Ministério da Palavra

Prevenindo o esgotamento pastoral

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Em “Dando Uma Pausa do Trabalho do Senhor” (“Taking a Break from the Lord’s Work”), no New York Times de 1 de agosto, 2010, Paulo Vitello mencionou algumas estatísticas bastante chocantes sobre a saúde do típico pastor Americano. Ele escreve:

“Membros do clero agora sofrem com obesidade, hipertensão e depressão em taxas mais altas que a maioria dos Americanos. Na última década, seu uso de antidepressivos tem aumentado, enquanto que sua expectativa de vida tem caído. Muitos mudariam de trabalho se pudessem.”

De acordo com o artigo, o problema parece ocorrer entre as diferentes igrejas. Uma pesquisa de ministros Metodistas relatou taxas significativamente mais altas de artrite, diabetes, hipertensão arterial e asma comparado com seus vizinhos não-ministros. Um estudo feito na Igreja Luterana Evangélica na América encontrou que sessenta e nove por cento dos ministros relataram estar acima do peso, sessenta e quatro por cento tinham hipertensão arterial, e treze por cento tomam antidepressivos. O número de ministros Presbiterianos (PCUSA) deixando a profissão durante os últimos cinco anos quadruplicou, comparado com a década de 1970.

Uma vez que fenômenos sociais nos E.U.A. geralmente são repetidos no Canadá, podemos imaginar que resultados Canadenses seriam praticamente os mesmos que os Americanos.

Por que o aumento agudo em tais questões de saúde? Por que pastores estão experimentando mais aflições de saúde do que a maioria de cidadãos Norte Americanos? É claro que não há uma simples explicação. Contudo, há um simples remédio: pastores devem se esforçar para que tenham suficiente intervalos.

A vida tem mudado para todos nos últimos vinte cinco anos, mas estou mais bem equipado para entender como ela tem mudado para aqueles em minha vocação. Deixe-me mencionar apenas duas maneiras em que a vida tem mudado.

Quando me tornei um ministro em 1987, eu dava atenção a todas as minhas correspondências nas segundas-feiras. Eu deixava que as cartas, incluindo aquelas de colegas, familiares, e amigos, acumulassem durante a semana, e então eu lia e respondia as cartas em um bloco de tempo semanal, uma rotina maravilhosamente calculada. Hoje, com email, aquela prática perdeu-se pelo caminho.

Quando me tornei um pastor, eu não tinha secretária eletrônica. Se eu perdesse uma ligação, eu era um ignorante feliz. Hoje, com secretária eletrônica e encaminhamento de chamadas para nossos telefones celulares, nunca perdemos uma ligação.

Estamos conectados uns aos outros através do Facebook, LinkedIn, Google Chat, e Skype. Email, correio de voz, e Skype são mídias magníficas e podemos usá-los, felizmente, para nos manter conectados com pessoas amadas no outro lado do mundo. Assim como minha esposa e eu, com muita alegria, podemos recentemente falar com nossa filha trabalhando em Kampala, Uganda. Mas o imediatismo de tal mídia também tem uma desvantagem, no sentido de que as vezes é difícil dar um tempo.

Todo mundo precisa de uma parada. No Antigo Testamento, o povo de Deus tinha seu Sábado semanal e suas três festividades anuais. Até a terra deveria descansar por um a cada sete anos.

Pastores estão muito ocupados no dia de descanso. Enquanto que quase todos os demais na igreja estão descansando e absorvendo a Palavra, os ministros estão bem ativos, pregando, ensinando, e esgotando-se. Eles estão fazendo o que mais amam fazer, mas isto é cansativo. Uma vez me disseram que uma hora falando em público é tão desgastante quanto seis horas de trabalho físico. É verdade que muitas pessoas estão ocupadas, ativas, e ficam cansadas. Não é fácil argumentar que pastores são singulares, e mesmo assim em algumas formas eles são. Darryl Dash cita o ministro Escocês, Robert Murray M’Cheyne, que disse, “Poucas pessoas sabem dos profundos poços de ansiedade no peito de um pastor fiel.” O sr. Dash continua, “Pastores não são os únicos a se cansarem, no entanto há algo sobre o ministério vocacional que é desgastante e que requer atenção.” (“When Pastors are Spent,” ChristianWeek, 15 de setembro, 2010).

