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O abuso de autoridade e a rejeição à autoridade

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Abuso de autoridade

No estado

Infelizmente, alguns que estão em posições de autoridade abusam do seu cargo e poder. Os governos fazem isso. Existem governos que oprimem seu povo. Podemos pensar nos regimes comunistas de Stalin e Mao Tsé-Tung. Existe um domingo no mês de novembro que é declarado como o Dia Internacional de Oração pelos Cristãos Perseguidos. Os cristãos são perseguidos por sua fé, em muitos países da Ásia e do Norte da África, onde são oprimidos pelo estado. Claramente, esses governos abusam de sua autoridade. Deus irá responsabilizá-los e puni-los por isso.

Nas igrejas

Esse abuso de autoridade também acontece nas igrejas. No século XVI, os reformadores conclamavam a igreja medieval de volta à Palavra de Deus. Através dos séculos, a igreja afastara-se da simples, mas verdadeira mensagem da Escritura. A igreja tinha acrescentado todos os tipos de doutrinas não encontradas na Bíblia. Além disso, muitos dos líderes da igreja viviam suas vidas sem Deus. Os reformadores convocaram a igreja de volta à Bíblia, para longe da falsa doutrina e de uma vida permissiva. Qual foi a reação da igreja? Perseguição! Excomunhão! Morte por chamas na fogueira!

A igreja atribuiu mais autoridade a si mesma e às suas ordenanças do que à Palavra de Deus. Recusou-se a submeter-se ao governo de Cristo. Ela perseguiu aqueles que viveram vidas santas conforme às Escrituras e que a repreendeu por seus pecados e falsas doutrinas. A igreja da Idade Média não aceitaria isso. Usou — ou melhor — abusou do seu poder e autoridade para silenciar aqueles que a chamavam à fidelidade e submissão à Palavra de Deus.

Esse paradigma, que levou à Reforma da igreja, não é o único exemplo do abuso de autoridade eclesiástica. No decorrer da história, temos muitos exemplos de igrejas abusando de sua autoridade, usando seu poder, indevidamente, a fim de silenciar aqueles que viveriam vidas piedosas e convocariam uma igreja desobediente para retornar à Palavra de Deus. A história das Igrejas Reformadas Canadenses, que remontam à Holanda, confirma isso.

Nas famílias

O abuso de autoridade não acontece apenas no estado e na igreja, mas também, infelizmente, é encontrado nas famílias. Todo abuso físico, verbal e sexual cometido por alguma autoridade e perpetrado contra alguém sob autoridade é abuso de autoridade. Desejamos poder dizer que isso não acontece entre os cristãos e na igreja, mas estaríamos mentindo.1

O que alguém que sofre abuso deve fazer? Ele ou ela precisa ir a outra pessoa em autoridade para obter ajuda. Estamos todos sob várias esferas de autoridade: a autoridade dos pais, professores, da polícia e anciãos da igreja. Uma pessoa abusada deve procurar outra pessoa, em posição de autoridade, para obter ajuda. O agressor deve ser levado à justiça e enfrentar as justas consequências de seu crime. Ele deve ser levado ao arrependimento, ao pé da cruz do Senhor Jesus Cristo. Somente quando nos quebrantamos ao pé da cruz é que somos reconciliados com Deus e podemos reconciliarmo-nos uns com os outros.

Rejeição da autoridade

A rejeição da autoridade começou no Jardim do Éden. Deus disse aos nossos primeiros pais, Adão e Eva, que eles poderiam comer de todas as árvores do jardim, exceto, uma. Não satisfeitos por terem todas as árvores, menos uma, comeram da única árvore proibida. Com isso, rejeitaram a autoridade de Deus. Desde então, esse espírito de revolução tem permanecido vivo .

O espírito que se opõe à autoridade, hoje em dia, é, em grande parte, um resultado e um trabalho da Era do Iluminismo e da Revolução Francesa.

