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Estudando a realidade na universidade secular

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Um novo ano de estudos

A essa altura, um novo ano letivo acaba de começar nas escolas, faculdades e universidades. Em todas essas instituições de ensino, o objeto de estudos é o que se pode chamar de realidade. É o que Deus, em sua criação, nos concedeu (ver o editorial na edição anterior). Especialmente nas universidades, as diferentes áreas de estudos e a quantidade de conhecimento aumentam constantemente, isso pode tornar o estudo algo muito interessante. O objetivo de todo estudo é ganhar conhecimento; conhecimento verdadeiro e confiável que constrói a vida.

A maioria das universidades e faculdades são instituições de ensino seculares. Poucas são cristãs. Não estou lidando aqui com a questão de se alguém deve estudar numa universidade secular ou cristã. Meu objetivo é ajudar os estudantes cristãos, e outros que estudam em uma universidade secular, a perceberem o que devem estar cientes neste lugar que não considera Deus e sua Palavra. Quando envolvido em estudar um aspecto da criação de Deus à parte do Criador, os estudantes devem abrir os olhos e ficar atentos. Eles são os filhos do pacto de Deus e servos de Cristo. Portanto, eles devem tomar cuidado para não se tornarem parte integrante deste mundo e sua mentalidade, mas permanecerem distintos.

Manter a antítese

O chamado aqui é também para manter a antítese que Deus instituiu no paraíso, após a queda pelo pecado, entre a descendência da serpente e a descendência da mulher (Gênesis 3:15). O apóstolo Paulo descreve essa antítese, em 2 Coríntios 6:14-18:

‘’Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso. ’’

A Palavra de Deus conclui: “Já que temos essas promessas, queridos amigos, purifiquemo-nos de tudo o que contamina corpo e espírito, aperfeiçoando a santidade por reverência a Deus.” Amar o mundo significa inimizade para com Deus.

O Senhor não quer dizer que seu povo não pode trabalhar ou estudar neste mundo ao lado de incrédulos (ver 1 Coríntios 5:9-11). No entanto, Ele não quer que eles se conformem ao padrão deste mundo (Romanos 12:12). Estudantes cristãos irão (e devem) aplicar a si mesmos o que a palavra de Deus diz em 1 Timóteo 4:4-5,

‘’pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado. ’’

A imagem do cristão expressa bem o contraste com um não cristão. Cristãos contam com Deus e vivem em íntima comunhão com Ele em seus estudos, enquanto os não cristãos não fazem isso. A universidade secular apresenta, a esse respeito, o típico ambiente não cristão. Isso, de fato, quer dizer que as pessoas nesse ambiente não cristão podem ser consideradas tolas segundo a Palavra de Deus.

Livros perspicazes

O objetivo deste artigo é ajudar estudantes a estarem cientes do caráter da Universidade secular ‘’como Deus a vê’’. Aqui me referirei a dois livros. O primeiro é de Francis A. Schaeffer, um famoso autor cristão. Foi publicado há mais ou menos 25 anos e tem como título: How should we then live?¹ (como viveremos).

O segundo livro tem aproximadamente dez anos e foi escrito por Eta Linnemann, uma estudiosa do Novo testamento que se transformou de uma estudante totalmente liberal e seguidora do seu professor liberal a uma crente evangélica. O título do seu livro é: Historical Criticism of the Bible: Methodology or Ideology2 (Criticismo histórico da Bíblia: metodologia ou ideologia). Citarei muito esse livro, pois a autora tem se envolvido na questão, tanto como estudante quanto como professora, e foi convertida, além de ser bem afiada e sincera, é geralmente correta, a meu ver. Menciono esses livros, porque os dois foram escritos especificamente para estudantes universitários, com o objetivo de fazê-los ver o que devem ver.

Ambos os livros mostram as raízes do caráter secular da Universidade atual e do desenvolvimento histórico filosófico até o nosso tempo. Apesar de não aprovar tudo que foi escrito, desejo que ambos os livros, especialmente o livreto da Dra. Linnemann (embora seja difícil adquiri-lo), estivessem nas mãos de todo estudante cristão, em qualquer universidade secular e cristã, a fim de abrirem os olhos. O título do livro de Linnermann dá a impressão que ela escreve para estudantes de teologia. Por um lado, isso só se aplica à segunda parte. A primeira parte trata do desenvolvimento histórico filosófico de todo estudo em qualquer universidade ocidental. E, até a segunda parte, apresenta informação instrutiva para estudantes de todas as disciplinas. Isso mostra que, na universidade secular, teologia é estudada como qualquer outra disciplina, de uma maneira ‘’ímpia’’.

