Presbiterato

Como os Presbíteros Podem Ajudar o Ministro da Palavra

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A tarefa central do Ministro da Palavra é óbvia: ele administra a Palavra de Deus à congregação, semanalmente. Em nossas igrejas, esta responsabilidade significa que ele deve preparar dois sermões a cada semana, e também dar aulas de catecismo, cursos para catecúmenos, e talvez estudos Bíblicos, entre outras responsabilidades.

Ele faz a maioria de seu trabalho sozinho no escritório, com a Bíblia, os livros, os comentários, e o desejo de comunicar as verdades gloriosas do Evangelho à congregação, para a edificação do povo da Aliança, e para a glória de Deus. Ele pode se sentir isolado e solitário, apesar do fato que o seu trabalho é baseado em relacionamentos pessoais.

Os ministros e os presbíteros (ou, na terminologia presbiteriana, os presbíteros regentes e docentes) formam uma equipe. O pastor não é o chefe ou o treinador da equipe, ou o gerente da organização da igreja; um princípio importante na eclesiologia reformada é a igualdade dos ofícios – todos são iguais, todos precisam trabalhar juntos.

E mesmo que pareça que o ministro trabalhe de forma independente, ele precisa da ajuda dos presbíteros para este trabalho específico. Na pregação e no ensinamento da congregação, os presbíteros devem trabalhar juntos com os pastores, para assegurar a alimentação do rebanho de Deus.

Mas como os presbíteros podem ajudar o ministro da Palavra neste trabalho?

Em primeiro lugar, os presbíteros precisam conhecer as ovelhas. As ovelhas ouvem a voz do pastor (e os presbíteros são pastores do rebanho também, não somente os ministros), “e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz; mas de modo nenhuma seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos” (Jo 10.2-5). Conhecer os membros do rebanho é importante, e deve ser um relacionamento vivo entre os liderados e sua liderança, porque esse relacionamento forma o ambiente em que a verdade do Evangelho pode ser proclamada e aceita.

Quando uma congregação cresce, se torna mais e mais difícil para o pastor conhecer todos os membros intimamente. Os presbíteros têm a responsabilidade de fazer visitas domiciliares regularmente, não somente quando existem problemas ou dificuldades com indivíduos ou famílias, mas também (e principalmente) quando parece que tudo está bem, e não existem problemas óbvios.

Nas reuniões do conselho, os presbíteros precisam apresentar relatórios sobre essas visitas. E esses
relatórios têm muito a ver com o trabalho do pregador.

Porque nessas visitas, os presbíteros podem avaliar como a pregação é recebida na congregação. Nas visitas, os presbíteros podem ter uma lista de perguntas já preparadas para facilitar a conversa:

  1. Os membros acham que a pregação está ajudando na sua vida de fé?
  2. Eles entendam as gloriosas promessas do Evangelho, e também as exigências de Deus, as obrigações da Aliança?
  3. Eles acreditam que as mensagens são aplicáveis no dia a dia? Talvez, eles não estejam se sentindo alimentados pela pregação. Se não, por quê? É uma questão de estilo, ou apresentação? Ou há um problema com o conteúdo da pregação?

As mesmas perguntas podem ser feitas sobre a instrução que os filhos da Aliança estão recebendo.

  1. Eles podem entender o ensinamento do pastor?
  2. Eles estão crescendo na fé por meio desta instrução?
  3. O pastor está ensinando efetivamente? Se não, onde é que ele pode melhorar?

Talvez o pregador use termos teológicos que nenhum membro pode entender. Talvez ele tenha um estilo muito elevado, enquanto a congregação precisa de um ensino mais simples. Quem sabe, a pregação não tem nada a ver com a vida cotidiana da membresia da congregação. Se for esse o caso (ou se a avaliação está positiva), o pastor precisa ouvir essa avaliação. Pois, o rebanho precisa de uma comida que possam digerir, e é bem possível que o pastor não tenha nem ideia de que a comida que ele está servindo não está alimentando à congregação. É melhor lidar com esta questão rapidamente, do que evitar a discussão até a congregação inteira morrer de fome, e mostrando sintomas de desnutrição!

