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Visitas em hospitais

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A internação

Parece que as internações hospitalares foram drasticamente reduzidas nos últimos anos. Uma mãe parturiente pode ficar por menos de vinte e quatro horas no hospital. As pessoas que têm o que eu consideraria uma cirurgia importante têm apenas uma noite de internação. Nesses casos, um paciente provavelmente terá apenas visitas de familiares próximos e amigos mais chegados. Francamente, não acho que uma jovem mãe goste de receber minha visita como um ministro quando está deitada, ocupada com o bebê e se preparando para ir para casa. No entanto, há pacientes que permanecem num hospital por muitos dias ou semanas.

Uma longa permanência no hospital pode ser um momento emocionalmente difícil. Tanto o paciente quanto a família têm alguma ansiedade sobre a recuperação e saúde. Pode haver tédio. Outro fator é a sensação de estar desconectado da família e da comunidade. Todo mundo está ocupado com a família, trabalho, hobbies, férias e planos. Mas, enquanto isso, a vida do paciente está em espera e separada do resto da comunidade. A vida no hospital é um mundo completamente diferente. Alguém que está no hospital por um tempo anseia por normalidade e por fazer parte da vida diária.

Que bênção é receber visitantes para encorajamento e companheirismo. Que bênção, se sentir conectado com a comunidade fora do hospital.

O nosso chamado

Como cristãos, temos um chamado para mostrar compaixão aos doentes e aflitos e, portanto, visitá-los nos hospitais. Claro que isso incluiria aqueles em outros tipos de instituições ou aqueles confinados à sua própria casa. O Antigo Testamento tem algumas diretrizes notáveis sobre o cuidar dos doentes e aflitos. Nosso Senhor Jesus Cristo estabeleceu para nós um exemplo poderoso no cuidado dos enfermos, dos deficientes e de qualquer pessoa que sofra de doenças físicas e emocionais. Lembremo-nos do que Ele disse em Mateus 25: “[Eu estava] enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me.” Então Ele explicou o que quis dizer com isto: “Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” Também na Forma para a Ordenação de Diáconos, lemos:

Hoje em dia o SENHOR nos chama a mostrar hospitalidade, generosidade e caridade para que os fracos e necessitados possam compartilhar abundantemente da alegria do povo de Deus. Não deve haver ninguém na congregação de Cristo que viva sem consolação quando tiver o peso da doença, solidão ou pobreza … (Os diáconos) Devem promover, por palavras e atos, a união e comunhão no Espírito Santo, que a congregação desfruta na Mesa do SENHOR. Assim, pelo trabalho dos diáconos, os filhos de Deus crescerão em amor um para com o outro e para com o mundo.

Tendo desfrutado da graça de Deus e da profundidade do seu amor na dádiva de seu Filho Jesus Cristo, devemos agora nos amar uns aos outros, não apenas em palavras, mas também em atos. E é muito óbvio que isso definitivamente incluiria visitar alguém no hospital.

A recuperação

Os hospitais reconhecem o valor dos visitantes. As visitas melhoram as taxas de recuperação dos pacientes. Eu tenho uma experiência em primeira mão de médicos que ficaram surpresos com a recuperação de um paciente que foi assistido pela comunhão dos santos. Uma pessoa que sofria de depressão suicida recuperou-se tão rapidamente e tão bem que o médico disse a ela: “O apoio da comunidade da sua igreja fez isso.” Mesmo que a visita não aumente as taxas de recuperação, ter o apoio amoroso da família, dos amigos e da comunidade eclesiástica tornará o tempo de recuperação mais recompensador.