Estudando a criação da maneira clássica

Dra. Linnermann afirma, “Na universidade, que desde o início foi uma instituição anticristã, rapidamente não havia mais espaço para pensamentos que se baseavam consistentemente na revelação de Deus em Sua palavra.” (p.32). Ela ainda diz ”Todo estudante, que se submete à universidade, deve aceitar o jugo do ponto de partida intelectual ateu como uma necessidade inescapável… A eles é permitido ter a sua fé em suas vidas privadas… mas são proibidos de preservar o Deus vivo e seu filho Jesus Cristo em seu pensamento acadêmico, ou a conceder a Ele qualquer material em função disso. Então, eles retém Jesus em seus sentimentos mas negam a Ele diariamente em seu intelecto, porque este intelecto segue princípios ateus e anticristãos’’, (p.33).

Ambos os autores veem a raiz da atual universidade anticristã na Idade média. Em meados do século XIII, a igreja de Roma permitiu seus professores (especialmente Tomás de Aquino [1225-1274] pode ser mencionado, Schaeffer, pp.51-56) a estudar e adotar as ideias e conceitos da filosofia clássica grega. Isso não significa somente as ideias de Platão, mas também as que vieram depois dele, e especialmente as ideias de Aristóteles foram aprendidas. A igreja em si foi adiante com seus líderes eruditos, em aceitar tais pensamentos como confiáveis e dependentes da verdade, quando se tratava do estudo da criação (o homem e seu mundo).

Um contraste inapropriado

Com isso, pensamentos pagãos foram adotados como verdade na e pela Igreja de cristo. Pois isso significava, por um lado, um contraste (não só uma distinção) feito e mantido entre Deus/espírito/graça e terra/vida física-biológica/natureza (influência de Platão). Por outro lado, isso significou que o mundo e os seus diferentes fenômenos ao redor dele receberam uma atenção diferenciada e tornaram-se objetos de estudo por si mesmos, separados de Deus, sua criação e sua Palavra (Aristóteles, através de Tomás de Aquino, ver Schaeffer pp.51-56). Como consequência, o mundo acadêmico daqueles dias aceitou um contraste entre a forma de obter conhecimento sobre Deus, redenção, vida eterna e a forma de obter conhecimento sobre o homem terreno com sua terra e vida nela. Conhecimento fidedigno sobre Deus e sua salvação é adquirido através da revelação nas Escrituras pela fé. Conhecimento fidedigno sobre o homem como parte desta terra e da terra são adquiridos através da própria e minuciosa observação científica e raciocínio lógico (racional), separados da revelação de Deus em sua palavra.

O que Aristóteles quis dizer se faz claro pela descrição de Samuel Enoch Stumpf, em seu livro sobre filosofia: Socrates to Sartre (Sócrates encontra Sartre). Ele nos informa que Aristóteles:

Inventou a ideia das ciências separadas. Para ele, havia uma conexão próxima entre lógica e ciência… Ciência, como Aristóteles compreendia, consistia em declarações verdadeiras que relatavam as razões pelas quais as coisas se comportam como fazem e porque elas têm que ser como são. Nesse sentido, ciência consiste no conhecimento do fato de e da razão de. Isso inclui tanto a observação e a teoria que explica o que está sendo observado. Por exemplo, uma pessoa pode observar vapor vindo de um bule de chá no fogão, mas essa mera observação por si mesma não nos permite definir ‘’vapor’’ em qualquer maneira científica ou sistemática. Uma afirmação científica sobre esta observação refletiria numa nova escolha sobre os elementos essenciais dessa observação, pondo de lado todos os detalhes irrelevantes ou ‘’acidentes’’, tal como o combustível usado para o fogo e o tipo de recipiente usado para água, focando diretamente o tipo especial de evento que isto é, a produção de vapor, e dando razões para a ocorrência deste evento por relatar calor, água e vapor de uma forma que a pessoa possa saber, ter provas, porquê e sob quais condições calor e água produzem vapor. A coisa mais importante em ciência é, então, a linguagem na qual ela é formulada³.

