Ministério da Palavra

Como um ministro deveria se dirigir a congregação

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Você sabe como um ministro se dirige à congregação quando começa o seu sermão? Existem várias maneiras de se fazer isto. Um vigoroso ministro dirá as seguintes palavras: “Amada Congregação do Senhor Jesus Cristo”. Para um outro ministro, talvez não tão vigoroso, pode ser suficiente dizer “Congregação do Senhor Jesus Cristo”, deixando de fora a palavra “amada” — porque ele não quer assumir que todos os membros da igreja são de fato amados por Deus. Ainda um outro ministro pode apenas dizer “Congregação…”, sem nenhum outro complemento.

Será este artigo mais uma daquelas investigações bobas do Klaas? Absolutamente não. Algum tempo atrás eu li a Nederlands Dagblad1 (datado de Sábado, 1 de Maio de 2010) que a maneira de se dirigir à congregação do púlpito estava começando a variar muito. Por causa disso, em certas congregações, estavam começando a acontecer problemas com alguns ministros.

Certo ministro afirmou que o endereçamento à igreja é uma coisa sem importância e, por isso, ele muitas vezes pulou completamente essa parte da introdução de seu sermão. Ele simplesmente começava seu sermão sem especificar para quem ele estava falando. Os alemães diriam com isto que ele estava pregando “ins blau hinein”, ou seja, para o céu azul. Melhor não haver esta tal introdução do que cometer o erro de se dirigir à igreja de uma maneira errada.

O que há de errado com a antiga maneira de se dirigir à igreja?

Você deve estar se perguntando: Qual é o problema com a antiga maneira de se dirigir à igreja como “Amada congregação do Senhor Jesus Cristo”? Penso que a preocupação seja: Como o ministro sabe se todos os ouvintes são realmente parte da congregação, e portanto “amados no Senhor”. Existem hipócritas e incrédulos sentados na congregação. Nós não queremos dizer demais quando afirmamos que todos são amados no Senhor? Todos aqueles sentados durante o culto são realmente verdadeiros filhos de Deus, parte da sua família? O povo reunido é meramente uma audiência neutra ou eles são o povo especial do Senhor Jesus? A igreja deveria ser mencionada como a noiva de Cristo, amada por Ele, ou como um grupo mesclado de aspirantes, constantemente lembrados de que eles ainda não receberam a salvação?

Parece que da mesma forma como tantos outros assuntos que nos foram concedidos da maneira correta (ex: a congregação como o povo da aliança de Deus) são agora questionados, também o dirigir-se à congregação está sendo avaliado criticamente e sofrendo uma revisão para se encaixar melhor em nossa sociedade moderna e mais educada.

A abordagem douta

Prof. Dr. S. Easter (Evangelismo, Kampen) quer usar uma abordagem que contemple a todos. Muitas vezes ele apenas começa uma pregação sem uma abordagem inicial, outras vezes apenas diz: “Prezadas (queridas) pessoas (povo)” (Beste mensen, em Holandês).

Prof. Dr. C. de Ruijter (Teologia Prática, Kampen) pensa que, quando chega a hora do sermão, uma vez que ele já orou, cantou e leu as Escrituras com a congregação, não precisa mais dirigir-se à igreja na introdução do sermão. Ele espera até receber a atenção de todos e então começa o sermão com uma primeira declaração que geralmente chama a atenção da igreja.

Alguns fazem ainda pior. Certa vez eu li a introdução de um sermão onde alguém se dirigia à congregação dividindo-a em vários grupos: irmãos e irmãs, meninos e meninas (como se eles não pertencessem à congregação) e convidados. E onde ficaram os solteiros, pais, idosos, avós, etc.? Onde você começa e para com isso? “Amados irmãos cujos filhos já saíram de casa…”.

De volta à Bíblia

Tendo engolido todas essas coisas acima e sentido alguma náusea, Klaas correu de volta para a Bíblia para verificar algumas formas de abordar a igreja lá. Paulo usa várias formas. Para os romanos, ele escreve: “A todos os que em Roma são amados de Deus e chamados para serem santos”. Para os Corintios, ele escreve “aos santificados em Cristo Jesus, chamados para serem santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso”.

Às vezes Paulo se dirige geograficamente a “…todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia”. Outras vezes se dirige de forma qualificada “aos santos e fiéis em Cristo Jesus que estão em Éfeso”. A maneira de dirigir-se é mais do que uma mera formalidade: muitas vezes contém um apelo, uma declaração do que a igreja é em Cristo.

Eu considero um grande passo para trás se vamos deixar de lado a maneira correta de abordar a igreja.

