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A antítese e o casamento

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Um assunto que não quer morrer nas igrejas é a questão da corte e casamentos mistos, isto é, do namoro e casamento entre um crente e um incrédulo. Poucos conselhos eclesiásticos, se houver algum, são poupados desse problema. Essa questão está tão viva que o conselho da nossa igreja irmã em Kelmscott se sentiu compelido a tomar uma decisão de oito pontos em que afirma que “…temos forte convicção de que as cortes mistas são contrárias à vontade revelada de Deus e devem ser desfeitas” (Press Review: “Mixed Courtships,” In Holy Array, vol.39, n.2).

Uma linguagem forte. Seriam os namoros mistos contrários à vontade revelada de Deus? Deveriam eles ser desfeitos? Sim, eles são, e sim, eles deveriam.

O testemunho das Escrituras é unânime sobre isso. Deus colocou um muro de separação entre crentes e incrédulos. Chamamos esse muro de separação de “a antítese”. Isso não significa que não podemos fazer negócios com incrédulos, ou que devemos viver em comunidades desligadas do mundo. O que significa é que, embora vivamos no mundo, não podemos nos tornar parte dele. Sobretudo, significa que não podemos nos unir a um incrédulo no relacionamento mais básico da vida, o casamento. Sobretudo, a antítese significa que não podemos nos ligar estreitamente a um incrédulo, não podemos tecer uma vida com um incrédulo em casamento.

Vamos dar um passeio pela Bíblia e descobrir isso mais uma vez.

Em Gênesis 3.15, depois que Adão e Eva caíram em pecado obedecendo a Satanás, Deus disse ao diabo:

Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente.

Deus traçou a linha de separação. Deus estabeleceu a inimizade, a antítese, a linha entre os seguidores do diabo e os filhos de Eva. Esta linha faz o corte entre crentes e incrédulos, entre filhos da igreja e filhos do mundo. Devemos manter essa antítese. A história registrada na Bíblia mostra o que acontece quando o povo de Deus não mantém a antítese e se casa com incrédulos.

Gênesis 6 é o primeiro registro sobre as consequências devastadoras dos casamentos mistos. O povo de Deus não atentou para a linha que Ele estabeleceu entre eles e o povo do mundo. Casaram-se com quem desejaram. O resultado foi que toda a raça humana, com exceção de Noé e sua família, acabou se rebelando contra Deus. Deus se arrependeu de ter criado o homem. Ele eliminou o homem da face da terra com o dilúvio universal.

Em Deuteronômio 7.3,4, enquanto o povo de Deus estava à entrada da Terra Prometida, Moisés proibiu o povo de se casar com os cananeus. Moisés disse que, se o povo permitisse o casamento misto, o resultado inevitável seria que os jovens israelitas se afastariam de Deus e começariam a adorar os deuses de Canaã. O resultado final seria o juízo de Deus.

A história mostrou que Moisés estava certo. Depois que Deus estabeleceu Israel na Terra Prometida e depois de Josué e a geração de seu tempo terem morrido, a nova geração se casou com os cananeus que ainda residiam na terra. Eles ignoraram a antítese. Juízes 3.6 diz:

… tomaram de suas filhas para si por mulheres, e deram as suas próprias filhas aos filhos deles; e rendiam culto aos seus deuses.

O resultado inescapável do casamento entre o povo de Deus e o povo do mundo foi que o povo de Deus acabou servindo a deuses pagãos. É claro! Eles perderam a batalha quando ignoraram a antítese. Eles foram derrotados no momento em que se comprometeram e abraçaram em casamento alguém do outro lado da linha que Deus traçou.

O pecado do casamento misto nunca esteve longe do povo de Deus. Lemos sobre isso novamente nos dois últimos capítulos de Esdras. Os judeus haviam passado 70 anos exilados na Babilônia. Deus os havia expulsado de Sua terra. Este havia sido o julgamento de Deus contra o pecado da idolatria devida, em grande parte, ao casamento misto. Depois de 70 anos, Deus permitiu que eles voltassem para casa novamente. Em pouco tempo, muitos dos homens haviam tomado esposas dentre os pagãos que moravam na terra. Esdras os chamou ao arrependimento. Eles eram uma “linhagem santa” que não podia se misturar com “os povos dessas terras” (Esdras 9.2). O povo reconheceu o que havia feito como pecado diante de Deus.

O N.T. é consistente com o A.T. nesse ponto. O povo de Deus não está mais restrito a uma raça, os judeus; no entanto, Deus ainda tem o Seu povo, a quem Ele chama de santo. Somos uma raça eleita, uma nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus (1 Pedro 2.9). Os crentes formam uma raça santa. E o povo desta raça não pode se casar com incrédulos.

Em 2 Coríntios 6.14, Paulo escreve: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos”. Não há união mais básica do que o casamento. O casamento é a principal relação na vida além daquela que temos com o Senhor Jesus Cristo. Um crente não pode se casar com um incrédulo, porque eles não têm nada em comum.

Você argumentará: “Quem sabe? Talvez eu a ganhe para Cristo. Talvez Deus utilize meu relacionamento com ela para trazê-la para a igreja”. O problema com esse argumento é que ele é baseado no “talvez”. Não construímos relacionamentos baseados em “talvezes”, ou no que esperamos que possa ser a vontade oculta de Deus. Construímos relacionamentos baseados na vontade revelada de Deus, a Bíblia. E a Bíblia proíbe os crentes de se casarem com os incrédulos.

Você dirá: “Mas eu posso lhe citar uma dúzia de exemplos de casos em que uma crente se casou com um incrédulo e o incrédulo tornou-se cristão. E hoje eles são membros fortes da igreja. Alguns são até presbíteros”. Eu também posso. Deus seja louvado por Sua misericórdia e graça soberanas! Mas, nós ambos podemos mencionar uma dúzia de exemplos que seguiram o caminho oposto. Novamente, nós não construímos relacionamentos baseados no desconhecido, mas baseados no claro ensinamento da Palavra de Deus.

Não exagere a sua capacidade de permanecer forte na fé cristã tendo se casado com um incrédulo. Neemias, um contemporâneo de Esdras, relatou ao povo que o rei Salomão, um rei dotado da sabedoria de Deus como nenhum outro, foi levado por esposas pagãs a cometer o grave pecado da idolatria. A ordem de Paulo é apropriada:

Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia”. (1Co 10:12)

Meus jovens irmãos e irmãs, por favor, mantenham a antítese em suas vidas. A linha de separação que Deus colocou entre vocês e o mundo exige que vocês façam escolhas sérias. Vocês devem fazer escolhas sobre como se vestirão, que tipo de trabalho farão, que entretenimento buscarão, quem serão seus amigos. E, certamente, exige que vocês escolham cuidadosamente com quem se casarão.


Artigo publicado originalmente na Clarion Magazine (Canadá), 1992.

Tradução: Alice Tainara.

Revisão: Arielle de Eça.

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