Essa teoria de Aristóteles sobre o método e o princípio da obtenção de conhecimento fidedigno, tem sido a regra nas universidades da Idade média tardia até a atualidade. Somente agora, no pós-modernismo atual, está perdendo sua força – ao menos um pouco – (ver artigos do Dr. F. G. Oosterholff 4).

Dividindo conhecimento

O resultado da Introdução da filosofia de Aristóteles por São Tomás de Aquino foi uma divisão principal na essência do conhecimento no homem. O estudo do conhecimento sobre Deus (teologia) foi separado de todos os outros estudos (filosofia, agora como coletivo para estes). Essa brecha fundamental entre a graça e a natureza e, consequentemente, entre a crença subjetiva e objetiva de Deus, e a salvação através da revelação, por um lado e, por outro lado, o pressuposto conhecimento científico neutro e objetivo sobre o homem, seu mundo e sua vida aqui na terra através da sua própria racionalidade, observação crítica e razão científica foram, a princípio, muito sutis e pouco visíveis.

Praticamente todos os estudiosos do mundo acadêmico, na Idade Média e em seguida, foram cristãos. Eles criam em Deus. Eles acreditavam que a terra foi criada por Ele. Para eles, a teologia era a “rainha” de todo conhecimento e estudo. A filosofia era a sua “serva”. Mas, gradualmente, a fenda tornou-se mais profunda e mais visível. Isso aconteceu, em primeiro lugar, através do Renascimento (séculos XIV a XVI). A palavra significa “renascimento” e aponta para o “Renascimento” da filosofia humanista do período clássico grego e romano.

O pensamento da filosofia grega e romana é caracterizado pelo ditado: “o homem é a medida de todas as coisas.” No Renascimento, a “serva” começou a libertar-se de sua posição subserviente sob a “rainha” e conquistar uma posição de independência e igualdade. No subsequente movimento filosófico, Iluminismo (século XVIII) e depois, a “serva” tornou-se a “rainha”. A teologia da “rainha” foi submetida à sua antiga filosofia humana de “serva” (incluindo, entre outros, as ciências). A razão humana e não a de Deus revelada em sua Palavra, determinou o que poderia ser ou não ser verdade. (O início do domínio da razão humana sobre a Palavra de Deus é visível na luta em torno dos Cânones de Dort.)

Rejeição de Deus e de Sua palavra

O movimento Iluminista levou, eventualmente, à total rejeição de Deus e de sua Palavra em todos os eruditos, não só em todas as ciências naturais e humanas, mas também na teologia. O Homem novamente tornou-se a medida de todas as coisas nas questões acadêmicas. O homem determinou o que seu “deus” tinha que ser e o que foi. O “deus” que ele formou para si mesmo em seu pensamento racional era seu ídolo feito por homens.

O resultado disso está presente nos séculos XIX e XX. O homem não dá mais lugar para o Criador vivo e ativo no estudo de sua criação. O estudioso teológico liberal também demitiu o Deus vivo do estudo da teologia e da Bíblia. A Bíblia não tem sido considerado o livro da auto revelação do Deus vivo. O estudo da teologia é visto como o estudo do mítico crenças-conteúdos, que as pessoas no Antigo e Novo Testamento por vezes acreditavam. A teologia tem se tornado o estudo da religião humana como um fenômeno humano. O homem, aqui, tem se tornado a medida de todas as coisas. O conhecimento sobre Deus superior tornou-se conhecimento sobre a história das ideias humanas religiosas e conceitos sobre “deus” vindos de formas inferiores, do próprio homem. Este conhecimento sobre a religião de Israel e a igreja primitiva também só poderia ser obtido através da observação crítica (acadêmica) e do raciocínio crítico racional. Apenas o resultado de tal estudo é mencionado para apresentar uma verdade segura. Este ponto sobre o que a teologia liberal é e como funciona é o tópico da segunda parte do livro da Dr. Linnemann.

