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A melhor roupa no domingo

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Como alguém deveria se vestir para ir à igreja? É uma pergunta válida, não? Porém não é um assunto sobre o qual muitos gostam de falar, pois a tendência atual é usar o que for mais confortável e casual, independente da ocasião. De fato, mesmo nos cultos, pode-se perceber uma decadência do hábito de usar suas melhores roupas no domingo. Devido à cultura atual, o simples fato de mencionar o assunto de vestimentas no culto pode levantar alguns problemas. Uma resposta típica é de que Deus não se importa com a roupa que alguém se veste. Ele olha para o coração e o que estiver ali é o que importa. O último ponto é claramente verdadeiro (Salmo 24.4), mas a afirmação de que Deus não se importa com o que se veste para o culto público pode ser desafiada. A moda que tem crescido atualmente de se vestir de qualquer jeito para a igreja não é boa.

Raciocine comigo, pois gostaria de abordar esse tema pela Escritura. Primeiramente, notemos o fato de que é um privilégio tremendo da graça divina o podermos começar cada semana indo à igreja para adorar nosso Deus e Rei. Que prerrogativa maravilhosa é estar habilitado a entrar em sua presença como seu povo e a cantar nossos louvores, render nossas ações de graças e ouvi-lO falando a nós por meio da Palavra lida e proclamada.

Para que possamos prezar apropriadamente nossa adoração, entretanto, é bom que saibamos um pouco de seu contexto e de sua história. Então consideremos brevemente alguns aspectos relevantes da adoração no Antigo e no Novo Testamento para que possamos entender melhor um pouco do que devemos fazer e de onde estamos querendo chegar com o nosso culto.

Do Antigo para o Novo

Após Deus ter libertado seu povo do cativeiro egípcio, Israel teve a exultante experiência de encontrar Deus no Monte Sinais. Porém antes de eles poderem se achegar à Sua presença e ouvi-lO, Deus ordenou que se consagrassem, lavassem suas vestes e ficassem longe do monte. Tocá-lo significaria morte (Êxodo 19.10-12). Deus estava indicando que Ele era santo e, portanto, deveria ser respeitado e temido. Ele também indicou que Lhe era importante a maneira como Seu povo se apresentava perante Ele. Ele demandou santificação, ou seja, que eles se separassem para Deus. Essa consagração quebrou o padrão que eles tinham em sua vida cotidiana, pois deveria ocorrer durante dois dias. Nós não lemos muitos detalhes de como essa consagração se daria precisamente, mas as vestes são mencionadas. Elas deveriam ser lavadas. Você está aparecendo perante Aquele que é Santo! Deus demanda santidade e zelo, e isso deve estar evidente também no que vestimos.

Essa preocupação divina com a maneira como alguém se apresentava perante Deus estava também evidente na adoração no tabernáculo e no templo. Havia níveis graduais de consagração nesses santuários. O acesso não era permitido ao povo. Os sacerdotes poderiam entrar no Santo Lugar e apenas o sumo-sacerdote poderia entrar uma vez ao ano no Santo dos Santos, ou Santíssimo Lugar. Para se achegarem a Deus, eles deveriam estar vestidos de acordo com padrão definido para cada ambiente. Esse padrão era bem elaborado para o sumo-sacerdote (Êxodo 28.1-39). Os outros sacerdotes precisavam ter roupas de linho que eram, assim como as do sumo-sacerdote, designadas para “glória e ornamento” (Êxodo 28.2,40). O original pode ser traduzido como “para glória e esplendor”. As palavras usadas também denotam as ideias de adorno, luxo, e beleza esplêndida. O ponto é que as roupas deveriam refletir algo do fato de que os sacerdotes estavam na presença de Deus, pois essa vestimenta era para ser usada enquanto eles estavam trabalhando no tabernáculo ou templo (cf. Deuteronômio 12.7,18). A importância de se vestir de maneira apropriada é salientada pelo fato de que, mesmo que o sacerdote estivesse realizando tarefas tão servis quanto limpar as cinzas da oferta queimada, ele deveria vestir aquilo que o Senhor havia designado para a tarefa (Levítico 6.10-11).

Tudo isso tem importância para hoje quando percebemos o contexto em que estamos inseridos. Deus agora nos libertou do Egito do pecado e da dominação satânica por meio de “Cristo, nosso Cordeiro pascal” (1 Coríntios 5.7). Isso quer dizer que em vez de nos aproximarmos do Monte Sinai, nos aproximamos para o culto no Monte de Sião!

