continuidade através do túmulo para a ressurreição.  No entanto, também houve diferença. A ressurreição de Cristo não foi como o reavivamento de um cadáver. Sua ressurreição não significa simplesmente a retomada de sua vida anterior no corpo.  Em vez disso, a ressurreição de Jesus Cristo significou o começo de um novo tipo de vida no corpo. Seu novo corpo era um corpo glorificado. Isso significava que era um corpo com novo poder e habilidades.  Seu novo corpo, ao contrário do corpo que morreu na cruz, era um corpo imortal, que nunca mais poderia morrer.

 Evidência para os que duvidam, Talvez você seja o tipo de pessoa que acha difícil aceitar a ideia da ressurreição de Cristo.  Parece-te uma história absurda de uma época supersticiosa. Na era moderna dos ônibus espaciais e da engenharia genética, não podemos mais tratar essas histórias com relevância.

Bem, a verdade é que, as primeiras testemunhas da ressurreição tinham as mesmas atitudes cética em relação à ressurreição, que muitas pessoas modernas.  Por exemplo, a Bíblia registra várias profecias feitas por Cristo de que, após a Sua morte, Ele ressuscitaria no terceiro dia. Alguém acreditou nessas profecias?  Alguém foi ao sepulcro no terceiro dia para ver se Ele sairia como predito? De modo algum. No que diz respeito aos seguidores de Cristo, a morte era uma realidade efetiva.  Quando um dos seguidores de Jesus encontrou-O ressuscitado dos mortos, ela correu para contar aos discípulos. Mas, parecia-lhes um “delírio”, e eles nem se deram ao trabalho de dar uma olhada.  Os seguidores de Jesus estavam em desespero total porque o seu Mestre havia morrido. Sua morte foi o fim da esperança e dos seus sonhos. Um deles, Tomé, disse:

 “Disseram-lhe, então, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele respondeu: Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei.” (‭‭Jo‬ ‭20.25‬)

O que mudou a mente desses céticos?  A resposta é simples: eles viram o Cristo ressuscitado com seus próprios olhos.  Eles o tocaram. Eles o viram comer. Eles viram Suas feridas. Eles ouviram a voz dele.  Eles andaram com ele. O impossível aconteceu. Jesus viveu! Todo o Novo Testamento da Bíblia tem o caráter de um relato de testemunha ocular.  Ele testifica a realidade histórica da ressurreição (Veja, por exemplo, 1 Co 15.3-8 e At 1.22). Sim, no coração da mensagem da Igreja, temos um Jesus ressuscitado e glorificado, Seu corpo vivo!

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 Ainda assim, o que o Jesus vivo tem a ver com nossos corpos, com nossa vida material em um mundo material?  Que conexão a ressurreição de Cristo pode ter com o meu corpo? A resposta a essa pergunta é que a ressurreição de Cristo é o começo de algo tremendo.  Sua ressurreição dos mortos é vista pela Escritura como uma apresentação antecipada da ressurreição de mais pessoas. Cristo é o primeiro a ressuscitar dos mortos, mas não o último!  As Escrituras nos dizem que Ele é o primeiro fruto da colheita da ressurreição e que Ele é o primogênito dos mortos (Veja 1 Co 15.20; At 26.23; Cl 1.18). Todos os que crêem em Cristo serão ressuscitados para um novo tipo de vida corporal.  Assim, a ressurreição de Cristo é um penhor e garantia da ressurreição de todos os cristãos no final desta era.

Por que a ressurreição de Cristo significa vida para todos os que crêem n’Ele também?  A resposta é encontrada na compreensão, em primeiro lugar, da razão da morte de Cristo.  Segundo a Bíblia, a morte é o resultado do pecado (Rm 6.23). Se não há pecado, não há morte, mas onde quer que o pecado e a culpa permaneçam, o resultado inevitável é a morte.  Cristo, no entanto, é revelado na Bíblia como levando os nossos pecados, mas não cometendo pecado. No entanto, Ele morreu. Por quê? A resposta é que Cristo estava carregando o pecado de outros – o pecado do Seu povo.  Embora Ele fosse inocente, Ele levou sobre Si a culpa do Seu povo. A sua culpa foi transferida para Ele e Ele pagou o preço por seu pecado. Ele suportou a punição de Deus em seu lugar.

