Diaconato

Como os diáconos podem ajudar os ministros da Palavra

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Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária. Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço; e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra.” (At 6.1-4).

Quando nós pensamos no objeto de ajuda dos diáconos, o pastor não é a primeira pessoa que vem à mente. Provavelmente, o objeto de socorro diaconal mais óbvio é o membro pobre, desempregado, sofrendo com necessidades financeiras. Talvez, se você tem uma visão do ofício de diácono mais abrangente (e mais bíblica), você pensa nas viúvas e órfãos e forasteiros da congregação – aqueles que têm necessidades não somente físicas, mas que também precisam da consolação e comunhão que os diáconos podem fornecer.

Mas é interessante que Atos 6.1-4, a primeira passagem no Novo Testamento que fala sobre os diáconos, e de fato sobre a origem do ofício de diácono, são dois grupos que recebem o benefício do serviço dos diáconos. Em primeiro lugar, são as viúvas dos helenistas, que estavam sendo esquecidas na distribuição diária. Mas a ajuda que os diáconos forneceriam não ajudaria somente as viúvas; também os próprios apóstolos seriam ajudados por aquele serviço.

Pois, com a ajuda dos diáconos, em vez de focarem na distribuição diária das necessidades das viúvas, os apóstolos poderiam focar na atividade central da sua vocação: “a oração e o ministério da palavra.” Eles entenderam que tinham de escolher: ou eles poderiam tentar fazer todo o trabalho na congregação, incluindo o cuidado das exigências físicas dos necessitados, e negligenciar a sua tarefa essencial (a pregação e a oração), ou eles poderiam apontar homens capacitados pelo Espírito, homens com sabedoria, para fazer este trabalho.

Não é que os apóstolos acreditavam que eram importantes demais para servir, ou que eles acreditavam que o serviço às mesas era um trabalho subalterno, que homens tão importantes não deveriam se humilhar para fazer. Eles sabiam a importância deste serviço, e vemos isso nas qualificações necessárias para realizar esta tarefa. Os diáconos não eram garçons, mas precisavam ser “homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria.”

Aqui nós vemos que os ministros da Palavra precisam evitar focar em áreas da vida eclesiástica que não são essenciais ao seu ministério. Para pregar o Evangelho fielmente (e, também, precisamos lembrar, para dedicar-se fielmente ao ministério da oração), os ministros da Palavra não podem ser distraídos por outras responsabilidades, mesmo que elas sejam igualmente vitais na vida do corpo de Cristo Então, ainda que o foco dos diáconos seja diferente do que o dos ministros (e dos presbíteros), esses três ofícios precisam trabalhar juntos para o bem-estar da congregação, em todas as esferas da vida. E quando os diáconos fazem seu trabalho fielmente, eles mostram ao mundo a verdade do ensinamento de Tiago 1.27: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo.

Então, em termos práticos, como os diáconos podem ajudar os ministros? Usando a Forma Para Ordenação de Presbíteros e Diáconos das Igrejas Reformadas1, podemos concluir que as responsabilidades dos diáconos incluem:

  1. Conhecer pessoalmente as necessidades e dificuldades que existem na Igreja.” Assim como os presbíteros, os diáconos podem informar o ministro sobre essas necessidades, para que ele possa tratar disto em sua pregação. Há membros que precisam da consolação e da comunhão dos santos? Existe uma negligência dos necessitados na congregação? Há membros que estão sendo ignorados ou que vivem à margem da comunidade? Os diáconos podem compartilhar experiências pessoais com o pastor nas reuniões, para ajudá-lo na exortação prática nos seus sermões.
  2. Exortar os membros do corpo de Cristo a mostrarem caridade aos irmãos.” A responsabilidade de mostrar caridade não é somente dos diáconos. Quando os diáconos encorajam os membros a mostrarem caridade, eles ajudam o pastor na aplicação prática do ensinamento que os membros recebem na pregação e nos estudos bíblicos. A mensagem que os membros ouvem por meio do pregador é reforçada desta maneira. A aprendizagem torna-se algo mais do que teórica, porque é ensinada e vivida organicamente, no dia a dia da congregação.
  3. Encorajar e confortar, com a Palavra de Deus, aqueles que recebem as dádivas do amor de Cristo.” Precisamos sublinhar esta área, porque muitas vezes na prática da igreja, a administração da Palavra pelos diáconos é negligenciada. Mais uma vez, eu quero enfatizar: não é somente o pastor (ou os presbíteros) que tem esta responsabilidade! Quando este aspecto do ofício do diácono é levado a sério, eles partilham esta responsabilidade com os outros oficiais. Isso ajuda não apenas a congregação a crescer em santidade e obediência, mas também aos presbíteros e os pastores no seu trabalho, liberando o pastor para focar os seus esforços no ministério de pregação e ensinamento. Membros desempregados, membros com necessidades financeiras, viúvas (e idosos), e membros solteiros precisam de visitação. O pastor não pode fazer tudo; os diáconos podem fornecer assistência imensa nesta visitação.
  4. Promover, por palavras e atos, a união e comunhão no Espírito Santo, que a congregação desfruta na Mesa do SENHOR.” No fim das contas, o trabalho do diácono é a promoção da comunhão dos santos, a vida que proclamamos na nossa celebração da Santa Ceia. Quando o diaconato está funcionando bem nestas áreas, a saúde espiritual da congregação vai melhorar. Como podemos ver este quarto ponto como uma ajuda para os pastores? Claro, os diáconos não trabalham para fazer o pastor feliz, mas para o benefício da membresia da igreja, e no fundo, para a glória de Deus. Mas quando o pastor vê que o seu trabalho está a dar frutos, não há alegria maior. Sim, esta alegria é nada mais do que um efeito colateral do trabalho fiel do diácono. No entanto, este efeito mostra como os esforços do diácono podem ter um impacto multifacetado na vida do rebanho de Deus que inclui a ajuda que ele pode oferecer ao pastor.

Nota:
1 Para acessar a Forma Para Ordenação de Presbíteros e Diáconos das Igrejas Reformadas do Brasil visite o website das Igrejas Reformadas do Brasil: http://www.igrejasreformadasdobrasil.org/culto/forma-para-ordenacao-de-presbiteros-e-diaconos. [N. do E.]


Revisão: Ester Santos.

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