Diaconato

Os diáconos e o uso dos dons na igreja

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Como bem destacou o pr. Jim Witteveen em seu artigo “Quem são os pobres?”, o trabalho do diácono não é simplesmente dar dinheiro aos necessitados. O ensino bíblico é de que o diácono deve lidar com os necessitados em todos os aspectos de suas vidas – espiritual, físico e financeiro.

Nenhum membro deve ficar fora deste serviço, porque Cristo não deixou nenhum membro de seu corpo sem dom.

Porém, a tarefa dos diáconos não é só lidar com diferentes tipos de necessidade, mas também, como se lê no regimento das Igrejas Reformadas do Brasil, “promover por palavras e atos a união no Espírito Santo que a congregação goza na mesa do Senhor.”

Na santa ceia, Cristo nos anuncia não somente seu amor por nós e as bênçãos de nossa comunhão com Ele, como também nos faz lembrar da nossa comunhão nEle – em Cristo somos um só pão, um só corpo (1 Co 10.16-17).

A implicação desta unidade promovida pelo Espírito Santo, da qual desfrutamos na mesa do Senhor, é que devemos servir uns aos outros em amor. Quando observamos as passagens bíblicas que comparam a igreja a um corpo, se evidencia não somente a ideia de unidade, mas também de variedade e serviço. Somos um só corpo, no qual há muitos membros, aos quais foram concedidos por Cristo, diferentes dons através dos quais eles devem servir uns aos outros (1 Co 12.12-31; Rm 12.3-8; Ef 4.1-16).

Nenhum membro deve ficar fora deste serviço, porque Cristo não deixou nenhum membro de seu corpo sem dom. Assim, todos os membros são chamados a servir “uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1Pe 4.10).

Isto quer dizer que, Cristo revela à Sua igreja, diferentes formas da graça de Deus, por meio de diferentes pessoas, através de diferentes dons. E o resultado, é que Deus é glorificado através de Cristo Jesus, e o próprio Cristo também é glorificado (1 Pe 4.11).

Mas, Cristo concede dons aos membros do Seu corpo, não só para que a graça de Deus seja conhecida através do serviço mútuo a fim de que Ele seja glorificado, mas também para promover o crescimento e a edificação de Sua igreja em amor. Para que isso aconteça, é preciso que haja “a justa cooperação de cada parte” (Ef 4.15-16). Ou seja, cada membro deve usar os dons que recebeu para o bem dos demais membros do corpo. O corpo cresce em amor quando os membros servem uns aos outros.

A partir de Efésios 4.1-16, podemos dizer que ministros da Palavra, presbíteros e diáconos devem exercer seus ofícios “com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo”. Os ministros da Palavra e presbíteros fazem isso através do ensino e do pastoreamento. E os diáconos, por sua vez, conectando aqueles que possuem os dons com aqueles que têm necessidades.

Por exemplo, há uma irmã que tem treinamento e habilidades como auxiliar de enfermagem, e há uma idosa na igreja que precisa de ajuda nesta questão. Assim, os diáconos podem aproximar esses dois membros do corpo de Cristo, um que recebeu de Deus a condição para servir e o outro membro que pela Providência dEle tem uma necessidade. Da mesma forma o rico, que tem algo a oferecer, se encontra com o pobre que tem uma necessidade. Neste sentido, os diáconos servem como uma ponte que viabiliza este encontro. Podemos dizer que é uma ponte da misericórdia de Deus, pois uma pessoa aprenderá a usar de misericórdia, e outra receberá misericórdia.

Desta maneira, os diáconos como ministros e despenseiros (administradores) da misericórdia de Deus, cumprem sua tarefa de “exortar os membros do corpo de Cristo a demonstrarem misericórdia”.

Mas para fazer esta conexão entre o dom de um e a necessidade do outro, os diáconos precisam saber quais são os dons disponíveis na comunhão dos santos. Como eles podem descobrir isso? Da mesma forma como descobrem quais são “as necessidades e dificuldades que existem na congregação”, ou seja, através das visitas diaconais.

E como realizar visitas diaconais para identificar os dons dos membros da igreja? O que perguntar? A quem perguntar? É bom usar um questionário para a identificação dos dons? Como ter um registro dos membros da igreja e seus respectivos dons? Esse registro precisa ser atualizado? Deve ser compartilhado com os presbíteros? Que cuidados são necessários numa visita assim?

Tentarei oferecer respostas a essas perguntas em meu próximo artigo: “Visitas diaconais: visitando para identificar os dons”.

 


Revisão: Ester Santos.

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