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A Importância da Santificação

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O apóstolo Pedro nos informa que cada Pessoa da Santíssima Trindade tem uma obra distinta na salvação do povo de Deus: “eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas” (‭‭1Pe‬ ‭1.2‬).

O trabalho distinto do Pai é eleger aqueles pecadores que devem ser salvos;  a obra do Filho é nos purificar pelo Seu sangue; a obra do Espírito é santificar os que são eleitos pelo Pai e são limpos do pecado pelo Filho. O trabalho distinto do Pai é eleger aqueles pecadores que devem ser salvos; o trabalho do Filho é purificá-los pelo Seu sangue; a obra do Espírito é santificar os eleitos pelo Pai e limpos do pecado pelo Filho.

Precisamos ser claros quanto às diferenças entre Santificação e Justificação:

1. A justificação altera nossa posição legal diante de Deus como nosso juiz; A santificação é um processo pelo qual o pecador justificado é progressivamente santificado.
2. Na Justificação Deus nos imputa a justiça de Cristo;  na santificação, Deus trabalha sobre nossa natureza decaída para torná-la cada vez mais santa.
3. Portanto, Justificação é um ATO de Deus, que é feito de uma só vez, assim que Ele nos declara ‘inocentes’, quando cremos em Jesus Cristo para a salvação;  A santificação é uma OBRA de Deus ao longo da vida e não está completa até que o crente morra.

Porque, na santificação, Deus está trabalhando para consertar toda a nossa alma; devemos, como Seu povo, esperar passar por experiências difíceis e humilhantes. O pecado está profundamente enraizado em toda a nossa natureza e, portanto, se queremos ser um povo santo, devemos esperar por muitas provações e lutas nesse processo de nos tornarmos santos. A santificação é, de acordo com Samuel Rutherford, o “lado norte tempestuoso de Cristo“. “Nosso orgulho“, diz ele, “precisa do clima de inverno para apodrecer”. A santificação era a grande ênfase dos puritanos, assim como a justificação havia sido a de Lutero e os reformadores.

Os puritanos da Assembléia de Westminster definiram a santificação desta maneira: “A obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, e habilitados a morrer cada vez mais para o pecado e a viver para a retidão” (Breve Catecismo de Westminster P. 35).

Diversas coisas precisam ser notadas nesta minuciosa definição:

1. A santificação é um processo ao longo da vida.
2. É um trabalho progressivo, no qual o crente cresce em santidade.
3. Cada cristão em particular está em uma etapa diferente desse processo, de modo que alguns estão mais aperfeiçoados em santidade do que outros.

À luz do fato de que Deus ama a santidade e ordena que sejamos santos, é um dos grandes deveres do crente cooperar com o Espírito de Deus neste processo de santificação.

No novo nascimento, não cooperamos, mas somos inteiramente passivos, pois o novo nascimento é um ato criativo de Deus. Por esse ato, toda a alma é renovada à imagem de Deus. Passamos de odiar a Deus, como fizemos anteriormente, para amá-Lo e agradá-Lo. Todas as cinco faculdades da alma agora se tornam ativas no crente: mente, força de vontade, afetos, consciência e memória.

O instinto de uma pessoa recém-nascida é desejar viver em comunhão com Deus, desfrutar o amor de Deus e visar a glória de Deus. Nisso devemos fazer pelo nosso estilo de vida e pelos nossos hábitos, palavras e comportamento total. O pecador justificado e convertido agora é uma ‘nova criatura’ em Cristo.

Portanto, neste processo de santificação, somos chamados a cooperar com Deus: “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Fp 2.12). Um motivo poderoso é dado a nós para fazê-lo: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13). O rabino Duncan bem definiu para nós a natureza da santificação: “É toda a obra de Deus e toda a obra do homem“. Nós devemos trabalhar nisso.

Alguns cometem erros quando tentam entender esse assunto.  Um erro é supor que um cristão pode se tornar perfeito nesta vida.  Isto, é um erro! O problema que o crente tem é que há uma força oposta em sua alma que frustra seu desejo de perfeição.  Nós nos referimos a essa força oposta da alma como “pecado interno”.  Está em todas as cinco faculdades.

O melhor cristão é nesta vida imperfeito na santificação.  Infelizmente, vemos que o rei Davi cometeu um erro grave, mesmo em um estágio de amadurecimento na vida.  Pedro também negou ao seu Senhor, a quem ele realmente amava.  E Paulo confessou: “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7.19).

Essa avaliação honesta de nosso progresso na santidade pessoal deve ser a de todo crente enquanto ele estiver nesta vida.  Perfeição moral e espiritual completa, no entanto, é dada ao cristão no instante da morte.  No momento da morte física, o verdadeiro crente será perfeita e eternamente santificado e preparado para a vida em glória.

Progredir na santificação é absolutamente impossível antes do novo nascimento.  Este foi o erro clássico dos fariseus dos dias de Cristo.  Eles, de modo tolo, imaginaram que poderiam viver uma vida santa, obedecendo estritamente às regras criadas pelo homem.  Mas Cristo expôs seu erro repetidamente: “Não há árvore boa que dê mau fruto; nem tampouco árvore má que dê bom fruto” (Lc 6.43).  Não podemos nos tornar santos;  mas depois que Deus nos santificou em nosso novo nascimento, devemos procurar avançar na piedade.

Infelizmente, esse mesmo erro é cometido por monges, freiras e outras pessoas devotas, que se empenham em buscar a santidade enquanto ainda não foram convertidos pelo ato re-criativo de Deus, que chamamos de Novo Nascimento.