Resumindo

Para resumir o que foi anteriormente escrito: a universidade secular concordou com este axioma, este fundamento é pressuposto para todo o seu estudo, que, na maior parte, afirma: todo verdadeiro conhecimento confiável é e só pode ser obtido através da observação do mundo e através de cuidadosos raciocínios lógicos sobre o que é observado. O conhecimento confiável é aquele conhecimento cientificamente verificável e verificado. Aqui não está apenas a negação do envolvimento ativo de Deus no mundo; aqui é, ao mesmo tempo, a própria negação de todos da existência de Deus. O homem tem se defendido como um ateu, o “tolo” do Salmo 14.

O texto acima é uma breve apresentação do quadro do desenvolvimento histórico em direção a presente condição da universidade secular e todos os estudos que acontecem lá, incluindo a teologia (cristã), como Schaeffer e Linnemann pintam diante dos nossos olhos. Com base nisso, Linnemann chega à conclusão de que a universidade secular é “anticristã” e “sem deus”. Ambos os autores protestam contra este estudo da realidade, que não é a realidade real e verdadeira, já que o Deus vivo não tem lugar nela. Nós devemos concordar. Esse protesto está correto. Isso nos leva à próxima pergunta.

O conhecimento pode ser confiável?

Em uma interessante seção separada (páginas 64-71), Linnemann lida com ‘’A Confiabilidade do pensamento.’’ Ela aborda sobre como é feito o pensamento humano crítico científico e racional na universidade secular. Ela começa afirmando:

Estamos acostumados a considerar o pensamento disciplinado e regulado pelos princípios da ciência como confiáveis. Além disso, estamos acostumados, não apenas a distinguir entre fé e pensamento, mas também em separá-los um do outro, de modo que a fé é banida do

domínio do pensamento, e o pensamento considera-se excluído do domínio da fé. Ambos esses pontos de vista costumeiros que aceitamos completamente são altamente enganosos.

Isso é assim, porque é “através de uma decisão anticristã” que “o pensamento é definido de modo a excluir Deus.” O que ela quer dizer é que “na percepção da realidade, o Criador da realidade não tem permissão para ser levado em conta.” Deus ensina em sua Palavra que” o temor do SENHOR é o princípio da sabedoria”. Indo contra essa verdade, o estudante da universidade secular “ganha a impressão… de que seu pensamento… é confiável.’’ Para “o aluno que se submete ou tem realizado estudo crítico, é geralmente profundamente convencido da confiabilidade do seu pensamento crítico.” É assim, embora hoje “os filósofos da ciência estão cada vez mais conscientes da crise fundamental da ciência”. Dr. Linnemann, então, faz a observação de que essa convicção na confiabilidade da crítica científica, que pensar por si só não tem base sólida. Isso repousa em “uma confusão entre o sistema de código funcional, (isto é, pressuposições assumidas, J.G.) por meio das quais concordamos em falar sobre a realidade, e a realidade por si mesma ”(p. 65). Essas pressuposições, que devem funcionar como base confiável para o estudo da realidade, são “altamente enganosas”, pois (ela repete) “na percepção dessa realidade, o Criador da realidade não pode ser levado em conta. Portanto, a decisão de concordar com essas pressuposições é “uma decisão anticristã” (p. 64).

Ciência Válida

Dra. Linnemann reconhece que o pensamento científico vem com declarações verdadeiras sobre a realidade. A ciência descobriu fatos confiáveis em sua pesquisa referente a criação. Podemos mencionar como exemplos várias conquistas técnicas em máquinas manufatureiras, aparelhos eletrônicos, produtos químicos, como plásticos, remédios, e assim por diante, os quais são baseados em descobertas de como a criação funciona. A aplicação de tais “mecanismos” na criação determina nossa forma de vida no século 21. Portanto, há resultados positivos do pensamento ordenado, através dos quais cientistas produziram invenções válidas.

Mas, de acordo com Linnemann, “todas as inovações válidas são imitações ou aplicações da criação que Deus mesmo fez”. Os princípios que Deus aplicou em sua criação são reconhecidos e aplicados. Então, na melhor das hipóteses, as ciências naturais são um repensar do pensamento de Deus.