Um endereçamento comum parece ser: aos santos em… Quando o apóstolo escreveu suas cartas às igrejas ele pensou em seus leitores como crentes e santos. Esta é uma abordagem geral. É também o sentido da palavra “amado”. Este povo não é o povo amado do pregador, mas o povo muito amado do Senhor. A maneira bíblica, então, de se dirigir à igreja é portanto, “Amada congregação do Senhor Jesus Cristo”.

Fico muito impressionado com o número de vezes que os apóstolos usam o termo “amado”. Em Filipenses 2.12, lemos sobre “meus amados”, em grego agapetoi. Você provavelmente sabe que a palavra “ágape” é a palavra do Novo Testamento para o amor que vem de Deus em Cristo, e deve agora funcionar na congregação. Em 1 Coríntios 10.14, encontramos o mesmo: “amados irmãos”. Algo como “queridos amigos” ou outras formas de tratamento diferentes não expressam adequadamente aquilo que está nas Escrituras.

Talvez seja bom notar neste momento que Jesus Cristo é O amado. Em Mateus 3, na ocasião do batismo de nosso Senhor, lemos: “Este é o meu Filho amado (Agapetos), em quem me agrado”. A frase “amada congregação” se aproxima da igreja com as riquezas que recebe do Pai, no Filho, o Amado, pelo Espírito Santo. Eu não consigo encontrar uma abordagem mais cristológica para o início da pregação na congregação.

A reunião do povo da aliança

Todo pregador sabe que seus ouvintes são um povo heterogêneo. Existem membros que são infiéis. Há aqueles que vivem com dúvidas. Existem os hipócritas que são assíduos na igreja, mas não fazem parte dela. Há incrédulos que frequentam a igreja por vários motivos alheios. E existem aqueles que frequentam a igreja com fé sincera, estes têm fraquezas, mas buscam a vontade do Senhor.
É melhor olhar para a congregação e abordá-la como um todo, como o povo da aliança de Deus. Estas pessoas receberam grandes promessas em Cristo. Este mesmo povo deve estimar esses dons em Cristo e se apropriar deles. Aqueles que se recusarem a acreditar nestas promessas serão justamente condenados.

Quando um pregador usa o termo “congregação” neste sentido de aliança, ele percebe que está falando para todos que se reuniram. Ele sabe que existem os hipócritas e os réprobos. Quem é ou não é povo de Deus não é um problema para o pregador determinar. Ele deve abordar todos com as promessas ricas em Cristo e chamar todos a acreditarem nEle. A pregação é a pregação do evangelho que chega a todos os ouvintes com igual força e poder.

A maneira como um pregador aborda a congregação não é um assunto sem importância. Pelo contrário, é de grande importância. Na abordagem no início do sermão é estabelecido quem está sendo abordado e por quê.

A abordagem corporativa

Nas Escrituras, lemos que a igreja é um corpo (1 Coríntios 12.12). Isso significa que devemos ter uma abordagem corporativa. Em nosso tempo em que o individualismo parece desenfreado, não é corrente falar da igreja em termos de um corpo. Um pregador pode estar excessivamente preocupado em ter uma mensagem para cada grupo na congregação. Na abordagem para a congregação este princípio corporativo deve ser mantido.

O ministro não fala a uma parte da congregação, mas a todo povo. Todos recebem as mesmas promessas; todos devem cumprir com as mesmas obrigações; todos que não creem enfrentarão a mesma punição. A pregação procura motivar todos os membros, pessoalmente e em conjunto, a servirem ao Senhor com gratidão.

Tudo isso tem implicações de longo alcance. Esta é a era do individualismo desenfreado. Em alguns lugares, membros do corpo de Cristo estão sendo grosseiramente negligenciados. Se você adicionar a esta mistura volátil uma abordagem corporativa, a igreja poderá mostrar como é possível funcionar como o corpo de Cristo em uma sociedade fragmentada.

Nota:

1 O Nederland Dagblad é um jornal que funciona nos Países Baixos. Eles possuem uma abordagem cristã sobre os acontecimentos no país e no mundo.


Artigo publicado originalmente na Clarion Magazine, 2011.

Tradução: Marcel Tavares.

Revisão: Iraldo Luna.

Imagem concedida por Aline Guedes – Fotografia.

O website revistadiakonia.org é uma iniciativa do Instituto João Calvino.

Licença Creative Commons: Atribuição-SemDerivações-SemDerivados (CC BY-NC-ND). Você pode baixar e compartilhar este artigo desde que atribua o crédito à Revista Diakonia e ao seu autor, mas não pode alterar de nenhuma forma o conteúdo nem utilizá-lo para fins comerciais.

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