Visite

O que algumas pessoas descobrem quando estão no hospital é que as pessoas que consideravam amigos ou que prometeram visitá-las não o fazem. Para alguns que falham em visitar, é uma falta de amor inconcebível. Eles estão muito apegados aos seus próprios interesses para se incomodarem em visitar o hospital. Que vergonha para os tais! Mas também há aqueles que têm medo de ir. Aparentemente, algumas pessoas têm tanto medo de fazer visitas hospitalares quanto de falar em público. Elas têm medo do que devem dizer e fazer. Elas pensam: “O que posso dizer para fazer uma diferença real na vida dessa pessoa e ajudá-la a superar a doença ou a recobrar-se?”

É claro que pode haver razões legítimas para não fazer uma visita: você não deve ir se estiver se sentindo mal; às vezes somente a família é permitida. Mas ter medo e não saber o que dizer não é desculpa. De fato, os especialistas nos dizem e a experiência pessoal sustenta que a parte principal de uma visita é simplesmente a presença. Já mencionamos que os pacientes que estão no hospital sentem-se desconectados de seu mundo normal. Quando você vem como amigo ou membro da congregação, você está conectando-os com esse mundo. Você normaliza o que não é uma situação normal. Você mostra amizade, amor, compaixão e apoio a alguém em necessidade. Um visitante não precisa dizer muito ou responder a questões teológicas profundas como: “Por que Deus faz essas coisas?”. Muitas vezes, apenas ouvir e ter empatia já é um apoio muito grande para um paciente.

As regras de etiqueta

Por mais importante que seja fazer visitas aos que estão no hospital, também é importante exercer uma etiqueta hospitalar adequada. Um especialista em visita hospitalar afirma que, sem a devida etiqueta, é melhor ficar longe. É importante levar em consideração as necessidades pessoais de um paciente. Por exemplo, se houver muita dor e deficiência, poderemos considerar entrar em contato com a família e perguntar se uma visita é apropriada. Tenha em mente os horários de visita e nunca atrapalhe a equipe do hospital. O descanso e a atenção médica adequados são muito importantes. Ao chegar em uma sala onde as cortinas estão fechadas, anuncie sua presença em voz calma e pergunte se você pode adentrar. Seja muito respeitoso com o espaço pessoal e a dignidade do paciente. Por exemplo, não se jogue na cama ou pegue a bandeja de comida; não mexa em cartões e itens pessoais; não agarre o braço ou dê um abraço forte, a menos que tenha o tipo de relacionamento que permitiria isso.

Talvez a coisa principal a ter em mente é que esta visita não é sobre você ou sobre o seu desejo de ser necessário. Tenha cuidado para não falar todos os tipos de opinião sobre condições médicas e não conte histórias sobre outras pessoas que tiveram experiências semelhantes. Não será útil. Mostre que você se importa e foque na pessoa que está deitada ou sentada ali com sofrimento ou problemas. Deixe-a falar e definir o curso da discussão. Períodos de silêncio podem ser bons. Quando um paciente se abre e fala de seu sofrimento ou ansiedade, às vezes a melhor coisa que você pode fazer é mostrar que se importa, expressar simpatia e prometer que vai pensar nele e mantê-lo em oração. Uma pessoa que sofre quer apoio, conectar-se com você e sentir que você se importa.

Que a visita seja curta se o paciente estiver cansado ou com dor. Pergunte se é um bom momento para se retirar. E apenas prometa que voltará se você realmente pretende fazê-lo. Você pode perguntar se o paciente gostaria de uma leitura da Bíblia e oração.

O amor de Cristo

Lemos em 1 João 4: “Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado.” O amor de Deus é aperfeiçoado ou feito completo em nós quando o amor dele nos leva a amar nosso irmão ou irmã que está em necessidade. Visitar aqueles que estão no hospital, visitar os solitários, os que estão isolados e qualquer pessoa necessitada demonstra o amor de Deus. E é uma forma poderosa e incrível para que o nosso irmão ou irmã cheguem a esta conclusão: como é maravilhoso quando irmãos e irmãs vivem em doce comunhão.


Tradução: Gabriel Reis.

Revisão: Iraldo Luna.

O website revistadiakonia.org é uma iniciativa do Instituto João Calvino.

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