Como lemos em Hebreus 12, “Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos; À universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; E a Jesus, o Mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel.” (Hebreus 12:22-24)

Podemos adorar perante os céus, por assim dizer. E ainda melhora: Devido à aspersão do sangue de Cristo, podemos ter “pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, … cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa” (Hebreus 10:19-22). Como sacerdócio a Deus (cf. 1 Pedro 2.5), nós podemos fazer o que apenas o sumo-sacerdote podia fazer uma vez ao ano no Antigo Testamento. Quando adoramos e clamamos o nome do Senhor, podemos entrar no Santo dos Santos! Quem pode apreender e apreciar por completo o significado disso?

Essa importante verdade tem implicações para as vestimentas que escolhemos vestir quando estamos indo para a igreja adorar na presença do próprio Deus. Se Deus se importava como os sacerdotes se aproximavam dEle no Antigo Testamento, estaria Ele menos preocupado hoje, quando o privilégio sacerdotal de poder se aproximar de Deus no Santíssimo Lugar está disponível para todos os crentes? Nosso Deus ainda é o mesmo. Ele é santo e majestoso. Ele é o Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores que vem para julgar este mundo. Ele espera que nós, que somos por natureza nada além de pecadores miseráveis, nos aproximemos dele com reverência, temor e com nossas melhores roupas, refletindo o princípio das vestes sacerdotais que nossas roupas são para “glória e ornamento” na presença de Deus (Êxodo 28.2,40; Hebreus 12.28-29).

Em concordância com a era em que vivemos, a era do Espírito Santo, Deus deixa os detalhes das nossas vestimentas conosco. Não deveríamos precisar delinear regras sobre como se vestir para adorar. O Senhor nosso Deus nos habilitou a tomar tais decisões, uma vez que nós temos tanto os princípios relevantes ditados em Sua Palavra quanto o dom do Seu Espírito, o qual é capaz de nos guiar por meio da Palavra. Mas nós, em retorno, precisamos nos assegurar de que o Espírito tem espaço suficiente para trabalhar em nossas vidas, de modo que Ele possa moldar a nós e aos nosso pensamentos de acordo com a vontade de Deus. Precisamos consciente e continuamente trabalhar no desenvolvimento de uma contra-cultura que desafia as normas de um mundo neo-pagão que nos cerca, inclusive no que se refere às vestimentas e certamente quando se trata de adoração.

O caminho à frente

É muito fácil ser inconscientemente influenciado pela cultura ao nosso redor. As pessoas se vestem mal e viram as costas para a autoridade, inclusive a autoridade de Deus. A falta de respeito está espalhada em nossa sociedade atual. Nesse tipo de cultura, precisamos nos preparar de maneira muito planejada para o domingo e atentar para a advertência em Eclesiastes, a qual pode ser parafraseada assim: “Guarda o seu pé quando for à igreja!” (Eclesiastes 5.1). Quando entramos na igreja, estamos entrando em um espaço especialmente reservado à adoração onde, como congregação, nós oficialmente entramos na presença de Deus e adoramos, e as orações nos levam ao Santíssimo lugar. As roupas que vestimos devem refletir essa maravilhosa realidade.

É uma coisa para uma pessoa desigrejada vir à igreja por curiosidade ou por fome de comida espiritual. Ela pode não ter tido a chance de se preparar de maneira apropriada ou pode não saber o que está envolvido na adoração. O mesmo não pode ser dito daqueles que foram criados na igreja.

Quando alguém considera que mesmo nossa atual cultura secular honra certos padrões de roupas quando se quer assegurar um vestuário para qualquer tipo de de ocasião, mesmo para jogar golfe, não é uma desonra ao Deus Altíssimo quando as pessoas se aproximam dEle no culto solene em roupas que são menos que nossas melhores roupas?

Há também mais uma coisa digna de nota. A congregação não é apenas um sacerdócio santo, mas também a noiva de Cristo. Como noiva do Salvador vivendo na expectativa da grande festa de casamento, os crentes devem se preparar para a vinda d Cristo e para o dia em que Ele os vestirá com vestes brancas de redenção (Apocalipse 19.7-8). Em antecipação daquele dia, não deveríamos honrar nosso Deus e Mestre já desde agora usando nosso melhor quando nos achegamos perante Ele em grata adoração?

Um conhecido especialista no Antigo Testamento assinalou que “o modo em que alguém aparece fisicamente perante Deus frequentemente revela a atitude da sua mente (cf. Mateus 22.11-14)” (R.K. Harrison, Levitico, p. 75).

Não percamos nosso senso de admiração em estar na presença de Deus. É um privilégio que não podemos desprezar. Como a Escritura nos exorta:
Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade; Porque o nosso Deus é um fogo consumidor.” (Hebreus 12:28,29)


Tradução: Letícia Cortês.

Revisão: Iraldo Luna.

O website revistadiakonia.org é uma iniciativa do Instituto João Calvino.

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