Ela apresenta como exemplos: “a produção de papel advinda da madeira” como “aprendido da vespa” ou “princípios aeronáuticos dos pássaros” e “o princípio do voo de um helicóptero de uma libélula”. No entanto, diz Linnemann, ‘’existe um perigo… de perverter os insights recebidos da criação de Deus através de influências de tendências as quais são inimigas de Deus, homem, criação.’’ Onde o homem não considera Deus como criador, ele também não leva em conta a vontade de Deus. Com os insights recebidos das pesquisas científicas da criação, o homem trilha seu próprio caminho e vem com produtos que não preservam e constroem vida. Todavia tem resultados poluentes e destrutivos.

Ela menciona o avião a jato. Talvez o consumo excessivo da gasolina e o inseguro Concorde [um avião comercial supersônico de passageiro] sejam exemplos ainda melhores. Mas também vários dos inseticidas e pesticidas, bem como certos equipamentos como RU-486 têm sido destrutivos na vida da terra. Especialmente, nos últimos cem anos, têm sido visto a extinção de um bom número de animais e a morte de muitas pessoas. Enquanto isso, várias invenções tem resultados positivos. Frequentemente, a mesma invenção básica é usada para propósitos maus e destrutivos, quando usadas para ganhar riquezas, poder ou ambos. Olhando para os vários resultados negativos, a pergunta da confiabilidade do conhecimento científico humano precisa certamente receber uma resposta que é negativa em grande medida. E, quando esses resultados são colocados à luz da vontade de Deus, essa resposta negativa mostra-se muito mais evidente.

Perigo nas ciências humanas

Lemos ainda que o que é perigoso nas ciências naturais (o estudo da natureza, como a física e a química), torna-se ainda mais nas ciências humanas (o estudo do homem, como a antropologia, psicologia, sociologia, economia). Para as ciências humanas, use exemplos das ciências naturais para estabelecer a confiabilidade do pensamento humano. Nas humanidades, no entanto, o raciocínio humano é muito menos objetivo do que nas ciências naturais; neste os “fatos” são muito mais objetivamente verificáveis.

As humanidades carecem da salvaguarda orientação de uma ordem externa criada, se nem sempre totalmente, pelo menos, substancialmente”. “Portanto,” se não for fundamentada na Palavra de Deus, as humanidades absolutamente faltam na base objetiva, enquanto as ciências naturais possuem um corretivo, pelo menos no que tange a criação “(p. 67)”.

Além disso, esta suposição de que o homem é capaz de ser e pensar de forma “neutra, objetiva e eficaz” é ainda mais carente de uma boa base por causa da “realidade da Queda, do pecado” (Gênesis 3), juntamente com a depravação humana resultante da necessidade de redenção ”(p. 40). O homem caído está corrompido em seus pensamentos. E seu pensamento é baseado em decepção, quando ele, apesar dessa corrupção, mantém a negação de que não está corrompido. A restauração do pensamento humano em relação à confiabilidade começa com a regeneração através do Espírito Santo e a subsequente humildade e submissão à Palavra de Deus. Origina-se no temor do Senhor. Baseia-se no evangelho que nos ensina que em Cristo “em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.” (Colossenses 2:3; referido nas páginas 24, 36, 59).

Ciências em crises

Gosto de terminar com o que Linnemann diz (citado acima) como uma observação, isto é, que “Os filósofos da ciência estão cada vez mais conscientes da crise fundamental na ciência.” Isso precisa de alguma elaboração. “Ciência”, aqui, trata-se das ciências naturais. Linnemann, provavelmente, alude ao fato de que as antigas certezas nas ciências naturais não são mais certas desde o impacto da ‘‘revolução na física”. Tal revolução foi provocada pela teoria da relatividade de Albert Einstein (1879-1955) e a teoria da mecânica quântica de Max Planck (1858-1947), especificamente como este último foi aplicado “à estrutura do átomo” por Niels Bohr (1886-1961). A física, depois desses cientistas, é chamada de “a nova física”. A velha ciência foi baseada no “Modelo mecânico”, que é a teoria de que todas as coisas na natureza funcionam de acordo com as leis estabelecidas (mecânica inalterável) de causa e efeito em um sistema determinístico. As formas que a lei da natureza funcionam hoje são as mesmas que funcionaram no passado e funcionarão no futuro. No entanto, descobriu-se que, com o átomo, as coisas não funcionavam de acordo com o ‘’modelo mecânico’’. O mundo microscópico do átomo “é diferente do mundo macroscópico familiar a nós na experiência do dia a dia”. Em conexão com isso, refiro ao leitor a The Soul of Science (A alma da ciência), capítulo 9, páginas 187-189.5. 5

