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Muitas respostas

Quem no mundo é um cristão? A Bíblia dá respostas diferentes a essa pergunta. Um cristão, diz, é um “filho de Deus” (Rm 8.16). Um cristão é um “herdeiro” (Rm 8.17). Um cristão é um “conquistador”; — na verdade, mais do que um conquistador (Rm 8.39). Os cristãos também são “ovelhas” (Jo 10.1-18), “sal” (Mt 5.13), “luz”; (Mt 5.14) e “estrelas” (Fp 2.15). Em suma, a Bíblia diz que os cristãos são muitas coisas. Existem várias maneiras de descrever os cristãos.

Tal é, no entanto, não apenas o testemunho das Escrituras, como também o testemunho do Catecismo de Heidelberg. O Dia do Senhor 12 afirma claramente que ser cristão é ser um “profeta”, um “sacerdote” e um “rei”. Todos os verdadeiros crentes são ordenados em um triplo ofício.

Agora, é bom ser lembrado disso, mas, ao mesmo tempo, precisamos admitir que nem todas essas descrições nos atraem da mesma maneira. Podemos gostar da ideia de sermos comparados a um “herdeiro”, mas não estamos tão empolgados em sermos comparados a uma “ovelha”. Receber uma herança de Deus e ser chamado de herdeiro de todas as coisas é um título nobre, mas ser uma ovelha — muda, humilde e destinada ao matadouro — não é muito atrativo. Da mesma forma, ser “luz” nos atrai. Afinal, quem não quer brilhar e ser atraente? Mas sendo “sal”? Ugh! Nós identificamos o sal como um tempero culinário e assim entendemos pouco ou nenhum estímulo de sermos comparados a ele.

Quem deseja ser um servo?

Portanto, embora seja bom que Deus nos chame com tantos nomes diferentes, nossa resposta a alguns desses nomes ou descrições é menos que entusiasmada. E isso se aplica a mais uma designação que ainda não mencionamos. É o de ser um “servo.”

Isso também estabelece críticas diversas. Quem realmente quer ser comparado a um “servo”? Quem está interessado em estar no “beck and call” dos outros? Quem quer estar no recebimento de pedidos, instruções, tarefas e deveres? Nós preferiríamos ser “reis” do que “servos”. Ser servido é uma coisa, ser servo é algo completamente diferente.

E, no entanto, é isso que somos. Repetidamente, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo menciona isso. Quando alguns gregos vêm chamando e querem ver Jesus, Ele responde referindo-se à morte, à vida e ao serviço:

“Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo.”

Aqui, nosso Senhor está falando sobre segui-lo e expressa isso não em termos de glória, poder e domínio, mas em termos de servi-lo e ser seu servo. Ele ainda acrescenta esta ênfase: “E, se alguém me servir, o Pai o honrará.” (Jo 12.26). Está claro aqui que a honra não vem de grandes realizações, mas de um serviço humilde. O progresso não se limita àqueles que fazem grandes coisas pelo Salvador, mas vem especialmente aos que trabalham fielmente por Ele nas trincheiras de seu mundo, igreja e reino.

Neste contexto, a parábola dos talentos vem à mente também. É tudo sobre um homem que reúne seus servos e que, em seguida, passa a dar-lhes diferentes quantidades de talentos: cinco, dois e um (Mt 25.14-30). Os servos com cinco e dois talentos, respectivamente, fazem muito com eles e, como resultado, eles se multiplicam. Cinco talentos tornam-se em dez e dois talentos aumentam para quatro.

Mas há também aquele homem com apenas um talento, e ele não faz nada com isso. Ele enterra-o. Mais tarde, quando o mestre retorna, ele o escava novamente e o devolve. Pelo menos ele não custou nada ao seu mestre.

Apenas note que esta é uma parábola sobre servos, talentos e um trabalho de fazer algo com esses talentos. Supõe que devem ser usados e utilizados para o serviço. Não são destinados para serem enterrados, arquivados ou congelados. Logo, um fracasso em usar os talentos que são dados representa uma falha de serviço e submissão. Esse mestre não precisa de servos que não se arrisquem e enterrem seu dinheiro. Até o banco paga melhor os juros do que eles fizeram.

Obviamente, tudo isso deve ser lido com referência a Deus e a nós. O que Deus quer ver em seu reino são trabalhadores diligentes do reino, verdadeiros servos. Ele quer pessoas comprometidas a trabalharem com seus dons e com as oportunidades que ele lhes proporciona. Nosso Deus quer servos reais.

