Ministério da Palavra

O ministro da Palavra e o seu descanso

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Os ministros da Palavra precisam de descanso?

O pastoreamento do rebanho de Jesus Cristo é tarefa dos presbíteros (At 20.17,20), incluindo o ministro da Palavra, a quem costumamos chamar de pastor (1Tm 5.17). Este é o responsável direto pela pregação.

A administração da Palavra é, primeiramente, uma atividade dos ministros, e ela começa nos cultos dominicais. Dos cultos a Palavra irradia para o restante da semana e para todas as áreas da vida da igreja. Mas para que isso aconteça, é necessário muito trabalho do pastor na semana anterior.

Algumas pessoas pensam que o trabalho do ministro parece simples demais. Ele aparece na igreja duas vezes na semana, dirige os cultos dominicais, prega durante uma hora, administra estudo catequético, dirige um estudo semanal com a congregação, faz algumas visitas com os presbíteros, participa de algumas reuniões do Conselho e pronto. Se o trabalho do ministro fosse só uma questão de tempo e de realizar tarefas, a descrição acima já seria suficiente para justificar o descanso semanal do pastor. Mas o trabalho do pastor envolve muito mais que isso.

Para cada atividade realizada, o pastor precisa de tempo de preparação. Algumas delas podem exigir menos, mas outras, como a pregação, precisará de muito tempo de dedicação. Desde o estudo criterioso do assunto até a entrega do sermão, no culto, passando pela leitura de textos relacionados, reflexão sobre o assunto e planejamento sobre o modo apropriado para transmiti-lo aos ouvintes, vão-se embora várias horas. Mas é preciso multiplicar esse tempo, considerando que o pastor tem muito mais tarefa na igreja além do sermão.

Além disso, o dia inteiro do pastor está envolvido com oração. O pastor não deve fazer nada sem que tenha dedicado tempo para orar a Deus, buscando nEle sabedoria para aplicar em seu trabalho. Ele também deve dedicar algum tempo intercedendo pelo rebanho.

Como se não bastasse, algumas vezes, outras atividades que não pertencem ao ofício do pastor, são acrescidas sobre seu trabalho. Isso não deve acontecer. Não espere que seu ministro fique responsável pela limpeza e manutenção do prédio ou pelas finanças da igreja. O pastor não é chamado a pastorear o patrimônio ou a finança do rebanho, mas sua alma.

O pastor precisa de folga? Sim. Ele é merecedor do descanso semanal, da mesma maneira que é merecedor do salário (Dt 5.15; 1Tm 5.17,18). Mas eu gostaria de sugerir outras razões para se garantir o descanso semanal ao pastor. Vejamos:

Quando a igreja garante o descanso do seu pastor, ela mostra amor por ele (1Ts 5.12,13). A igreja deve saber que seu ministro é um homem sujeito às mesmas fraquezas que os outros membros. Ele se cansa do trabalho que realiza e precisa de tempo para se revigorar; sua família precisa da sua atenção; como qualquer cidadão, ele tem compromissos sociais com a sociedade e precisa cumpri-los.

Quando a igreja garante o descanso do seu pastor, ela mostra consideração e respeito pelo trabalho que ele realiza no meio dos santos (Hb 13.7,17). Ela reconhece que o trabalho do ministro gera a igreja, nutre-a e a preserva. Ela reconhece que a proclamação do Evangelho leva à conversão do pecador, mas também à preservação deste pecador no seio da igreja.

Quando a igreja garante o descanso do seu pastor, ela reconhece que ele também é uma ovelha do rebanho de Cristo, que precisa ser pastoreada. O pastor também precisa meditar na Palavra de Deus para o seu próprio bem. Ele precisa alimentar a sua alma. Ele precisa de um dia na semana, fora do escritório, sem a pressão do trabalho.

Quando a igreja garante o descanso do seu pastor, ela se beneficia do bom rendimento do seu trabalho. Um pastor que não se sente sobrecarregado, que tem conseguido passar um tempo adequado com sua família, que desenvolve cada uma das atividades do seu trabalho, dedicando-lhe um tempo apropriado, não há de se ter dúvida de que a igreja se beneficiará com isso.

As igrejas que, além do descanso semanal, concedem uma semana no mês, livre da tarefa de preparar sermões, têm experimentado resultados surpreendentes. Seu pastor produz mais e melhor. Sua mente é renovada para mais um ciclo mensal de pregação. Ele pode realizar trabalhos que eventualmente teria mais dificuldade de realizar.

Nota:

1 Cabe ao conselho da igreja acertar com o ministro como esse descanso será concedido. É sábio deixar à disposição do ministro a escolha de seu “dia de descanso” semanal, pois, a jornada semanal do trabalhador cristão são seis dias. Além desse “sábado” distinto do Dia de Descanso dos demais crentes, o conselho pode dar ao ministro um domingo de descanso. Esse domingo de descanso pode ser a cada mês ou de dois em dois meses. Essa dispensa do púlpito depende do conselho e não do ministro. Se o ministro recebe um domingo livre do púlpito, consequentemente, ele fica livre do trabalho de preparar os sermões na semana que antecede seu domingo de descanso. Nesta semana o ministro pode se dedicar às leituras para se alimentar espiritualmente e se aperfeiçoar no seu ministério, ou, a trabalhos do conselho, de comissões nacionais, ou, visitações com os outros oficiais. O descanso é de pregar em um domingo. Não é para o ministro ficar a semana sem trabalhar nas demais áreas ministeriais. Para ficar livre dos trabalhos ministeriais existem as férias anuais ou períodos sabáticos concedidos aos ministros da Palavra. [N. do E.]


Revisão: Ester Santos.

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