O resultado desta “nova física’’ é para muitos a causa da incerteza fundamental, não apenas na ciência, mas também na vida. Com a velha “fé Newtoniana estilhaçada sob a costa rochosa da nova física,” o senhor Chaw lamenta: “o que sobrou dela? A ordem do elétron não obedece nenhuma lei, ela escolhe um caminho e rejeita o outro… Tudo é capricho, o mundo calculável tornou-se incalculável.‘’ 6

A certeza do estudante cristão

Bem, como cristãos, também como estudantes cristãos na universidade, nós não entramos em pânico. Nossa segurança não é a ciência, tampouco a nossa observação científica ou nosso raciocínio lógico. Nossa segurança e guia, contudo, é a palavra do Deus vivo e trino que criou todas as coisas e as sustenta através do seu Filho, que redime e restaura o que foi criado através Dele, e que santifica essa criação restaurada através do espírito santo com base em seu sangue expiatório como um pequeno começo já nesta vida (Colossenses 1:15-20, 3:12-4:1).

Retornemos aqui para 1 Timóteo 4:4-5:

‘’pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável’’ isso inclui o estudo da criação. ‘’E’’, disse Paulo, ‘’recebido com ações de graças’’.

Esse é o primeiro elemento dos meios de consagrar a criação novamente: dando graças pelo que Deus dá. Os estudantes recebem o estudo como presente do Senhor Deus e eles diariamente agradecem ao Senhor por ele. Agradecer ao Senhor implica em reconhecê-lo como seu Deus, seu criador-redentor-santificador e, ao mesmo tempo, conscientemente, O servindo no e com o seu estudo. Nesse sentido de dar graças pelos seus estudos, tal estudo não deve ser rejeitado. ‘’Porque’’, o apóstolo continua ‘’ pela palavra de Deus e pela oração, é santificado. ’’ Como um crente no Senhor, você acredita que seu salvador, Filho de Deus, o reconciliou com Deus através do Sangue na cruz e o fez um filho adotivo de Deus. Acredita que Ele, através do Espírito Santo, regenera você e o faz viver pela fé para que sua vida, incluindo seus estudos, sejam dedicados a Deus e a Sua obra. Isso significa a Glória do Seu nome, a vinda do Seu reino e a obediência à Sua vontade. Isso inclui a edificação do seu povo, junto com seus irmãos e irmãs, dentro e fora da universidade, sendo mãos e pés uns para os outros.

Consagrar seus estudos ao Senhor em um ambiente mundano e hostil não é fácil. Significa uma constante busca por sabedoria e orientação pela palavra de Deus. Por essa palavra, também, há o meio para essa consagração. Esse estudo da Palavra de Deus é (deve ser) acompanhado pelo terceiro meio de consagração: oração. Palavra e oração: ouvir a Deus e então pedir por força e sabedoria advindas dEle.

Os estudantes cristãos que estudam dessa maneira podem confiar que o Seu Senhor irá guiá-los, mesmo em arredores sem Deus.

Mais poderia ser citado. O suficiente já foi dito. Ache os livros. Leia-os, em particular o da Dra. Linnemann. Será realmente útil a todos que estudam em qualquer universidade.

Notas:

¹ Francis A. Schaeffer, How should we then live? – The Rise and Decline of Western Thought and Culture, Old Tappan, NJ: Fleming H. Revell Company, 1976.

² Eta Linnemann, Historical Criticism of the Bible: Methodology or Ideology. Reflections of a Bultmannian turned evangelical, ET Robert W. Yarbrough, Grand Rapids: Baker Book House, 1990.

³Samuel Enoch Stumpf, Socrates to Sartre: A History of Philosophy, 5th rev. ed., New York etc.: McGraw-Hill, Inc., 1993, p.83-84.

4 Clarion, vol. 49:7, 8, 9, 10.

5 Nancy R. Pearcey & Charles B. Thaxton, The Soul of Science: Christian Faith and Natural Philosophy, Wheaton, Ill.: Crossway Books, 1994, pp. 187-189.

6 Idem, p. 218.


Tradução: Beatriz Sales.

Revisão: Yuri Costa.

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