Desta forma, os presbíteros podem ajudar o pregador ao comunicarem a avaliação da congregação acerca do ensinamento e pregação que eles estão recebendo. Os membros são, geralmente, mais honestos sobre a pregação quando eles falam com os presbíteros do que quando eles falam diretamente com o pregador. Quase sempre, os comentários que o pastor recebe após o culto são algo como: “Boa pregação, pastor, obrigado!” Ninguém quer parecer mal-educado, e, portanto, é difícil para o pastor receber avaliação honesta dos membros da congregação, ainda que ele queira receber avaliações críticas, inclusive.

Os presbíteros podem ajudar avaliando as ovelhas também. Nas visitas e nos relacionamentos pessoais com os membros da congregação, os presbíteros percebem muita coisa a respeito da saúde espiritual do rebanho.

  1. Em quais áreas da vida os membros estão lutando mais?
  2. Quais são os pecados que os membros têm dificuldades?
  3. Há membros sofrendo com depressão, com doenças crônicas, ou com dúvidas e falta de segurança da salvação?
  4. Existe algum membro com dúvidas sobre várias doutrinas ou que tem dificuldade com alguma delas?
  5. Existe algum membro com dúvidas acerca de Ética Cristã e/ou estão demonstrando, em seu estilo de vida, que não entendem muita coisa a respeito disto?

Eu poderia continuar, mas a ideia é clara – há muitas coisas sobre os membros da congregação que os seus presbíteros sabem, mas que talvez o pastor não saiba exatamente.

Nesta área, os presbíteros podem ajudar o pregador ao compartilharem com ele esses aspectos importantes na vida do rebanho. Estas informações ajudam o pastor a direcionar a aplicação dos sermões para abordar essas questões que estão no coração dos membros de sua congregação; é um grande apoio ao pastor. Pois, ao invés de aplicações alheias à vida dos ouvintes, ele poderá ministrar de forma específica às necessidades deles, de forma que eles ganhem mais dos sermões. O pastor conhece as ovelhas; e quando todos os pastores estão trabalhando juntos, o ministro da Palavra será eficiente ao lidar com as dificuldades experimentadas por suas ovelhas; quer sejam doutrinárias, ou éticas, relacionais, psicológicas ou espirituais.

Em segundo lugar, todos nós precisamos prestar contas. Não é por acaso que temos no padrão bíblico de liderança uma pluralidade de presbíteros. Os presbíteros precisam ajudar o pastor nesta área também – assegurando que o ministro está realizando as suas tarefas fiel e efetivamente. Isso tem a ver não somente com a pregação e o ministério de ensinamento, mas também com as visitas pastorais e as outras responsabilidades que o pastor tem, incluindo as responsabilidades na confederação das igrejas.

Como irmãos, com carinho, numa maneira fraternal, os presbíteros podem ajudar o pastor ao responsabilizá-lo. Ele está usando o tempo sabiamente? Ele mostra dedicação ao trabalho ou ele parece ter mais interesse em outras atividades? Ele está bem organizado no seu trabalho ou ele precisa de encorajamento e ajuda nessa área? Todos nós somos pecadores. Todos nós somos fracos, e temos nossas próprias fraquezas. Homens piedosos trabalhando juntos para encorajar a prestação de contas, podem realizar grandes coisas no serviço do Bom Pastor, apesar dessas fraquezas!

Talvez, pode ser que o pastor esteja sobrecarregado com muitas responsabilidades, as expectativas são muito altas, e o pastor tem muitas responsabilidades que impossibilitam a realização de todos os deveres com a eficiência necessária – a pregação, o ensinamento, visitas pastorais, evangelização, reuniões, comissões, aconselhamento, palestras… Existem possibilidades sem fim, mas as horas disponíveis a todos nós são as mesmas. O conselho da igreja precisa avaliar a carga do trabalho do pastor de forma honesta, para guardá-lo contra os dois extremos – ou preguiça na parte do pastor por um lado, ou um excesso de expectativas (ou expectativas irrealistas) por outro lado. Esta avaliação exige sabedoria, consulta e comunicação aberta e honesta.