O que pastores devem fazer?

Pastores devem ser gratos pelos Conselhos que cuidam deles e que procuram assegurar seu bem estar mental, espiritual, e físico. Os presbíteros têm o dever de cuidar dos seus ministros e podemos notar, com gratidão, que as Igrejas Reformadas no Canadá se sobressaem nisso. No decorrer dos anos, tendo conhecido ministros de muitas igrejas diferentes, estou quase certo de que não há nenhuma igreja que cuida de seus pastores tão bem quanto as Igrejas Reformadas do Canadá.

Pastores devem comer bem e ter a certeza de fazer exercício (caminhar, correr, andar de bicicleta, nadar, raquetebol, karatê, ou outro). Pastores devem tirar um dia toda semana e não dar qualquer atenção ao telefone ou email naquele dia. Pastores devem assegurar que usufruem de todo o tempo de férias que lhes é devido conforme a carta chamado. Rae Jean Proeschold-Bell, um professor-assistente do departamento de pesquisa de saúde na Duke University, relata, “Tivemos um pastor em nosso grupo de estudo que não havia tirado férias em 18 anos.” Ele comenta, “Essas pessoas parecem ser governadas por um senso de um dever a Deus para responder a todo pedido de ajuda de qualquer pessoa, e elas são procuradas praticamente a toda hora, 24/7” (artigo NYT).

O sr. Dash menciona que Martyn Lloyd-Jones tirava dois meses a cada verão e os preenchia com leitura. Alguns pastores proeminentes de hoje, como John Piper e Tim Keller, tiram intervalos regulares para leitura, escrever, e repouso.

Além de exercício diário e descanso semanal, todo pastor deve ser tão abençoado que possa desfrutar de períodos sabáticos. A palavra “sabático” é derivado do Hebraico shabbat, “cessar”, e se tornou o nome do sétimo dia da semana. Sábado é um dia para descanso, refresco e renovação. Semelhantemente, um sabático é um período de descanso, e renovação, não umas férias estendidas.

Eu fui tão abençoado de poder ter um período sabático quando servi em Ancaster. Após sete anos de ministério na Igreja em Ancaster, me foi concedido um sabático de meio ano, de janeiro a junho, durante a qual eu fiz cursos em várias escolas tanto próximas como bem distantes. Meu Conselho fez uma decisão naquele momento olhando bem adiante, para conceder ao seu ministro um período sabático a cada sete anos. Feliz é o pastor que passa uma década ou duas servindo a Igreja em Ancaster!

Nós pastores precisamos deixar de pensar que a vida em nossas congregações desmoronará se ficarmos distantes por meio ano. Não vai. Nenhum homem é indispensável. Na verdade, assim como testemunhei quando me afastei durante seis meses durante o período muito corrido, presbíteros e outros tomaram a frente para fazer o trabalho da igreja. Além disso, nosso livro de Ordem da Igreja estipula que um pastor “deve em todo o tempo estar e se manter sujeito ao chamado da congregação” (Artigo 14 do “Church Order” das Canadian Reformed Churches). Mesmo em um período sabático, o pastor pode sempre ser chamado de volta aos seus deveres em casos de emergência ou necessidades especiais.

Notas:
1 A parte final do artigo foi omitida por referir-se a questões específicas do contexto do autor. [N. do E.]


Artigo publicado originalmente na Clarion Magazine (Canadá), 2010.

Tradução: Chris Boersema.

Revisão: Rachel Van de Burgt

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