Nosso Senhor servo

Isso te surpreende? Isso vai contra suas expectativas? Deparar-se com isso é algo humilhante para você? Não deveria! Mais adiante no Novo Testamento, o apóstolo Paulo é levado a refletir sobre a vida e o ministério de seu Senhor e Salvador, e, sem dúvida, através da inspiração do Espírito Santo, ele traça a vida e o ministério no contexto da servidão. Em Filipenses 2, ele lembra aos crentes, então, que Cristo é “em verdadeira natureza Deus” (Fp 2.6). Ele é divino, exaltado e supremo. Ele vive em luz e glória. Ele possui todo o poder e majestade.

Mas então ele fez algo para si mesmo, algo verdadeiramente impressionante. Paulo escreve que ele “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo” (Fp 2.7). Como? Por “ser reconhecido em figura humana” (Fp 2.7). Ele se tornou homem para servir ao homem. Deus se tornou um servo. O Criador tornou-se uma criatura.

Que surpresa! Que submissão! Que serviço! Impensável e inédito, não é?

Há mais sobre isso. Paulo continua e relata que nosso Senhor tornou-se um tipo muito especial de servo. Ele se tornou um servo sofredor. Sua obra era, no fundo, de sacrifício e morte. Seu labor foi sacrificial.

Felizmente, não terminou por aí. Paulo também se refere ao fato de que após a sua morte, Deus, o Pai, interveio e tomou de volta seu Filho, por assim dizer. Ele exaltou-o novamente! Ele o honrou dando-lhe o maior nome do universo e prometendo-lhe que um dia todo joelho se dobraria diante dele e toda língua o confessaria. O que as pessoas dirão sobre ele em todo lugar? Dirão assim:

e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor para glória de Deus Pai.” (Fp 2.11)

Nosso exemplo
Agora, é fundamental para o Evangelho que acreditemos e abracemos tudo isso. Mas outra coisa também é fundamental. O que seria? São as palavras que introduzem essa submissão e promoção de nosso Salvador. Leia o versículo cinco bem devagar e com atenção: “Sua atitude deve ser a mesma de Cristo Jesus.” Qual atitude? A razão é sua atitude de serviço!

No fundo, não há razão para um cristão se sentir desconfortável em ser chamado de “servo”, pois ao fazê-lo, ele ou ela simplesmente segue os passos de seu Senhor e Mestre. Nosso Salvador não apontou o nariz para o alto quando ouviu o nome “servo” ou a palavra ”serviço”. Ele não foi embora com seu humor alterado. Em vez disso, ele abraçou o nome e a palavra. Ele fez isso inteiramente, profundamente e completamente.

Em resposta, Paulo diz que precisamos aprender com isso e precisamos abraçar a servidão também. Precisamos entender claramente que nosso Senhor está nos chamando como cristãos para sermos seus servos. Ele quer que tenhamos uma vida de serviço abnegado.

Examinando as perguntas

Tudo isso, naturalmente, levantam algumas questões: “Você se vê como um servo? Sua vida hoje é uma vida de serviço” Muitos anos atrás, John F. Kennedy foi instituído Presidente dos Estados Unidos e em seu discurso havia uma linha que se destacou, observe: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo seu país”. Na mesma perspectiva, uma pergunta deve ser feita: “O que você está fazendo para o seu Deus, para o seu Filho, para a sua igreja, para o seu reino e seu mundo?”

Infelizmente, vejo pessoas que se dizem cristãs, mas toda a sua atitude é de consumo, de egocentrismo, de se esforçar para estar no lado receptor. A vida é toda sobre receber, não oferecer. Eu vejo pessoas frequentando os serviços de adoração no Dia do Senhor não para dar louvor e glória a Deus, mas para ser abençoado por Ele de alguma maneira especial. Eu vejo crianças querendo mais, mais e mais de seus pais e nunca perguntando o que elas podem fazer por eles. Eu vejo trabalhadores exigindo o máximo de seus chefes, mas dando pouco em troca, quando se trata de suas obrigações. Eu vejo políticos mergulhando profundamente de cabeça em privilégios e prestígios, mas sendo desprovidos de qualquer senso real de dever para com aqueles que os elegeram. Eu vejo os membros da igreja esperando que seus pastores e presbíteros atendam a eles e às suas necessidades sem pensar em seu próprio chamado e responsabilidade na igreja.

Às vezes, essas atitudes levam a pessoa à beira do desespero. Existe algum servo de verdade hoje? Há algum lá fora que não esteja perguntando: “O que há para mim?” Nosso Senhor e Salvador viveu e moldou um caminho muito diferente. Você está comprometido em segui-lo em seu caminho? Não entrou para o Saltério e eu não estou sugerindo que deveria, mas esse é um tempo em que aquele velho e descartado hino: “Irmão, deixe-me ser seu servo” poderia ser usado em algum canto real e alguns seriamente estão fazendo.


Tradução: Morgana Mendonça.

Revisão: Ester Santos.

O website revistadiakonia.org é uma iniciativa do Instituto João Calvino.

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