Um erro adicional a respeito da santificação é cometido por alguns cristãos evangélicos que acreditam que Deus reduz o padrão de santidade para Seu povo após a conversão.  O nome que damos a isso é Teologia da Nova Aliança.  O erro é o fracasso em ver que Deus não exige nada menos que perfeição de toda a humanidade, sejam eles crentes ou não.  Visto que Deus é absolutamente justo e santo, Ele não pode exigir de nós nada menos que perfeição moral absoluta.

Para deixar isso claro para os crentes, Jesus declarou: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um I ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra” (Mt.5  17-18).

Deus exige de toda a humanidade total e absoluta conformidade com Sua Lei Moral, resumida nos Dez Mandamentos.  O incrédulo não pode guardar os mandamentos de Deus e, a menos que se arrependa e acredite em Cristo, sofrerá o castigo eterno por sua desobediência.  O verdadeiro cristão não pode guardar perfeitamente os mandamentos de Deus, mas porque ele é justificado pela imputação da justiça de Cristo, ele será perdoado por seus pecados.

 A tentação para o cristão é supor que Deus exige menos dele do que uma total obediência à lei moral, aos dez mandamentos.  Mas este é o erro que Cristo corrige na referência acima em Mateus 5.17-18.

Há apenas um padrão estabelecido por Deus para cristãos e não cristãos: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5.48).  Novamente, a Palavra de Deus declara: “Pois qualquer que guarda toda a Lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2.10).  É nosso dever como cristãos ambicionar nada menos que a perfeição em tudo o que fazemos, dizemos ou pensamos.  Não devemos desculpar nossas falhas, mas lamentá-las, como Paulo faz: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24).  B. B. Warfield define a verdadeira atitude bíblica do crente com estas palavras: “Os Reformadores representaram a vida cristã como uma vida de contínua insatisfação consigo mesmo e de olhar de novo para Cristo como o fundamento de toda a nossa esperança”.  Lamentamos estar tão longe da perfeição;  mas nos alegramos em Jesus, nosso Salvador, que é perfeito – e, no final, também nos tornará perfeitos.  Essa é a atitude correta em relação à santidade que devemos adotar nesta vida.  Isso nos lembra que o pecado ainda é pecado, mesmo no melhor cristão. Nunca chegará o tempo em que não precisaremos do abençoado Senhor Cristo como nossa perfeita justiça.

Como então devemos olhar as relações de Deus com o crente quando ele ou ela pecar?  Deus nunca punirá o cristão;  mas pode muito bem castigá-lo pelo pecado.  O castigo é judicial;  castigo é disciplina paterna.  Se desejamos evitar o castigo, devemos levar a sério o chamado para mortificar o pecado e buscar a perfeição.

O erro na raiz do ensino da Nova Aliança é supor que os Dez Mandamentos seja a “antiga aliança feita com Israel no Sinai e nada mais”.  A doutrina a que devemos nos apegar é a seguinte: “O cristão não está sob os dez mandamentos como um acordo, mas como regra de vida”.  A justificativa para essa doutrina pode ser encontrada claramente em Romanos 7, onde Paulo explica que, em nosso Novo Nascimento, somos divorciados da Lei Moral como uma Aliança, mas, no entanto, temos consciência de guardar os Dez Mandamentos como nossa Regra de vida Cristã. Nós, como crentes, não somos obrigados a guardar os Dez Mandamentos para obter a salvação;  mas somos, como aqueles que são salvos, obrigados a guardar esses mandamentos por amor e gratidão a Deus, cuja Lei eles são.  Então, Cristo nos diz: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14.15).

Em suma, então, nosso dever como cristãos é de trabalhar duro para governar nossos pensamentos, palavras e ações para que eles se conformem com a lei de Deus: amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a nós mesmos.  O crente imaturo pode, a princípio, pensar que esta é uma tarefa fácil.  Mas, à medida que amadurece, ele perceberá, como não sabia anteriormente, que todo o seu modo de vida é profundamente influenciado por sua própria depravação, concupiscência, orgulho e incredulidade.  À medida que amadurece, aprende a confiar menos em si mesmo e, agora dolorosamente consciente de suas contradições, pede ajuda a Deus.

O apóstolo Pedro e Judas Iscariotes pecaram.  Mas há um mundo de diferença entre eles.  Pedro pecou como um homem nascido de novo e justificado.  Judas pecou como um hipócrita sem Deus.  Ambos lamentaram suas próprias ações.  Mas o pecado de Pedro foi perdoado por causa de Cristo, enquanto o pecado de Judas, sendo o de um homem injustificado, ainda está sendo punido no inferno – e será para toda a eternidade.

Porque o crente está em união com Cristo, o Espírito Santo lhe dá graça capacitadora.  “Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da Lei, e sim da graça” (Rm 6.14).  Mesmo assim, o dever do crente é dedicar-se a ter esmero para crescer em todas as virtudes e em todos os bons hábitos da vida.  Duas coisas que o cristão deve aprender a fazer: matar todas as más ações e praticar tudo o que é bom.  Os termos para isso são Mortificação (morte) e Vivificação (vida comovente).  A ilustração simples é a do bom jardineiro.  Ele deve fazer essas duas coisas: Dar de comer e eliminar as ervas daninhas.  Nós também devemos, como povo de Deus.

É de vital importância para a santificação esses bons hábitos: oração secreta regular, estudo e meditação da Bíblia, leitura de bons livros cristãos, comunhão com outros crentes, auto-exame e uso diligente do Dia do Senhor.  Nossa geração precisa muito ver bons exemplos de crentes piedosos que levam a sério os deveres da santificação.  Todos os crentes são igualmente justificados, mas nem todos são igualmente santificados.  Deus abençoará o cristão cuidadoso, que receberá sua recompensa nesta vida ou na próxima – ou em ambas.


Tradução: Alaíde Monteiro.

Revisão: Ester Santos.

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