Ministério da Palavra

O que a Igreja precisa saber sobre a Pregação da Palavra?

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Se desejamos nos beneficiar da pregação como um meio utilizado por Deus para edificar a sua Igreja, faz-se necessário, antes de tudo, defini-la como tal de acordo com as Escrituras. Este é o primeiro passo a ser dado para aprender a ouvir sermões segundo as diretrizes da Palavra de Deus. As ovelhas de Cristo ouvem tão somente a sua voz (Jo 10.27). A expectativa tanto do pastor quanto do seu rebanho, deve ser exclusivamente por esta voz. Aprender a reconhecê-la é crucial para a sobrevivência da Igreja e a garantia da genuína mensagem apostólica.

Os reformadores protestantes nutriam o mais excelente conceito acerca da pregação e a definiam como Vox Dei (voz de Deus em latim). Para eles, o próprio Deus falava enquanto o pregador expunha as Escrituras. “Mas, como assim?”. Você questiona. “Deus dos altos céus toma a boca do pregador e literalmente a voz deste homem se torna a do Criador?”. Não, em absoluto. Tampouco significa equiparar a autoridade das Escrituras, como Palavra de Deus, à fala do arauto que a proclama. O que a Bíblia diz e, por conseguinte os próprios reformadores foram unânimes em afirmar, é que a pregação enquanto refletir fielmente o ensino das Escrituras, deve ser acolhida como Palavra de Deus.

Paulo se alegra com a repercussão da mensagem do Evangelho entre os tessalonicenses. “Outra razão ainda temos nós para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes” (1Ts 2.13). Ou seja, conquanto alguns dos documentos inspirados já circulassem na igreja de maneira esparsa, e não em seu acabamento integral, o cânon bíblico, como o temos hoje em dia, Paulo é categórico ao “igualá-lo” à sua pregação. Há um elo inquebrantável entre a pregação genuína e a Palavra de Deus.

Pedro estimula os crentes a crescerem na graça do Senhor, assegurando-lhes que a regeneração dos seus corações se deu por meio da pregação, a qual era fiel à Santa Palavra do Eterno Deus. O texto declara: “a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada” (1Pe 1.25). Observe como Pedro confere o status de Palavra de Deus àquela comunicação das Escrituras. Obviamente, como já foi salientado, a pregação não é a Bíblia, ou ainda uma espécie de nova revelação do Espírito. No entanto, uma vez em que ela estivesse estritamente conectada à mensagem das Escrituras, ela seria considerada como a voz de Deus (Vox Dei). Tal era o entendimento apostólico sobre o principal labor dos pastores.

Por fim, cabe outra pergunta a esta altura, pois talvez apressadamente você já redarguiu: se é desta forma, qualquer um que se levante e repita como um gravador o texto bíblico ou fale de forma aleatória o ensino das Escrituras, estaria ele efetivamente anunciando o Evangelho? Claro que não. Paulo relembra aos coríntios que ele decidiu “nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Co 2.2). É obvio, como o próprio contexto da carta indica, que a palavra de Paulo não era uma canção de uma nota só. Ao contrário, ele mostra como Cristo era o âmago da sua mensagem, a essência mesma da sua proclamação em “todo o desígnio de Deus” anunciado por ele (At 20.27).

Ademais, o mesmo Paulo adverte a Timóteo para que ele maneje bem a Palavra da verdade. A palavra grega para manejar significa um cortar rente, preciso, cirúrgico (2Tm 2.15). Ou seja, ao pregar, Timóteo deveria interpretar as Escrituras com maestria, em harmonia com o restante das Escrituras e à fé “que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Jd 3).

Pregação autêntica, portanto, é o anúncio e ensino por alguém autorizado por Deus (1Co 4.1, 1 Tm 4.14) de todo o conselho divino, tendo como núcleo inegociável as insondáveis riquezas de Cristo Jesus, sua obra, ensino e pessoa. E mais, deve estar alinhada ao texto bíblico, devidamente interpretado, segundo os ditames da fé apostólica (Tt 2.11-15, Gl 1.8), sob o impulsionamento do Espírito Santo (1Co 2.4). Este é o meio pelo qual Deus se digna trazer à fé os seus eleitos e confirmá-los até ao Dia de Cristo, tendo como fim último a sua glória (Mt 28.18-20; Rm 10.17).

Ouçamos a voz do Eterno por meio da pregação! Ore por aqueles encarregados de lhe trazer a Palavra, a fim de que eles sejam encontrados fiéis como bons despenseiros de Cristo. É exatamente esta a petição de Paulo aos crentes para que orem em favor de sua pregação (Cl 4.3,4; 2Ts 3.2; Ef 6.19). Reconheça a alta dignidade conferida por Deus a este meio tão singelo, porém poderoso e eficaz para lhe abençoar. Rogue a Deus que fale pessoalmente com você. Há uma batalha quando ouvimos a pregação cujo campo onde é deflagrada chama-se “coração humano”. Por meio desta luta, Satanás, o acusador, é silenciado e o pecador, convertido, declarado justo ante o tribunal divino.


Revisão: Fábio Santos.

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