Deus demonstrou que ficou satisfeito com a Obra de Cristo, ao pagar por nossos pecados, quando Cristo ressuscitou dos mortos. A justiça de Deus foi satisfeita. A Sua ira foi silenciada.  Por estas razões, a Bíblia também diz: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” (‭‭1Co‬ ‭15.17‬). Sim, se Cristo não tivesse sido ressuscitado, isso teria mostrado que a Sua maneira de pagar pelos pecados tinha sido insuficiente.  No entanto, agora que Ele foi ressuscitado, todo aquele que depositou a confiança em Seu sacrifício na cruz são libertos do poder da morte. Se você tem fé em Cristo, isso significa que você não é mais condenado por Deus.  Agora Deus ao lhe julgar, encontrará em você a dívida paga, pois todos os seus pecados já foram pagos – em Cristo! E porque você não é mais considerado culpado por Deus, você pode compartilhar a vida de ressurreição de Cristo.  Onde não há condenação, mas há vida em abundância – vida no corpo.

Sepultura: uma semente lançada 

Ainda assim, alguém pode dizer: Mas como isso é possível?  Quem pode realmente aceitar que de um corpo morto surgirá um corpo novo e glorificado?  A Bíblia responde a essa pergunta lembrando-nos do poder de Deus. É difícil acreditar que o mesmo Deus que fez o universo poderia nos dar um corpo glorificado?

 Além disso, como as Escrituras apontam, Deus não nos deixou sem analogias na criação.  Se você olhar em volta nesta época do ano, verá a terra explodir de nova vida. Esta vida surge de sementes.  A cada primavera, trilhões de sementes explodem e dão origem a uma incrível variedade de plantas. Uma semente parece ser uma partícula sem vida, seca, arejada e inerte.  No entanto, quando você semeia no solo e a mantém úmida, ela germina e produz uma planta.

Assim é, diz o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 15, com a ressurreição.  O que colocamos em um túmulo pode ser comparado a uma semente. Um serviço funerário é como uma semeadura.  O corpo que conhecemos é como uma semente – não tem vida aparente. No entanto, como uma linda flor pode surgir de uma semente morta, uma nova vida surgirá do corpo semeado.  O que vem da sepultura será a mesma pessoa, ainda que glorificada.

Em 1 Coríntios 15.42-44, a Bíblia revela um conjunto de contrastes entre o presente e o futuro corpo.  O que é semeado, diz Paulo, é perecível. Nossos corpos nesta vida são propensos a decadência e degeneração.  O poder da morte está em nós desde o início de nossas vidas. Contudo, o que é levantado, diz Paulo é imperecível.  O novo e glorificado corpo estará livre de toda doença e desordem. Será um corpo imortal.

Em um túmulo, o corpo é semeado em desonra, diz Paulo.  Sim, há algo de vergonhoso no túmulo. No corpo morto, vemos o resultado final do pecado.  Um cadáver não tem atratividade. Mas o corpo que é levantado é ressuscitado em honra. Ele será brilhante e bonito, talvez deslumbrante em sua glória, refletindo perfeitamente a glória de Deus.  O corpo é semeado em fraqueza, acrescenta Paulo. Sim, nosso corpo atual é muito limitado pela fraqueza. Facilmente, ficamos fatigados e desgastados. E se você olhar para um cadáver, verá a definição em fraqueza.  Não se pode fazer nada e não se pode resistir a nada. Entretanto o corpo que é levantado, diz Paulo, será poderoso. Nós teremos capacidades que não podemos imaginar no momento.

O último contraste entre o que é semeado e o que é levantado é aquele entre o natural e o espiritual.  Agora nós temos um corpo “natural”; então, na ressurreição, teremos um corpo “espiritual”. Um corpo natural é aquele que pertence a esta idade presente e imperfeita, uma idade terrível afetada pelo pecado.  O que, no entanto, é um “corpo espiritual”? Um corpo espiritual não significa um corpo não material. Pelo contrário, significa um corpo que é completamente guiado e conduzido pelo Espírito Santo de Deus, um corpo que é capaz de servir a Deus em completa alegria e obediência.

Uma completa salvação

 Se considerarmos toda a mensagem da Bíblia, veremos que ela é também uma salvação para o corpo.  Cristo Jesus veio para trazer uma salvação completa, para corpo e alma. A mensagem da Igreja é de uma salvação abrangente, uma redenção que inclui nossos corpos e nosso planeta.  Cristãos são pessoas que têm uma nova vida já aqui e agora, uma nova vida moral e espiritual. No entanto, é apenas o começo. Eles também aguardam a renovação de seus corpos em uma nova criação.  Eles procuram o tempo em que seus corpos serão feitos como o corpo de Jesus Cristo (Fp 3.20, 21).

 A Páscoa é a festa da ressurreição do corpo – primeiro do corpo de Cristo, mas também da ressurreição de todos os que crêem.  Por que você não se une à Igreja nesta Páscoa em sua celebração de Jesus Cristo que é a Ressurreição e a Vida (Jo 11.25)? Que Deus lhe dê poder para acreditar Nele!


Tradução: Alaíde Monteiro.

Revisão: Ester Santos.

O website revistadiakonia.org é uma iniciativa do Instituto João Calvino.

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