Neste contexto, deve ser lembrado que a primeira responsabilidade do pastor é a sua família. Com demasiada frequência na história da igreja, pastores perderam seus filhos e suas esposas por causa da falta de atenção do pastor para com sua família. Muitas esposas de pastores que se sentem viúvas porque elas nunca veem seus maridos. Os pastores precisam lembrar que eles são maridos e pais e não negligenciar a família por causa do “Reino.” Os presbíteros precisam encorajar os ministros nesse sentido também. Por isso, é uma necessidade absoluta que os pastores recebam visitas domiciliares regularmente, que não são realizadas superficialmente, mas visitas em que a voz de toda a família é ouvida.

Em último lugar, os presbíteros podem partilhar o fardo do pastorado para maximizar a eficácia do ministro. Há muitas coisas que os presbíteros podem fazer: servir como moderador do conselho; fazer visitas a membros idosos, membros que têm doenças crônicas ou que estão internados, às novas mães, e membros com necessidades especiais; fazer o trabalho “burocrático” que toda igreja precisa fazer.

Esse tipo de ajuda serve para libertar o pregador para fazer o trabalho que ele foi chamado a fazer, já que esse não é o foco dos presbíteros: “proclamar fielmente a palavra do Senhor, administrar os sacramentos e publicamente invocar o nome de Deus…, catequizar, fazer visitas pastorais, cuidar do evangelismo da igreja, e edificar seus cooficiais” (Regimento das Igrejas Reformadas do Brasil, Artigo 13).

De acordo com a Forma Para a Ordenação dos Pastores das IRBs, o pastor tem quatro deveres centrais, e novamente os primeiros três são deveres que o pastor deve fazer, enquanto o quarto é uma responsabilidade comum dos pastores e presbíteros:

  1. Ele deve proclamar claramente e inteiramente a Palavra de Deus à igreja que ele serve – publicamente, e nas casas dos fiéis. Esse dever inclui a visitação dos membros da Igreja, a consolação dos enfermos, e o ensinamento da juventude da Igreja e todos os que forem chamados por Deus.
  2. Ele deve administrar os sacramentos – o Santo Batismo e a Santa Ceia.
  3. Ele deve invocar o nome do Senhor nos cultos, fazer súplicas, orações, intercessões, e ações de graças.
  4. Ele deve, com os presbíteros, cuidar de que tudo seja feito na congregação com decência e boa ordem, exercendo supervisão sobre a doutrina e a vida dos membros da Igreja e cuida do rebanho.

E como nossa forma diz, “Tudo isto mostra a importância do trabalho do ministro da palavra, pois através deste, Deus quer levar homens à salvação!

Pensando nas exigências do nosso Regimento e de nossa forma para a ordenação, podemos perguntar: quantos ministros não têm tempo para “cuidar do evangelismo da igreja”, por exemplo, porque eles são muito ocupados com as responsabilidades da administração, que não exigem uma educação teológica para fazer? Não é que o trabalho de administração não é importante, porque realmente é essencial, e por isso muitas vezes esse tipo de trabalho desvia a atenção do pastor, porque precisa ser feito. Há homens no ofício do pastor que não têm dons de organização, ou administração, que são tão fortes como em outros homens na congregação. O reconhecimento dos dons do pastor e dos presbíteros assegura que o trabalho feito esteja bem-feito.

Mas, quando os presbíteros docentes e os presbíteros regentes estão trabalhando juntos efetivamente, cada oficial pode exercer seus próprios dons e realizar sua própria tarefa para o máximo benefício da igreja, e para o louvor da glória de Deus. E quando nós trabalhamos juntos no entendimento de que nós estamos servindo o mesmo Rei, para a edificação do Seu Reino, esta ajuda mútua talvez não seja fácil, mas com certeza será alegre, e abençoada pelo Rei que estamos servindo.


Revisão: Ester Santos.

O website revistadiakonia.org é uma iniciativa do Instituto João Calvino.

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