O filósofo francês René Descartes (1596-1650), o pai do modernismo, cunhou a conhecida frase, que sempre lhe está associada: “Cogito, ergo sum” (penso, logo existo). Ele começou com o eu. O homem é a medida de todas as coisas. Ele pensava que o homem poderia viver separado de Deus. A revelação deve ser rejeitada. Dependemos do ego, apenas do intelecto humano, da capacidade de raciocinar.

Esse espírito revolucionário fora multiplicado por cem pela Revolução Francesa, que durou de 1789 até 1799. Tratou-se de uma revolução contra a igreja e o rei. Em última análise, foi uma revolução contra Deus. O grito de guerra da Revolução Francesa foi: “Nenhum Deus! Nenhum dono”. O rei foi degolado; a França, descristianizada. Aboliu-se a datação dos anos com base no ano do nascimento de Cristo. O ano de 1789 tornou-se o primeiro ano; a semana de sete dias, substituída por uma de dez dias. As igrejas foram fechadas.

Um ciclo de derramamento de sangue seguiu. Aqueles que um dia manejavam a guilhotina eram suas vítimas, no dia seguinte. A Revolução Francesa se matou. A França amadureceu para uma aquisição. Em 1799, alguém assumiu — Napoleão. Ele se declarou imperador. Mataram o rei e conseguiram um imperador.

Atualmente, esse espírito de revolução que grita “Nenhum Deus! Nenhum dono” permanece muito vivo. Está vivo na mídia; na indústria do entretenimento. Você vê isso na TV. Figuras de autoridade são frequentemente ridicularizadas. Em muitos programas de comédias, o pai é um idiota preguiçoso sentado em frente à TV, clicando nos canais ou um tolo desajeitado e mal tolerado pela esposa e os filhos. Vês isso nos muitos sindicatos que são, por natureza e constituição, contra o patrão. Você enxerga o espírito da revolução, no noticiário da noite, ao ver gritos de manifestantes acenando com seus cartazes persuasivos.

A rejeição da autoridade causa ruína, assim como o abuso de autoridade. Ambos criam desordem e caos. Todo mundo acaba fazendo o que é certo aos seus próprios olhos.

Conclusão

Deus é a autoridade final. Ele é a fonte de toda autoridade. Ele revelou, nas Escrituras, a si mesmo e a sua vontade. Ele chama as pessoas para posições de autoridade na vida: pais, líderes do governo, líderes da igreja. As coisas estarão bem, se aqueles em posições de autoridade atuarem como servos – não como tiranos, mas como servos daqueles sob eles. À medida que os maridos providenciam às suas esposas: amor, gentileza e liderança em serviço, refletindo o relacionamento entre Cristo e a igreja, as coisas estarão bem em seus casamentos. À medida que os pais fornecem liderança firme, mas gentil, aos seus familiares, refletindo o relacionamento entre Deus o Pai e seu povo, as coisas correrão bem em suas famílias.

Isso vale também para as igrejas e os governos. Quando aqueles que estão em posições de autoridade exercem o seu poder, servindo aqueles que são chamados a liderar, as coisas irão bem.

Se eles abusarem de sua autoridade, as coisas irão mal. Famílias, igrejas, países desmoronam, quando aqueles que têm autoridade abusam de sua autoridade.

À medida que aqueles sob autoridade respeitam os que Deus colocou sobre eles, novamente, as coisas irão bem. À medida que as crianças respeitam seus pais, as congregações honram os anciões e os cidadãos obedecem a seus governos, as coisas irão bem em nossas famílias, igrejas e país.

Que todos nós obedeçamos a Palavra de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. O Deus Triúno tem autoridade absoluta. Ele revelou sua vontade em sua Palavra. Vamos obedecer cada palavra. Ao mantermos a submissão às Escrituras em humildade e obediência, tudo estará bem em nossas vidas. Rejeite a Palavra, desobedeça e a sua vida ficará de cabeça para baixo. Obedeça e tudo ficará bem.


Tradução: Morgana Mendonça.

Revisão: Yuri Costa.

O website revistadiakonia.org é uma iniciativa do Instituto João Calvino.

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